Comuna de Manaus


A Comuna de Manaus, ocorrida em 1924 no estado do Amazonas durante o governo de Artur Bernardes, foi a terceira revolta tenentista liderada pelo tenente Alfredo Augusto Ribeiro Júnior.

Contexto Histórico: Resumo

Paralelamente à Comuna de Manaus, em outros lugares do país, o movimento militar do tenentismo ganhava força desde 1920, os quais lutavam pela reforma política e educacional no país, desde o fim do voto de cabresto, com a criação do voto secreto; e ainda, a implementação do ensino primário obrigatório a todos.

Note que para que isso acontecesse, o escopo principal dos tenentistas era derrubar o governo e pôr fim às repúblicas oligárquicas locais, deflagrada em diversos movimentos pelo país, como a Revolta do Forte de Copacabana (1922), no Rio de Janeiro; e a Revolução de 1924, ocorrida em São Paulo.

Além disso, a despeito de os tenentistas não terem atingido seus objetivos, a Coluna Prestes, representou a maior marcha tenentista que percorreu 25 mil quilômetros pelo país, iniciada no sul com duração de 2 anos e meio (1925-1927) aproximadamente.

Com efeito, os tenentistas, grupo de jovens militares, formado maiormente por tenentes, estavam insatisfeitos com as ações do governo durante o período final da República Velha (1889-1930), sobretudo do poder concentrado nas mãos dos fazendeiros que faziam parte das oligarquias locais e estavam aliadas ao governo federal.

Desse modo, os militares organizaram, na capital do Amazonas, Manaus, uma revolta encabeçada pelo tenente Alfredo Augusto Ribeiro Júnior. O principal nome da oligarquia que dominava a cena política do Amazonas era de César do Rego Monteiro, na época governador do estado do Amazonas.

A Comuna de Manaus inicialmente eclodiu no Amazonas (na capital, Manaus) donde os rebeldes tomaram a sede do governo, o Palácio Rio Negro, cujo governador que estava em exercício, Turiano Meira, fugiu, posto que César do Rego Monteiro estava na Europa.

Nesse ínterim, os tenentistas conseguiram permanecer no poder durou um mês e alguns dias (de 23 de julho a 28 de agosto), isolando a cidade de Manaus ao tomarem as estações de Telégrafos e Telefônicas. Por conseguinte, a revolta se estendeu pelos municípios paraenses de Alenquer, Santarém e Óbidos.

Não obstante, o levante do Amazonas, que recebeu o apoio da população insatisfeita diante de tantos problemas estruturais, desde o aumento do desemprego, da miséria, da corrupção, da crise da borracha (principal produtor para exportação); por fim, foi sucumbido pelas forças legalistas do governo, liderada pelo comandante do Destacamento do Norte, o General gaúcho João de Deus Mena Barreto.

O General Barreto também participou da repressão da primeira revolta tenentista, sublevada no Rio de Janeiro, a Revolta do Forte de Copacabana (1922) e por envolvimento com a Comuna de Manaus, recebeu o título de “Pacificador da Amazônia”. Ameaçados por ele de bombardear a cidade, os rebeldes decidiram se entregar o que culminou na prisão do líder Ribeiro Júnior e o retorno das oligarquias ao poder.

Para saber mais: Tenentismo, Revolta do Forte de Copacabana, Revolta Paulista de 1924, Coluna Prestes

Curiosidades

  • O termo “comuna” faz referência ao termo em francês “comunne” que significa município.
  • A Comuna de Manaus representou a única revolta tenentista em que os militares tomaram efetivamente o poder.
  • O líder da Comuna de Manaus, o General gaúcho João de Deus Mena Barreto sugeriu a inserção do “Dia do Soldado”, no calendário oficial, comemorado em 25 de agosto, desde 1925.
  • Desde a década de 1920, a cidade de Manaus é conhecida, pelo nome “Paris dos Trópicos” cuja denominação propõem duas interpretações: primeiramente, porque na década de 1920 havia muitos bordéis famosos pela cidade, frequentado sobretudo pelos comerciantes, barões ou coronéis da borracha; e segundo, porque Manaus foi a primeira cidade brasileira a ter bonde, luz elétrica e telefone.