Como fazer um bom texto descritivo

Daniela Diana

O texto descritivo é marcado pela proposta de ser um retrato de pessoas, objetos ou cenas. Assim, esse tipo de texto é uma espécie de fotografia do objeto descrito.

Além das características físicas, o leitor é incitado a compreender por meio do uso de todos os sentidos: tato, visão, audição, paladar e olfato.

Conforme o que será descrito, o leitor é levado a compreender também as características psicológicas e interiores do objeto.

Dica:

É imprescindível que o leitor tenha o máximo de informações possíveis sobre o objeto descrito e não somente a enumeração de características. Ou seja, quem vai descrever deve esgotar o objeto, mas manter a coerência.

Exemplo

Quaresma era um homem pequeno, magro, que usava pince-nez, olhava sempre baixo, mas, quando fixava alguém ou alguma cousa, os seus olhos tomavam, por detrás das lentes, um forte brilho de penetração, e era como se ele quisesse ir à alma da pessoa ou da cousa que fixava. Contudo, sempre os trazia baixos, como se se guiasse pela ponta do cavanhaque que lhe enfeitava o queixo. Vestia-se sempre de fraque, preto, azul, ou de cinza, de pano listrado, mas sempre de fraque, e era raro que não se cobrisse com uma cartola de abas curtas e muito alta, feita segundo um figurino antigo de que ele sabia com precisão a época.

(O Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto, 1915)

Entenda a Sequência Descritiva

  1. É preciso usar substantivos que permitem a identificação de traços do que é descrito.
  2. O objeto é descrito por adjetivos e locuções adverbiais com a função de adjunto adnominal ou predicativo.

Dicas e Exemplos

Use adjetivos para detalhar o objeto descrito:

O planalto central do Brasil desce, nos litorais do Sul, em escarpas inteiriças, altas e abruptas. Assoberba os mares; e desata-se em chapadões nivelados pelos visos das cordilheiras marítimas, distendidas do Rio Grande a Minas. Mas ao derivar para as terras setentrionais diminui gradualmente de altitude, ao mesmo tempo que descamba para a costa oriental em andares, ou repetidos socalcos, que o despem da primitiva grandeza afastando-o consideravelmente para o interior.

(Os Sertões, Euclides da Cunha, 1902)

Demonstre o objeto descrito com o uso verbos de ligação:

Era possível saber sua idade, sua procedência, sua história".

(A Guerra do Fim do Mundo, Mário Vargas Llosa, 1982)

Procure usar os verbos no pretérito imperfeito e no presente do indicativo para descreve cenas:

Um pouco cansada, com as compras deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no bonde. Depositou o volume no colo e o bonde começou a andar. Recostou-se então no banco procurando conforto, num suspiro de meia satisfação.

(Amor, Clarisse Lispector, 1982)

Empregue metáforas e comparações que permitem ao interlocutor ter mais elementos para elaborar a imagem mental do que é descrito:

Os gestos, calmos, soberanos, eram de um rei — o autocrata excelso dos silabários; a pausa hierática do andar deixava sentir o esforço, a cada passo, que ele fazia para levar adiante, de empurrão, o progresso do ensino publico; o olhar fulgurante, sob a crispação áspera dos supercílios de monstro japonês, penetrando de luz as almas circunstantes — era a educação da inteligência; o queixo, severamente escanhoado, de orelha a orelha, lembrava a lisura das consciências limpas — era a educação moral.

(O Ateneu, Raul Pompeia, 1888)

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.