Querela das Investiduras


A Querela das Investiduras foi um conflito envolvendo os poderes universais da Europa medieval, a saber, a Igreja e Estado, pelo fim da intromissão do poder temporal nos assuntos da Igreja, especialmente no tocante a investidura leiga, ou seja, o ato de nomear clérigos por agentes da nobreza.

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Causas

Entre os séculos X e XII a Igreja buscou centralizar o comando do papado em Roma; além disso, os mosteiros da ordem de Cluny (França) passam a fazer forte oposição contra a instituição de Bispos e Papas pelo Imperador, especialmente o Papa Reformista Gregório VII.

Por outro lado, devemos destacar que a prática de investiduras de bispos, abades e até mesmo papas, por reis e imperadores ou qualquer nobre estabelecesse um bispado, diminuía a sujeição do alto clero ao Papa, enfraquecendo o poder da Igreja e favorecendo a prática da venda de cargos eclesiásticos (simonia).

Por outro lado, há de se frisar que o Imperador germânico, por governar um império titulado pela própria Igreja como Sacro, se reservava o direito de nomear os clérigos do Império.

Contexto Histórico: Resumo

É importante destacar que o poder político europeu sempre foi legitimado pelo eclesiástico, ao passo que, em contrapartida, este constituiu o braço armado da Igreja. Assim foi quando, em 800, o papa Leão III coroou Carlos Magno imperador.

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Contudo, no século X, o poder religioso estava enfraquecido, especialmente diante dos imperadores germânicos, os quais nomeavam e destituíam papas facilmente. Por esse motivo, em 1059, o Papa Nicolau II proclama a bula In nomine Domini, instituindo o Colégio dos Cardeais para eleger o papa e por fim a relação Cesar papista na nomeação papal pelo imperador.

Por conseguinte, o século XI será marcado pela “Reforma Gregoriana”, uma vez que, em 1073, Gregório VII proíbe o poder régio ou imperial de indicar cargos religiosos. Em resposta, Henrique IV nomeia seu capelão o novo bispo de Milão, desafiando o poder da Igreja.

Assim, em 1076, o papa Gregório excomunga e depõem o imperador do Sacro Império Romano Germânico, desobrigando os príncipes alemães de seus laços de vassalagem e, com isso, iniciando uma rebelião nos territórios do Império. No ano seguinte, Henrique IV viaja até Canossa, norte da Itália, para se desculpar pessoalmente com o Papa.

Entretanto, pouco tempo depois, no ano de 1081, o imperador nomeia Clemente III como o novo Papa e, em 1084, invade Roma e força Gregório VII a se exilar na França até sua morte.

Posteriormente, Henrique V, filho e sucessor de Henrique IV, irá provocar a Igreja em 1111, quando aceita renunciar ao direito de investidura, se a Igreja renunciar de seu poder político, assim como de seus bens materiais advindos da coroa.

Assim, diante de tanto conflito, a querela é solucionada em 22 de setembro de 1122, quando o Imperador reconhece que a investidura espiritual, bem como a nomeação de Papas e Bispos é responsabilidade da Igreja, o que é sancionado pela "Concordata de Worms", a qual garantia eleições episcopais livres, mas na presença imperador ou representante.