Augusto Pinochet


Augusto José Ramón Pinochet Ugarte (1915-2006), mais conhecido como Augusto Pinochet, foi um general e presidente do Chile de 1973-1990.

Militar de carreira, chegou à presidência após orquestrar um golpe de Estado contra o presidente da República, Salvador Allende.

Durante o período em que foi ditador do Chile autorizou perseguições, torturas e exílios, além de reunir uma considerável fortuna através do recebimento de subornos e sonegação de impostos.

Biografia

Augusto Pinochet, ditador do Chile
Augusto Pinochet (1915-2006), ditador do Chile

Augusto Pinochet nasceu em Valparaíso em 25 de novembro de 1915 e faleceu em 10 de dezembro de 2006. Sua família tinha origens francesas e ligadas à indústria da pesca, porém sem nenhuma tradição militar.

Mesmo assim, ingressou na Academia Militar na década de 30 e escolheu a arma da Infantaria. Neste momento, o Exército se figurava como um grande protagonista político e Pinochet aproveita o prestígio da instituição.

Viajou a vários pontos do país devido aos seus encargos militares e teve sob seu comando o campo de prisioneiros de Pisagua, onde eram encarcerados os comunistas. Desta forma, pôde conhecer seus futuros adversários de perto.

Em janeiro de 1943 casa-se com a Lucía Hiriart (1923), oriunda de uma importante família que a princípio foi contra o casamento. Pinochet e Lucía tiveram cinco filhos.

De personalidade forte, ela aconselhou o presidente durante todo seu governo e chegou a ser recebida pela primeira-dama americana, Nancy Reagan (1921-2016), esposa do presidente Ronald Reagan (1911-2004).

Governo de Augusto Pinochet

A carreira militar de Pinochet seguia o caminho das promoções. Era apontado por seus superiores como um militar profissional e leal à ordem constitucional.

No entanto, no meio do caos que se tornara o governo de Salvador Allende (1908-1973), passa a conspirar com outros companheiros de armas a deposição do presidente. Deste modo, lidera o ataque ao Palácio de la Moneda e assume a direção do país.

Após 16 anos frente ao governo chileno, é realizado um plebiscito em 1988, para saber se a população gostaria que ele continuasse ou não governando. O “não” ganhou, mas Pinochet seguiu na política como Chefe do Estado-Maior do Exército e, posteriormente, como senador vitalício.

Pinochet morreu em dezembro de 2006 depois de uma longa doença.

Ditadura de Augusto Pinochet

Augusto Pinochet tornou-se presidente do Chile depois de ser um dos líderes do golpe militar de 11 de setembro de 1973. A alegação para a intervenção militar era que o Chile estava sob perigo de sucumbir ao comunismo.

Sob seu comando, a sede presidencial foi bombardeada e o presidente Salvador Allende, que resistia, cometeu suicídio para não se entregar aos militares.

Começava, assim, uma das mais longas e violentas ditadura na América Latina.

Política Interna

Ditadura chilena
Aspecto dos prisioneiros no Estádio Nacional do Chile que foi transformado em prisão após o golpe de 11 de setembro de 1973.

Pinochet impôs um governo ditatorial que perseguiu comunistas, liberais e progressistas de todos os partidos.

Instituiu-se a censura, o toque de recolher e os sindicatos foram fechados. Com a ditadura implantada, os trabalhadores se viram desprovidos de seus direitos básicos e os indígenas tiveram suas terras cedidas à exploração estrangeira.

Foi criada a polícia política, DINA (Direção de Inteligência Nacional), que detinha qualquer cidadão suspeito sem acusação formal. Mais tarde, o órgão seria transformado no CNI (Centro Nacional de Informações).

Calcula-se que mais de 30.000 chilenos tenham morrido e 200.000 pessoas tenham sido exiladas.

Augusto Pinochet foi confirmado no cargo através de um plebiscito que ocorreu em 1980, o qual também aprovou uma nova Constituição.

É preciso recordar que não havia forma da oposição se expressar nessa época, o que põe em xeque a validade desta consulta popular.

Economia

Logo após o golpe, o Chile adotou medidas neoliberais a fim de recuperar sua economia. Assim, foi determinada a desvalorização do peso chileno, a diminuição de tarifas alfandegárias, abertura ao capital estrangeiro, privatização de empresas estatais e redução da participação do Estado na economia.

Entretanto, em termos microeconômicos a situação foi complicada. Somente nos anos de 1973/1974, cem mil funcionários públicos foram demitidos, o que gerou uma queda no rendimento de várias famílias. Igualmente, a brecha entre as classes sociais era bastante grande.

No começo da década de 80, com a falta de solvência das economias latino-americanas, a economia chilena se viu afetada. Vários bancos tiveram que ser nacionalizados e o PIB do Chile caiu 14,3%.

Somente vinte anos após a aplicação do neoliberalismo, o Chile começou a crescer. Entre 1987 e 1989, se registrou uma taxa de 6% de crescimento e assim seguiria até a Crise Asiática de 1998.

Política Exterior

A política exterior de Pinochet consistiu em reforçar os laços com as outras ditaduras militares latino-americanas. Por isso, realizou visitas oficiais ao Brasil, para a posse de Ernesto Geisel (1907-1996) e às ditaduras do Uruguai, Paraguai e Argentina.

Esses países compartilhavam informações sobre os opositores, na chamada Operação Condor, e intercambiavam práticas militares. Ao mesmo tempo eram desconfiados e cautelosos para que nada acabasse numa declaração de guerra.

Contudo, durante a Guerra das Malvinas, os chilenos ficaram ao lado dos britânicos, fornecendo informações e cedendo seu espaço aéreo, azedando ainda mais relação com a Argentina.

Igualmente, as relações com os Estados Unidos foram bastante amistosas devido à política anticomunista que ambos os países adotaram na Guerra Fria.

Curiosidades

  • Certa vez, numa declaração para a TV, Pinochet negou que seu regime de governo fosse uma ditadura: ele afirmou que o Chile vivia uma “ditabranda”.
  • Foi o segundo general mais condecorado da história do Chile, somente ficando atrás do artífice da independência, Bernardo O’Higgins (1778-1842).
  • Na ocasião de seu falecimento, Pinochet estava citado em cerca de 300 processos judiciais por violação de Direitos Humanos, recebimento de suborno e evasão fiscal.

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Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.