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ENEM 2010 : Língua Portuguesa - Produção de Textos — Introdução
Prima Julieta

Prima Julieta irradiava um fascínio singular. Era a feminilidade em pessoa. Quando a conheci, sendo ainda garoto e já sensibilíssimo ao charme feminino, teria ela uns trinta ou trinta e dois anos de idade.
Apenas pelo seu andar percebia-se que era uma deusa, diz Virgílio de outra mulher. Prima Julieta caminhava em ritmo lento, agitando a cabeça para trás, remando os belos braços brancos. A cabeleira loura incluía reflexos metálicos. Ancas poderosas. Os olhos de um verde azulado borboleteavam. A voz rouca e ácida, em dois planos: voz de pessoa da alta sociedade.

MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968.

Entre os elementos constitutivos dos gêneros, está o modo como se organiza a própria composição textual, tendo-se em vista o objetivo de seu autor: narrar, descrever, argumentar, explicar, instruir. No trecho, reconhece-se uma sequência textual
explicativa, em que se expõem informações objetivas referentes à prima Julieta.
instrucional, em que se ensina o comportamento feminino, inspirado em prima Julieta.
narrativa, em que se contam fatos que, no decorrer do tempo, envolvem prima Julieta.
descritiva, em que se constrói a imagem de prima Julieta a partir do que os sentidos do enunciador captam.
argumentativa, em que se defende a opinião do enunciador sobre prima Julieta, buscando-se a adesão do leitor a essas ideias.
ENEM 2010 : Literatura

Reclame


Se o mundo não vai bem

a seus olhos, use lentes

... ou transforme o mundo


ótica olho vivo

agradece a preferência


CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006.


Chacal é um dos representantes da geração poética de 1970. A produção literária dessa geração, considerada marginal e engajada, de que é representativo o poema apresentado, valoriza

o experimentalismo em versos curtos e tom jocoso.

a sociedade de consumo, com o uso da linguagem publicitária.

a construção do poema, em detrimento do conteúdo.

a experimentação formal dos neossimbolistas.

o uso de versos curtos e uniformes quanto à métrica.

ENEM 2010 : Língua Portuguesa - Variação Linguística



XAVIER, C. Disponível em: http://www.releituras.com. Acesso em: 03 set. 2010.

Considerando a relação entre os usos oral e escrito da língua, tratada no texto, verifica-se que a escrita
modifica as ideias e intenções daqueles que tiveram seus textos registrados por outros.
permite, com mais facilidade, a propagação e a permanência de ideias ao longo do tempo.

figura como um modo comunicativo superior ao da oralidade.

leva as pessoas a desacreditarem nos fatos narrados por meio da oralidade.

tem seu surgimento concomitante ao da oralidade.

ENEM 2010 : Língua Portuguesa - Variação Linguística
No Brasil colonial, os portugueses procuravam ocupar e explorar os territórios descobertos, nos quais viviam índios, que eles queriam cristianizar e usar como força de trabalho. Os missionários aprendiam os idiomas dos nativos para catequizá-los nas suas próprias línguas. Ao longo do tempo, as línguas se influenciaram. O resultado desse processo foi a formação de uma língua geral, desdobrada em duas variedades: o abanheenga, ao sul, e o nheengatu, ao norte. Quase todos se comunicavam na língua geral, sendo poucos aqueles que falavam apenas o português.

De acordo com o texto, a língua geral formou-se e consolidou-se no contexto histórico do Brasil-Colônia. Portanto, a formação desse idioma e suas variedades foi condicionada 

pelo interesse dos indígenas em aprender a religião dos portugueses.

pelo interesse dos portugueses em aprimorar o saber linguístico dos índios.

pela percepção dos indígenas de que as suas línguas precisavam aperfeiçoar-se.
pelo interesse unilateral dos indígenas em aprender uma nova língua com os portugueses.
pela distribuição espacial das línguas indígenas, que era anterior à chegada dos portugueses.
ENEM 2010 : Língua Portuguesa
Por volta do ano de 700 a.C., ocorreu um importante invento na Grécia: o alfabeto. Com isso, tornou-se possível o preenchimento da lacuna entre o discurso oral e o escrito. Esse momento histórico foi preparado ao longo de aproximadamente três mil anos de evolução e da comunicação não alfabética até a sociedade grega alcançar o que Havelock chama de um novo estado de espírito, “o espírito alfabético”, que originou uma transformação qualitativa da comunicação humana. As tecnologias da informação com base na eletrônica (inclusive a imprensa eletrônica) apresentam uma capacidade de armazenamento. Hoje, os textos eletrônicos permitem flexibilidade e feedback, interação e reconfiguração de texto muito maiores e, dessa forma, também alteram o próprio processo de comunicação.

CASTELLS, M. A. Era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (adaptado).

Com o advento do alfabeto, ocorreram, ao longo da história, várias implicações socioculturais. Com a Internet, as transformações na comunicação humana resultam
da descoberta da mídia impressa, por meio da produção de livros, revistas, jornais.
do esvaziamento da cultura alfabetizada, que, na era da informação, está centrada no mundo dos sons e das imagens.
da quebra das fronteiras do tempo e do espaço na integração das modalidades escrita, oral e audiovisual.
da audiência da informação difundida por meio da TV e do rádio, cuja dinâmica favorece o crescimento da eletrônica.
da penetrabilidade da informação visual, predominante na mídia impressa, meio de comunicação de massa.
ENEM 2010 : Língua Portuguesa

Texto I

XLI


Ouvia:

Que não podia odiar

E nem temer

Porque tu eras eu.

