Leonel Brizola

Juliana Bezerra

Leonel Brizola foi um engenheiro civil e político brasileiro, eleito deputado federal, prefeito e governador.

Orador carismático, foi um grande opositor da ditadura militar, a qual combateu no exílio.

Seus discursos pregavam a valorização da educação pública. Ao mesmo tempo, denunciavam envio de lucros ao exterior, bem como criticavam o pagamento dos encargos da dívida externa brasileira.

Biografia de Leonel Brizola

Leonel de Moura Brizola nasceu em 22 de janeiro de 1922, no pequeno vilarejo de Cruzinha, município de Passo Fundo (RS). O nome de batismo de Leonel Brizola era Itagiba de Moura Brizola, mas o político mudou seu nome para Leonel Rocha, líder maragato da Revolução de 1923.

Leonel Brizola

Era filho de filho de José de Oliveira Brizola e de Onívia de Moura Brizola, camponeses migrantes de Sorocaba.

Seu primeiro diploma foi como técnico rural em 1939, o que lhe garantiu uma vaga Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura de Porto Alegre.

Posteriormente, entre 1945 e 1949, se graduaria em Engenharia Civil na Escola de Engenharia da Universidade do Rio Grande do Sul, hoje Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Em março de 1950, Leonel casou-se com Neusa Goulart, irmã de João Goulart, com quem teve os filhos Neusinha Brizola (1954-2011), José Vicente Brizola (1951-2012) e João Otávio Brizola (1952).

Morte de Brizola

Leonel de Moura Brizola falece no dia 21 de junho de 2004, no Rio de Janeiro, vítima de um infarto agudo do miocárdio.

Seu corpo foi sepultado em São Borja, próximo aos túmulos de Getúlio Vargas e João Goulart.

Atuação Política

Leonel ingressaria na vida política, sendo um dos fundadores do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) do Rio Grande do Sul. Além disso, foi o primeiro presidente da agremiação juvenil deste partido, a Ala Moça.

Em 1946, apadrinhado por Getúlio Vargas, Leonel é eleito Deputado Estadual do Rio Grande do Sul.

Em 1950 é reeleito Deputado Estadual do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, em 1951, candidata-se à prefeitura de Porto Alegre, perdendo as eleições por 1% dos votos.

Na sequência, em 1952, assume como secretário de obras do Estado.

Alguns anos depois, em 1954, Brizola elege-se Deputado Federal do Rio Grande do Sul e, no próximo ano, sai vitorioso nas eleições para prefeito de Porto Alegre.

O sucesso político de Leonel Brizola continua em 1958, quando é eleito governador do Rio Grande do Sul.

Leonel Brizola

Seu governo foi responsável pela:

  • propagação de escolas da rede primária e média de ensino;
  • luta para estatização de empresas estrangeiras;
  • estímulo ao desenvolvimento industrial.

Em agosto de 1961, com a renúncia do presidente Jânio Quadros, Leonel Brizola liderou a “Campanha da Legalidade”, pela qual João Goulart conseguiu ser empossado.

Em 1962, é eleito Deputado de Estado da Guanabara (extinto em 1975) pelo PTB.

Nesta legislatura, pressionou Jango a realizar as Reformas de Base por meio da Frente de Mobilização Popular.

Assim, deixou em estado de alerta os conservadores, uma vez que as propostas eram consideradas radicais e de alinhamento comunista.

No dia 1 de abril de 1964, os militares depõem João Goulart, dando início a Ditadura Militar no país.

Exílio

Brizola e Jango se refugiaram no Rio Grande do Sul. Mas, com a promulgação do Ato Institucional Número I, ambos teriam os direitos políticos cassados, forçando-os ao exílio.

Assim, em abril de 1964, mudam-se para o Uruguai, onde reagrupam alguns exilados e formam o “Movimento Nacionalista Revolucionário”, dissolvido em 1967.

No ano de 1977, Leonel Brizola é expulso do Uruguai e busca refúgio nos Estados Unidos e em Lisboa (janeiro de 1978).

De volta ao Brasil

Contudo, com a anistia concedida pela Ditadura em 1979, o político retorna ao Brasil.

Aqui, ele irá fundar o PDT (Partido Democrático Trabalhista) em maio de 1980, após perder os judicialmente o direito a sigla PTB para sobrinha de Getúlio, Ivete Vargas.

Por sua vez, é eleito governador do Rio de Janeiro em 1982. Em seus mandatos no governo deste estado, pôs fim à política do confronto armado com o crime organizado, o que causou a má impressão de fazer vista grossa a ilegalidade.

Em 1983, encomenda a Oscar Niemeyer o projeto de construção da Passarela do Samba Darcy Ribeiro (Sambódromo). No ano seguinte, acaba com o monopólio da Rede Globo nas transmissões de carnaval.

Alguns anos mais tarde, em 1989, Brizola candidata-se à Presidência da República, mas alcança apenas o terceiro lugar.

Leonel Brizola e Collor

É eleito governador do Rio de Janeiro pela segunda vez em 1990 e se aproxima do então presidente Fernando Collor.

Estas relações de cordialidade, apesar das críticas brizolistas às privatizações, acabam por manchar a imagem política de Leonel Brizola, sobretudo com o impeachment de Collor (1992).

O desprestígio foi tão grande, que Leonel nunca mais conseguiu se eleger a qualquer cargo legislativo.

Últimas ações de Leonel Brizola

Quando o Rio de Janeiro sediou a conferência Rio 92, o governo Brizola, em parceria com o Governo Federal, construiu a Via Expressa Presidente João Goulart, a “Linha Vermelha”.

No outro ano, em 1993, funda a Universidade Estadual do Norte Fluminense, para a formação de cientistas e tecnólogos, bem como fica viúvo de sua esposa, Neusa Goulart (1921-1993).

Alguns anos depois, Leonel Brizola apoia o candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Ele foi eleito pelo PDT, mas abandona o partido após a vitória nas eleições.

Direito de Resposta Brizola e TV Globo

Em 1992, Roberto Marinho teria chamado Brizola de “senil”, o que lhe valeu o direito de resposta em cadeia nacional, lido pelo jornalista Cid Moreira, em 1994. Confira no vídeo abaixo:

Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.