Sífilis

Lana Magalhães

Sífilis ou cancro duro é uma doença sexualmente transmissível (DST), infectocontagiosa, causada pela bactéria Treponema pallidum.

Ela acomete todo o organismo e tem evolução lenta, com períodos de manifestação aguda e períodos de latência, ou seja, sem manifestações.

No Brasil, entre 2015 e 2016, os casos de sífilis adquirida aumentaram em 27,9%, resultando em uma epidemia da doença.

Em 2015, houveram 6,5 casos de bebês infectados a cada 1000 nascidos vivos. Isso representa mais de 10 vezes o recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Transmissão

As formas de contagio da sífilis são:

  • Relação sexual sem preservativo;
  • Transfusão de sangue contaminado;
  • Da mãe infectada para o bebê, durante a gestação ou no parto.

Evolução da doença

A sífilis é dividida em primária, secundária e terciária, de acordo com a sua evolução. Em cada uma das fases a doença apresenta sintomas e características específicas.

Porém, as fases podem se sobrepor e os sintomas não apresentam necessariamente a mesma ordem.

Sífilis Primária

A sífilis primária é o estágio inicial da doença e caracteriza-se como uma lesão ulcerada (cancro) que causa pouca ou nenhuma dor.

Tal lesão geralmente é única, com a base endurecida, lisa, brilhante e que libera uma secreção líquida, transparente e escassa.

Na mulher, a lesão pode surgir nos grandes lábios, vagina, clitóris, períneo e colo do útero. Enquanto que no homem pode se manifestar na glande e no prepúcio.

A úlcera é acompanhada de ínguas nas virilhas que não causam dor. Elas podem aparecer entre 2 a 3 semanas após a relação sexual, sem proteção, com a pessoa infectada.

Mesmo sem tratamento, a ferida desaparece espontaneamente sem deixar cicatriz. Isso causa a falsa impressão de cura.

Sífilis Secundária

Caso a doença não seja tratada na fase primária, evolui-se para a sífilis secundária, após 4 a 8 semanas do aparecimento do cancro.

A fase secundária caracteriza-se pela disseminação da bactéria pelo organismo.

Nesse momento, os sintomas da doença são:

  • Manchas avermelhadas na pele por todo o corpo, inclusive nas palmas das mãos e solas dos pés;
  • Febre, dor de cabeça e garganta;
  • Falta de apetite;
  • Descamação da pele;
  • Ínguas na virilha;
  • Perda de peso.

Os sintomas nessa fase também desaparecem sozinhos, dando novamente a falsa ideia de cura.

A partir da fase secundária, a sífilis pode ficar latente por anos. Nesse período ela não apresenta sintomas e pode evoluir para a fase terciária.

Sífilis Terciária

A fase terciária da sífilis caracteriza-se por manifestações severas nos órgãos comprometidos.

Além da manifestação dos mesmos sintomas da fase secundária, também pode causar: meningite, paralisia de nervos e obstrução nos vasos sanguíneos no cérebro, com risco de cegueira e acidente vascular cerebral (AVC).

A doença afeta a medula espinhal, provocando perda de reflexos e da sensibilidade dos membros, podendo levar à paralisia.

No sistema cardiovascular, a sífilis compromete o trabalho das válvulas cardíacas e pode lesar grandes artérias como a aorta.

Evolução da sífilis
Evolução da sífilis

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Sífilis Congênita

A sífilis congênita é transmitida da mãe infectada para o feto, podendo causar aborto ou más formações.

Durante a gravidez, a sífilis pode causar aborto, má formação do feto ou morte do bebê, caso a doença esteja avançada.

Em bebês vivos, a maioria dos sintomas manifestam-se nos primeiros meses de vida. São eles:

  • Pneumonia;
  • Anemia;
  • Feridas no corpo;
  • Cegueira;
  • Perda da audição;
  • Problemas nos ossos;
  • Comprometimento neurológico.

Prevenção e Tratamento

A prevenção da sífilis envolve:

  • Uso camisinha em todas as relações sexuais;
  • Evitar contato sexual se detectar lesão genital no(a) parceiro(a);
  • Realizar pré-natal em caso de gravidez (Sífilis Congênita).

A sífilis tem cura e o tratamento é feito com antibióticos, especialmente a penicilina. Porém, os danos que a infecção pode provocar nos órgãos algumas vezes são irreversíveis.

Leia sobre a Descoberta da Penicilina.

Lana Magalhães
Lana Magalhães
Licenciada em Ciências Biológicas (2010) e Mestre em Biotecnologia e Recursos Naturais pela Universidade do Estado do Amazonas/UEA (2015). Doutoranda em Biodiversidade e Biotecnologia pela UEA.