Conflito entre Estados Unidos e Coreia do Norte

Juliana Bezerra

O conflito entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos voltou a esquentar com lançamentos de mísseis nos anos de 2016 e 2017.

A origem deste conflito remonta à Guerra da Coreia (1950-1953) onde as duas nações se tornaram inimigas devido às diferenças ideológicas.

Tensão entre Estados Unidos e Coreia do Norte

Estados Unidos e Coreia do Norte reavivaram, em 2017, suas diferenças políticas e militares com alertas de ataques de ambos os lados.

O governo norte-coreano, liderado por Kim Jong-un, tem ameaçado os Estados Unidos verbalmente e dado a conhecer testes com armas como há muito tempo não acontecia.

Por sua parte, o governo americano se inquieta pelos seus dois aliados regionais: Coreia do Sul e Japão. Atualmente, com a chegada de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos, as respostas a essas advertências militares são cada vez mais diretas.

Conflito Coreia do Norte
O primeiro-ministro japonês Shinzō Abe cumprimenta o presidente americano Donald Trump, na Casa Branca, em 2016

Uma das primeiras visitas que o presidente Trump recebeu ao ser eleito foi a do primeiro-ministro japonês Shinzō Abe. O político nipônico queria reforçar as alianças de defesa que existem entre os dois países.

Igualmente, o encontro entre os mandatários tinha o objetivo de acenar à Coreia do Norte que o Japão não está sozinho caso seja atacado.

Em agosto de 2017, Kim Jong-un ameaçou a bombardear a ilha de Guam, um território organizado, mas não incorporado aos Estados Unidos, localizada na Micronésia. A ilha possui uma base militar americana com seis mil soldados e aviões bombardeiros B-52.

Numa semana tensa, onde o presidente americano Donald Trump ameaçou retaliar o mandatário Kim Jong-un, finalmente, o dirigente norte-coreano voltou atrás e suspendeu o ataque.

A hostilidade entre as duas nações será o grande desafio do Governo Trump.

No entanto, como a rivalidade entre os dois países começou?

Contexto Histórico

Em 1910, o Japão, em plena expansão imperialista, invade a península coreana e garante o fornecimento de trabalhadores e matérias-primas para o Império japonês. A colonização nipônica foi brutal e cheia de episódios de violência.

Em 1945, após o Japão ter sido derrotado na Segunda Guerra Mundial, a Coreia se tornou um dos palcos da Guerra Fria. Dividida a partir do Paralelo 38 quando a URSS ficou com o território ao norte, enquanto o sul era ocupado pelos Estados Unidos.

Guerra da Coreia

Guerra da Coreia
O paralelo 38 divide a Península Coreana até hoje

Em 1947, a URSS se recusa a reconhecer as eleições livre promovidas pela ONU. Assim, em 1948 é criado um novo país: a República Popular Democrática da Coreia do Norte cuja capital é Pyongyang.

Dois anos mais tarde, a Coreia do Norte alega que sua fronteira havia sido ultrapassada por sul-coreanos e usa este pretexto para invadir a Coreia do Sul.

O país é quase todo tomado, mas uma intervenção da ONU, liderada pelos EUA, socorre seu aliado asiático, e consegue expulsar o invasor.

Começava assim a Guerra da Coreia que duraria três anos de 1950-1953. A Coreia do Norte é auxiliada pela China e se inicia a contraofensiva.

O conflito deixou três milhões de mortos e incontáveis perdas materiais. As fronteiras entre os dois países voltam ao Paralelo 38, através de um armistício.

Tecnicamente, as duas nações continuam em guerra, pois não houve tratado de paz. Ambas estão separadas por uma zona desmilitarizada de 4 km de largura.

Dinastia Comunista na Coreia do Norte

Ao finalizar a guerra foi instalado um governo totalitarista cujos pilares são o Partido dos Trabalhadores e o Exército. Desta maneira, foi inaugurada a primeira e única dinastia comunista do mundo: os Kim.

Apoiados pela URSS e, principalmente, pela China de Mao Tsé-Tung, a Coreia do Norte se fecharia para o mundo. Calcula-se que existam 80.000 a 100.000 prisioneiros políticos numa população de 22 milhões de habitantes cuja existência é negada pelo governo norte-coreano.

