Prosa Naturalista

Daniela Diana

A prosa naturalista é o estilo que explora a narrativa lenta, impessoal, rebuscada em detalhes minuciosos e a tomada da postura analítica e científica.

O autor Aluísio de Azevedo (1857-1913) é a principal referência da prosa naturalista no Brasil, com os romances "O Mulato" e "O Cortiço".

Características

  • Linguagem simples
  • Narrativa lenta
  • Clareza, equilíbrio e harmonia na narrativa
  • Exposição dos detalhes dos cenários, contexto e personagens
  • Uso de vocabulário regional
  • Impessoalidade
  • Determinismo
  • Objetivo científico
  • Abordagem das patologias sociais
  • Análise da realidade
  • Ser humano desconstruído, animal e sensual
  • Moral desconstruída
  • Engajamento em causas sociais

Influências

A prosa naturalista apresenta romances experimentais, podendo ser notada a influência direta do Darwinismo na expressão máxima da natureza.

A narrativa enfatiza a natureza animal do homem. Dessa maneira, antes da razão, o homem deixa-se levar pelos instintos naturais como sexo, pela moral da classe dominante.

A clarificação das relações humanas no romance resultam da influência do autor francês Émile Zola (1840 -1902), que defendia a aplicação na arte do determinismo e do experimentalismo. Os dois princípios científicos são considerados as bases do Naturalismo na literatura.

O movimento naturalista é embasado nas ideias de Hippolute Taine (1828-1823). É a exposição do ser humano sendo uma máquina sujeita às leis da física e da química.

O determinismo e o experimentalismo também exploram a hereditariedade física e social. Nesse contexto, os personagens são produtos do meio biológico e social.

Retrato Individual

A narrativa da prosa naturalista explora a apresentação do ambiente físico e social de maneira detalhada.

Nela é possível perceber a adoção da postura científica diante da realidade. Por isso, a narrativa é impessoal e o retrato das personagens é individual.

Os personagens são expostos em suas situações individuais, seus conflitos e seus valores sociais.

Os homens são vistos de um ângulo biológico, com a decomposição do físico, do instinto e do animal.

O contexto é crivado de descrições sempre minuciosas que levam o leitor para dentro do cenário na narrativa. Assim, os romances contêm descrições visuais, olfativas, táteis e auditivas.

Realismo e Naturalismo

Há vários pontos de coincidência entre a prosa realista e a prosa naturalista, atacam a monarquia, o clero e a sociedade burguesa.

Há, inclusive, a inclusão de um mesmo romance nos dois estilos. Isso ocorre, por exemplo, com O Ateneu, de Raul Pompéia (1863-1895), que é considerado tanto realista como naturalista. O mesmo ocorre com Eça de Queiros, em Portugal.

Leia também: Prosa Realista.

Autores Naturalistas Brasileiros

Os principais autores brasileiros enquadrados são Aluísio Azevedo e Raul Pompéia (1863-1895).

Os dois se enquadram na prosa naturalista com romances em que são exploradas de maneira rigorosa a análise social de grupos humanos marginalizados.

Aluísio Azevedo

Aluísio de Azevedo é considerado um dos principais autores da prosa naturalista brasileira. Suas obras enquadradas na prosa naturalista são: O Mulato, Casa de Pensão e O Cortiço.

Em O Mulato, publicado em 1881, expõe a preocupação com as classes marginalizadas, critica o conservadorismo e o clero.

"Era um dia abafadiço e aborrecido. A pobre cidade de São Luís do Maranhão parecia entorpecida pelo calor. Quase que se não podia sair à rua: as pedras escaldavam; as vidraças e os lampiões faiscavam ao sol como enormes diamantes, as paredes tinham reverberações de prata polida; as folhas das árvores nem se mexiam; as carroças d’água passavam ruidosamente a todo o instante, abalando os prédios; e os aguadeiros, em mangas de camisa e pernas arregaçadas, invadiam sem-cerimônia as casas para encher as banheiras e os potes. Em certos pontos não se encontrava viva alma na rua; tudo estava concentrado, adormecido; só os pretos faziam as compras para o jantar ou andavam no ganho".

Já na obra O Cortiço, publicada em 1890, Aluísio Azevedo defende o ideal republicado. De forma materialista positivista, valoriza os instintos naturais das personagens e expõe as condições degradantes.

"João Romão foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que enriqueceu entre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro do Botafogo; e tanto economizou do pouco que ganhara nessa dúzia de anos, que, ao retirar-se o patrão para a terra, lhe deixou, em pagamento de ordenados vencidos, nem só a venda com o que estava dentro, como ainda um conto e quinhentos em dinheiro".

Raul Pompéia

A principal obra de Raul Pompéia é O Ateneu - publicada em 1888. A obra é uma crônica de saudades em que o tempo de ação é anterior ao momento descrito da narrativa.

Na obra, o autor faz uma autobiografia onde são exploradas a estrutura cruel de um internado, o homossexualismo e a monarquia decadente.

"(...) O tédio é a grande enfermidade da escola, o tédio corruptor que tanto se pode gerar da monotonia do trabalho como da ociosidade. Tínhamos em torno da vida o ajardinamento em floresta do parque e a toalha esmeraldina do campo e o diorama acidentado das montanhas da Tijuca, ostentosas em curvatura torácica e frentes felpudas de colosso: espetáculos de exceção, por momentos, que não modificavam a secura branca dos dias, enquadrados em pacote nos limites do pátio central, quente, insuportável de luz, ao fundo daquelas altíssimas paredes do Ateneu, claras da caiação do tédio, claras, cada vez mais claras. Quando se aproxima o tempo das férias, o aborrecimento é maior".

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.