Saddam Hussein

Juliana Bezerra

Saddam Hussein foi presidente do Iraque de 1979 a 2003. Governou durante 23 anos mantendo a população sob regime ditatorial.

Também manteve uma guerra com o vizinho Irã, invadiu o Kwait e sufocou a minoria curda que reivindicava autonomia. Ainda se envolveria em dois conflitos com os Estados Unidos e foi capturado por soldados deste país em 2003.

Seria condenado à morte em 2006 pelo governo interino do Iraque.

Saddam Hussein Guerra Irã-Iraque

Saddam Hussein visita as tropas iraquianas durante a guerra contra o Irã.

Contexto Histórico

O atual território do Iraque pertencia ao antigo Império Turco-Otomano que foi desdobrado após a Primeira Guerra Mundial. Foi ocupado pelos britânicos em 1921 e estes ajudaram a consolidar a monarquia hashemita na região até 1932 quando o país alcançou a independência.

Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, o regime monárquico era sustentado pelas potências ocidentais a fim de garantir o abastecimento de petróleo a preços baixos. Afinal, o país tem a segunda reserva de petróleo no mundo.

No entanto, a polarização política da Guerra Fria não tardaria a chegar aos países árabes. Um dos partidos mais influentes do Iraque era o Ba'ath que tinha como ideologia uma mistura de nacionalismo árabe, socialismo e anti-imperialismo. Seu lema era “Unidade, Liberdade e Socialismo”, defendia a unidade do mundo árabe e, sobretudo, o fim de qualquer controle exterior das nações árabes.

Em 1955, Iraque, Irã, Afeganistão e Turquia, assinam o Pacto de Bagdá que tinha como objetivo combater a ingerência ocidental nos negócios internos.

Enquanto isso, os generais desconfiavam do regime monárquico pró-ocidente realizam um golpe liderado pelo general Qasim que termina no assassinato do rei e de sua família em 14 de julho de 1958. No entanto, o próprio general seria alvo de um atentado comandado por Saddam Husseim.

O governo do general Qasim durou até 1963 quando foi deposto e assassinado através do golpe orquestrado por Ahmed Hassan al-Bakr.

Apesar de este governo ter durado pouco mais de um ano, em breve outro golpe seria realizado, desta vez em 1969, com a ativa participação de Saddam Hussein. Ele se tornou o Chefe da Segurança do Iraque e dispunha de todo poder para sufocar supostas rebeliões.

Com a crise do petróleo nos anos 70 e a crescente demanda de combustível, o Ocidente continuou a patrocinar regimes no Oriente Médio que fossem favoráveis aos seus interesses. Esses governos recebem um revés com a nacionalização do petróleo promovida por Saddam Hussein no Iraque e a Revolução Iraniana em 1979.

Infância e Formação

Saddam Hussein nasceu em 27/04/1937 no meio de uma família pobre. Antes de nascer, seu pai faleceu deixando-o órfão e a mãe entregou-o a um irmão, pois não tinha como criá-lo.

Posteriormente, segundo os costumes, a mãe se casou com o cunhado, que maltratou o menino e não permitindo que ele fosse à escola. Obrigado pelo padrasto, começou a roubar e matar cabras.

Mais tarde, o tio materno, que era militar, ensinaria Saddam Hussein ler, escrever e atirar. Apesar do esforço é rejeitado quando tenta entrar na escola de cadetes de Bagdá.

Carreira Política

Assim, se envolve com o partido Ba'ath que conquistava jovens sem perspectivas como ele. É designado para cometer um atentado contra o general Qasim. Este escapou com vida, mas Saddam Hussein foi ferido e se refugiou no Egito para não ser preso. Ali estuda Direito e vê de perto as realizações que o governo de Nassar está fazendo com a sociedade egípcia e projetando as aspirações do pan-arabismo no cenário internacional.

Em 1969, participou junto a Ahmed Hassan al-Bakr e demais membros do partido Ba'ath, da realização de um golpe contra o presidente Abdul Rahman Arif.

Pela sua atuação, Saddam Hussein é compensado com a chefia da polícia política e se torna uma pessoa non-grata entre os próprios companheiros de partido. Afinal, qualquer crítica ao partido e ao governo era motivo de condenação.

Um dos exemplos que marcariam seu estilo de governar foi à celebração realizada para comemorar o novo regime planejada por Hussein. Neste dia, em praça pública, foram executados 30 supostos espiões inimigos do Iraque que eram, na maioria, judeus iraquianos.

Em 1972, como vice-presidente, nacionalizou a "Iraque Petroleum Company", que controlava 15% do petróleo mundial e pôs em prática um amplo programa de reformas e investimentos em infraestruturas.