O atual dirigente, Kim Jong-un, é acusado de matar o próprio tio, o meio-irmão e o Ministro de Defesa, que foram considerados traidores.

Além dessa política terrorista interna, se une a uma política exterior agressiva onde as ameaças de ataques são constantes.

Vários incidentes marítimos são registrados entre as duas Coreias e testes com armas foram realizados ao longo da primeira década do século XXI.

Testes Nucleares na Coreia do Norte

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Kim Jong-un acompanha um teste de mísseis em agosto de 2017

Em 2003, a Coreia do Norte se retirou do Tratado de Não-Proliferação de Armas Atômicas. Em 2006, fez seu primeiro teste nuclear subterrâneo.

Os países vizinhos - China, Rússia, Japão, Coreia do Sul - além dos Estados Unidos, acompanham atentamente cada um dos testes militares efetuados pelo exército norte-coreano.

Em 2009 foi testado sem sucesso um míssil de longo alcance com o objetivo de atingir o território americano. Também neste ano foi testado outro míssil nuclear.

Com a chegada de Kim Jong-un ao poder, os testes militares continuaram. Em 2012 houve mais simulações com armas e em 2017 um míssil de longo alcance foi lançado com êxito.

A China vê com preocupação essa escalada de armamentos e ameaças por parte da Coreia do Norte, pois antes, só os chineses davam o tom na região.

Desde a sua abertura econômica, a China se aproximou também da Coreia do Sul por interesses comerciais. Assim tenta equilibrar alianças com dois países, até o momento, irreconciliáveis.

Fim do Programa Nuclear na Coreia do Norte

Conflito Coreia do Norte Estados Unidos
Kim Jong-un e Moon Jae-in, presidentes das duas Coreias, se encontram numa reunião histórica

Os Jogos Olímpicos de Inverno realizados na Coreia do Sul, em fevereiro de 2018, tornaram-se um cenário para a aproximação das duas Coreias.

A irmã de Kim Jong-un, Kim Yo Jong, acompanhou a delegação norte-coreana e levou um convite para que o presidente sul-coreano Moon Jae-in visitasse o país.

Cercado de intensa expectativa, o encontro aconteceu na zona desmilitarizada, em 27 de abril de 2018. Tratou-se de um encontro carregado de simbolismo, pois foi a primeira vez que um presidente sul-coreano colocou os pés na Coreia do Norte.

Na reunião, foi anunciado o fim do programa de armas nucleares e o fechamento de bases militares norte-coreanas. Essa medida foi recebida com cautela e alegria em toda região.

Além disso, Kim Jong-un vai permitir que as famílias voltem a se reencontrar com seus parentes do sul e o horário norte-coreano voltará a ser o mesmo da Coreia do Sul.

Igualmente, ambos os países combinaram de começar as conversas para assinar a paz entre as duas partes.

Ligação Ferroviária entre Coreia do Sul e Coreia do Norte

Em 26 de junho de 2018, os ministros responsáveis pelos Transportes na Coreia do Sul e na Coreia do Norte se reuniram para discutir sobre uma possível ligação ferroviária entre os dois países.

O objetivo é modernizar as ferrovias norte-coreanas e assim possibilitar uma via de exportação terrestre para a Coreia do Sul com China e Rússia.

No entanto, qualquer obra só será realizada se as sanções econômicas impostas pela ONU à Coreia do Norte forem levantas.

Encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un

Donald Trump e Kim Jong-un
Os dirigentes Kim Jong-un e Donald Trump finalmente se encontram para discutir uma possível paz

O presidente americano Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un se encontraram no dia 12 de junho de 2018 em Singapura. Trata-se de uma reunião histórica, pois pela primeira vez os dirigentes desses países conversaram cara a cara.

No entanto, o encontro foi o primeiro passo de um longo caminho que seguirá através das negociações diplomáticas. Embora tenham assinado um compromisso de paz e desnuclearização, as duas nações não se comprometem com prazos de nenhum tipo.

Igualmente, está previsto a devolução dos restos mortais de soldados americanos mortos na Guerra da Coreia, bem como o fim de exercícios militares entre a Coreia do Sul e Estados Unidos.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.