Angela Merkel

Juliana Bezerra

Angela Dorothea Merkel (nascida Angela Dorothea Kasner) é uma física, política alemã, e chanceler da Alemanha desde 2005.

Angela Merkel é a primeira mulher a alcançar a chefia do governo do seu país e já foi reeleita quatro vezes para o posto.

Biografia

Angela Merkel nasceu em Hamburgo em 17 de julho de 1954 e é a mais velha de três irmãos. O pai era pastor protestante e a mãe professora de latim e inglês. Após o seu nascimento, a família se muda para uma cidade na Alemanha Oriental e Merkel passará toda sua vida no lado comunista.

Passou a juventude convivendo com dois sistemas políticos e econômicos. Enquanto vivia a realidade da Alemanha Oriental, estigmatizada por ser filha de um pastor, conseguia assistir programas da Alemanha Ocidental e também ler publicações deste país.

Escolhe cursar física na Universidade de Leipzig e ali conhece seu primeiro marido. Embora o casamento tenha durado apenas cinco anos, Angela não se desfez do sobrenome: Merkel.

Angela Merkel se casaria em 1998 com o professor universitário Joachim Sauer e o matrimônio se mantém. Os dois não tiveram filhos.

Angela Merkel
Angela Merkel

Trabalhou como pesquisadora escrevendo vários artigos científicos e era a única mulher do seu departamento na Academia de Ciências de Berlim.

Com a Queda do Muro de Berlim, ela se envolve na política através do movimento Renovação Democrática. Será porta-voz adjunta do último governo da República Democrática da Alemanha (Alemanha Oriental).

Carreira Política

Quando a Renovação Democrática se funde ao partido CDU (União Democrata-Cristã, na sigla em alemão), Merkel é eleita em 1990 para o parlamento federal (Bundestag).

Um ano mais tarde será escolhida para ser Ministra da Mulher e da Juventude, de 1991 e 1994, quando Helmut Kohl (1930-2017) era o chanceler da Alemanha.

Ao mesmo tempo, escala posições dentro da organização partidária. Com a reeleição de Kohl, em 1994, torna-se Ministra do Meio-Ambiente e da Segurança Nuclear.

Em 1998, os líderes da CDU se veem envolvidos em escândalos de corrupção que atingem o próprio chanceler Helmut Kohl.

Apesar de Angela Merkel ter crescido politicamente ao seu lado, publica uma carta aberta em um jornal denunciando-o e afirmando que era hora que ele deixasse a política.

Sem alternativa, o partido perderia as eleições federais naquele ano, mas em 2000, Angela Merkel é eleita presidente da União Democrata-Cristã e virtual candidata para o pleito de 2005.

Governo

Nas eleições de 2005, Merkel se apresenta como candidata ao governo alemão e sai vitoriosa derrotando o então chanceler Gerhard Schröder (1944 - ). Apesar de ser a nação mais industrializada e rica da Europa, a Alemanha sofria com um déficit e taxas de desemprego elevadas, especialmente entre os jovens.

A chanceler é frequentemente criticada por sua falta de carisma, seu guarda-roupa repetitivo e pelos discursos cheio de frases curtas. De todas as maneiras, seu eleitorado aprova o estilo, pois há treze anos a elege como líder máxima da Alemanha.

Por outro lado, sua ação foi fundamental para solucionar alguns desafios dessas duas primeiras décadas do século XXI: crise econômica, a chegada dos refugiados e as relações internacionais com o presidente russo Vladimir Putin.

Crise Econômica

A crise econômica que assolou os países em 2008 quase não foi sentida na Alemanha. Isto porque os partidos políticos já tinham feito algumas mudanças de corte de gastos antes que a crise se instalasse.

Também fizeram mudanças na legislação trabalhista permitindo o trabalho por horas e dando subsídios aos pequenos empresários que contratassem empregados.

Quando os bancos alemães precisaram de resgate, Merkel acudiu em seu socorro, sabendo que o sistema financeiro alemão sustentava, em grande parte, o sistema europeu.

Grécia

Angela Merkel
Angela Merkel como nazista numa manifestação em Atenas, em 2012

Durante a crise econômica de 2008 vários países europeus estiveram perto da bancarrota e um deles foi a Grécia.

Com dívidas crescentes e ameaçando sair da zona euro, Angela Merkel, em 2015, deu sinal verde para um resgate bancário que salvasse o país. No entanto, impôs duras condições de austeridade como diminuição das aposentadorias e gastos públicos.

Tais medidas provocaram vários protestos violentos na Grécia que a acusaram de ser uma espécie de Hitler para o povo grego.

Refugiados

Quando a Guerra na Síria e o avanço do Estado Islâmico provocou um grande deslocamento de refugiados à Europa, Angela Merkel abriu as fronteiras alemãs para recebê-los.

A atitude provocou críticas dentro do próprio partido, mas Merkel manteve-se firme dizendo que era imperativo acolher aqueles que fugiam da miséria e da guerra. Calcula-se que a Alemanha tenha recebido um milhão de refugiados em 2015.

Os atentados terroristas ocorridos em Berlim, em dezembro de 2016, deram mais argumentos àqueles que são contra ao recebimento de imigrantes em território alemão.

Rússia

Colaboradores próximos ao presidente Vladimir Putin afirmam que Angela Merkel é a única líder europeia que ele respeita.

Seja como for, a atuação de Merkel foi fundamental durante a Rússia que invadiu a Ucrânia em 2014 e ela se tornou a ponte entre o Ocidente e Putin. O conflito foi resolvido rapidamente e sem necessidade de provocar uma guerra entre Europa e Rússia.

Curiosidades

  • Foi eleita em 2015 pela revista Times como personalidade do ano pelo sua atuação na crise dos refugiados.
  • Seus eleitores a chamam carinhosamente de "Mutti", mamãe em alemão ou "Angie", diminutivo de Angela. Já seus detratores criaram o verbo "merkear" (merkin) para indicar indecisão.
  • Como foi educada na Alemanha Oriental fala russo com fluência.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.