Toxoplasmose

Lana Magalhães

A toxoplasmose é uma doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii encontrado nas fezes de gatos. Por esse motivo, também é conhecida por doença do gato.

Essa zoonose pode causar lesões neurológicas e oculares que podem deixar sequelas como cegueira, retardo mental e deformidades congênitas.

Em 2018, a cidade de Santa Maria (RS) enfrentou um surto da doença, provavelmente, através da contaminação da água. A toxoplasmose é considerada comum na região Sul do Brasil, porém, de janeiro a maio foram identificados mais de 20 casos confirmados e muitos outros suspeitos.

Sintomas

Na maioria dos casos, a toxoplasmose é assintomática, ou seja, não apresenta sintomas. Além disso, muitas vezes os sintomas confundem-se com o quadro de gripe.

Sendo assim, surgem coriza, dor de cabeça, dores musculares, febre, cansaço e dor de garganta.

A doença é mais severa em indivíduos com debilidade no sistema imunológico, como pessoas com AIDS e em processo de quimioterapia.

Nesses casos, os sintomas da toxoplasmose caracterizam-se por problemas oculares, musculares, articulares, cardíacos e cerebrais.

Quando a toxoplasmose é adquirida através da via transplacentária, durante a vida intra-uterina, provoca lesões severas.

Transmissão

Ciclo da toxoplasmose
Ciclo de transmissão da toxoplasmose

O Toxoplasma gondii está presente em praticamente todas as espécies de aves e mamíferos, que atuam como hospedeiros intermediários.

Os hospedeiros definitivos são os felinos, principalmente o gato. Eles se infectam ao consumirem carne contaminada, como de rato e aves. É no organismo do gato que o protozoário realiza a sua reprodução sexuada, completando o seu ciclo de vida.

Por sua vez, o ser humano é contaminado ao consumir carne de aves e mamíferos mau passadas e com os cistos dos parasitas.

A transmissão também pode ocorrer através das seguintes formas:

  • Via placenta, da mãe infectada para o feto;
  • Transfusões de sangue;
  • Transplantes de órgãos;
  • Ingestão de cistos presentes em carnes cruas ou mal cozidas;
  • Ingestão ou inalação de oocistos presentes no solo, alimentos e fezes;
  • Manuseio de fezes de gatos sem higienização posterior.

É importante ressaltar que a toxoplasmose não é transmitida de pessoa para pessoa. Porém, ela pode ser congênita, ou seja, transmitida de mãe para filho durante a gravidez.

Formas

A toxoplasmose pode ocorrer de duas formas básicas: congênita e adquirida.

Toxoplasmose congênita

A toxoplasmose congênita é o resultado da infecção da mãe durante a gestação.

Ela pode se apresentar no período neonatal, nos primeiros meses de vida ou na infância e adolescência, com os seguintes sintomas:

  • Hidrocefalia;
  • Convulsões;
  • Calcificações cerebrais e atrofia cerebral;
  • Aumento do tamanho do baço e fígado;
  • Anemia causada pela destruição dos eritrócitos;
  • Alterações oculares.

Toxoplasmose adquirida

A toxoplasmose adquirida ocorre através da ingestão do parasita e outras formas de infecção.

Normalmente, a toxoplasmose não prejudica o adulto. Porém, ela pode trazer complicações como inflamações na retina e na coroide ocular, as quais podem evoluir para cegueira.

Quando o protozoário atinge os olhos, surge a toxoplasmose ocular. Nesse caso, os sintomas são os seguintes:

  • Visão embaçada;
  • Sensibilidade à luz;
  • Dor nos olhos;
  • Vermelhidão nos olhos.

Tratamento e Diagnóstico

A toxoplasmose tem cura. O seu tratamento é baseado no uso de antibióticos e tem como objetivo eliminar rapidamente o parasita para evitar a sua multiplicação, combater as inflamações para prevenir sequelas e impedir as recidivas.

Além disso, também contribui para prevenir ou amenizar o aparecimento da doença em fetos de mães infectadas na gravidez.

Geralmente, o diagnóstico da toxoplasmose congênita e adquirida é feito através da pesquisa de anticorpos específicos por intermédio de testes sorológicos que detectam anticorpos da classe IgG, IgM e IgA.

Lana Magalhães
Lana Magalhães
Licenciada em Ciências Biológicas (2010) e Mestre em Biotecnologia e Recursos Naturais pela Universidade do Estado do Amazonas/UEA (2015). Doutoranda em Biodiversidade e Biotecnologia pela UEA.