Governo de Saddam Hussein

Sete anos mais tarde, o presidente Ahmed Hassan al-Bakr renuncia à presidência alegando motivos de saúde. Saddam Hussein assume o cargo e ordena um expurgo de supostos conspiradores entre os membros do partido. Começa a atmosfera de terror no Iraque.

No plano externo fez um tratado de cooperação com a URSS. Igualmente, foi opositor ao Acordo de Camp David entre Israel e Egito, conseguindo o apoio de sírios e palestinos porque o considerava uma traição.

Inicia uma guerra contra o Irã que mudaria o destino da região nos vinte anos seguintes.

Guerra Irã-Iraque (1980-1988)

Em 1979 estourou a Revolução Iraniana liderada pelo aiatolá Khomeini. Este pertencia a corrente xiita do Islã e pregava uma retórica anti-imperialista, islamista e nacionalista, que ia contra aos interesses de multinacionais e dos Estados Unidos.

Assim, aproveitando a confusão que se instala no vizinho, Saddam Hussein inicia uma ofensiva contra o Irã em setembro de 1980. Pensava que ganharia a guerra em poucas semanas, mas o Irã tinha mais tropas e armas, enquanto Saddam Hussein sequer tinha experiência militar.

Por isso, o ditador iraquiano buscava desenvolver armamento nuclear. Quase o consegue, em 1981, mas Israel destrói o reator nuclear ao fazer incursões aéreas no território iraquiano, e Saddam oferece um cessar-fogo ao Irã.

Durante a guerra, o Iraque recebeu apoio dos Estados Unidos, URSS, França e vários países árabes como Arábia Saudita, Kwait e Egito. Por sua vez, o Irã contou com o suporte da Coreia do Norte, Síria, Líbia e Israel.

O impasse entre os dois países só terminou com uma intervenção da ONU em 1988. Ambas as nações proclamaram-se vencedoras, porém terminaram com várias cidades destruídas e pesadas baixas entre sua população.

Ataque Contra os Curdos

Durante as negociações do cessar-fogo, Saddam Hussein acusaria a minoria curda do Iraque de haver colaborado com os iranianos.

Em represália, em março de 1988, ataca a cidade de Hajalaba com armas químicas e mata de 3000 a 5000 pessoas e deixando milhares de feridos.

Leia mais sobre os Curdos.

Guerra do Golfo (1990-1991)

A Guerra do Golfo começou em agosto de 1990 quando forças militares do Iraque invadem o Kuwait. Saddam Hussein alegou que o território pertencia ao Iraque, pois este fazia parte da província iraquiana de Basra durante o Império Turco-Otomano.

Para defender o Kwait, oitavo produtor mundial de petróleo, várias potências ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, formaram uma coalizão contra o regime de Saddam Hussein.

Por fim, ele foi derrotado em 28 de fevereiro de 1991 e aceitou os termos de rendição como a criação de zonas de exclusão aérea no território iraquiano. A ONU também decretou um embargo econômico que fez a população afundar ainda mais na pobreza.

Leia mais sobre a Guerra do Golfo.

Guerra do Iraque (2003-2011)

Durante a década de 90, Saddam Husseim continuou com seu regime de perseguição aos inimigos políticos. Apesar do embargo econômico, a fortuna pessoal do ditador aumentava, pois ele conseguia vender o petróleo no mercado negro.

Enquanto a população iraquiana sofria fome e falta de remédios, o ditador construía suntuosos palácios ricamente decorados.

Com a vitória do republicano George W. Bush e dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, o governo americano iniciou uma ofensiva global contra o terrorismo. Primeiro, invadiu o Afeganistão em 2001 e dois anos mais tarde, declarou guerra ao Iraque, sob o pretexto que Saddam Hussein escondia armas de destruição massiva.

Tais armas nunca foram encontradas pelos inspetores da ONU que visitaram o país, mas os Estados Unidos tinham interesse em garantir um governo no Iraque que garantisse a venda de petróleo.

Além disso, queriam permitir que empresas americanas ficassem com os contratos de reconstrução do país no período pós-guerra.

Saiba mais sobre a Guerra do Iraque.

Captura e Execução

Saddam Hussein tribunal

Saddam Hussein discursa no tribunal que o condenou à morte.

Saddam Hussein foi capturado por tropas americanas em 13 de dezembro de 2003 num esconderijo. Abatido e sem oferecer resistência, o ex-ditador foi entregue às autoridades iraquianas e começou a ser julgado pelo Governo Interino do Iraque.

Três anos mais tarde, ele foi declarado culpado de crimes contra a humanidade, por ter condenado à morte por enforcamento cerca de 148 iraquianos xiitas.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.