E como seria

Odiar a mim mesma

E a mim mesma temer.


HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004 (fragmento).


Texto II

Transforma-se o amador na cousa amada

Transforma-se o amador na cousa amada,

por virtude do muito imaginar;

não tenho, logo, mais que desejar,

pois em mim tenho a parte desejada.


Camões. Sonetos. Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br. Acesso em: 03 set. 2010 (fragmento).


Nesses fragmentos de poemas de Hilda Hilst e de Camões, a temática comum é

o “outro” transformado no próprio eu lírico, o que se realiza por meio de uma espécie de fusão de dois seres em um só.
a fusão do “outro” com o eu lírico, havendo, nos versos de Hilda Hilst, a afirmação do eu lírico de que odeia a si mesmo.
o “outro” que se confunde com o eu lírico, verificando-se, porém, nos versos de Camões, certa resistência do ser amado.
a dissociação entre o “outro” e o eu lírico, porque o ódio ou o amor se produzem no imaginário, sem a realização concreta.
o “outro” que se associa ao eu lírico, sendo tratados, nos Textos I e II, respectivamente, o ódio e o amor.
ENEM 2010 : Língua Portuguesa



APADRINHE. IGUAL AO JOÃO, MILHARES DE CRIANÇAS TAMBÉM PRECISAM DE UM MELHOR AMIGO. SEJA O MELHOR AMIGO DE UMA CRIANÇA.


Anúncio assinado pelo Fundo Cristão para Crianças CCF-Brasil. Revista IstoÉ. São Paulo: Três, ano 32, n° 2079, 16 set. 2009.


Pela forma como as informações estão organizadas, observa-se que, nessa peça publicitária, predominantemente, busca-se

conseguir a adesão do leitor à causa anunciada.

reforçar o canal de comunicação com o interlocutor.

divulgar informações a respeito de um dado assunto.

enfatizar os sentimentos e as impressões do próprio enunciador.

ressaltar os elementos estéticos, em detrimento do conteúdo veiculado.

ENEM 2010 : Língua Portuguesa
Onde ficam os “artistas”? Onde ficam os “artesãos”? Submergidos no interior da sociedade, sem reconhecimento formal, esses grupos passam a ser vistos de diferentes perspectivas pelos seus intérpretes, a maioria das vezes, engajados em discussões que se polarizam entre artesanato, cultura erudita e cultura popular.

PORTO ALEGRE, M. S. Arte e ofício de artesão. São Paulo, 1985 (adaptado).

O texto aponta para uma discussão antiga e recorrente sobre o que é arte. Artesanato é arte ou não? De acordo com uma tendência inclusiva sobre a relação entre arte e educação,
o artesanato é algo do passado e tem sua sobrevivência fadada à extinção por se tratar de trabalho estático produzido por poucos.
os artistas populares não têm capacidade de pensar e conceber a arte intelectual, visto que muitos deles sequer dominam a leitura.
o artista popular e o artesão, portadores de saber cultural, têm a capacidade de exprimir, em seus trabalhos, determinada formação cultural.
os artistas populares produzem suas obras pautados em normas técnicas e educacionais rígidas, aprendidas em escolas preparatórias.
o artesanato tem seu sentido limitado à região em que está inserido como uma produção particular, sem expansão de seu caráter cultural.
ENEM 2010 : Língua Portuguesa - Produção de Textos — Introdução
CURRÍCULO

Identificação Pessoal

[Nome Completo]

Brasileiro, [Estado Civil], [Idade] anos
[Endereço - Rua/Av. + Número + Complemento]
[Bairro] - [Cidade] - [Estado]
Telefone: [Telefone com DDD] / E-mail: [E-mail]

Objetivo
[Cargo pretendido]

Formação

Experiência Profissional
[Período] - Empresa
Cargo:
Principais atividades:

Qualificação Profissional
[Descrição] ([Local], conclusão em [Ano de Conclusão do Curso ou Atividade]).

Informações Adicionais
[Descrição Informação Adicional]

A busca por emprego faz parte da vida de jovens e adultos. Para tanto, é necessário estruturar o currículo adequadamente. Em que parte da estrutura do currículo deve ser inserido o fato de você ter sido premiado com o título de “Aluno Destaque do Ensino Médio - Menção Honrosa”?

Identificação pessoal.

Formação.

Experiência Profissional.

Informações Adicionais.

Qualificação Profissional.

ENEM 2010 : Língua Portuguesa
Quincas Borba mal podia encobrir a satisfação do triunfo. Tinha uma asa de frango no prato, e trincava-a com filosófica serenidade. Eu fiz-lhe ainda algumas objeções, mas tão frouxas, que ele não gastou muito tempo em destruí-las.

— Para entender bem o meu sistema, concluiu ele, importa não esquecer nunca o princípio universal, repartido e resumido em cada homem. Olha: a guerra, que parece uma calamidade, é uma operação conveniente, como se disséssemos o estalar dos dedos de Humanitas; a fome (e ele chupava filosoficamente a asa do frango), a fome é uma prova a que Humanitas submete a própria víscera. Mas eu não quero outro documento da sublimidade do meu sistema, senão este mesmo frango. Nutriu-se de milho, que foi plantado por um africano, suponhamos, importado de Angola. Nasceu esse africano, cresceu, foi vendido; um navio o trouxe, um navio construído de madeira cortada no mato por dez ou doze homens, levado por velas, que oito ou dez homens teceram, sem contar a cordoalha e outras partes do aparelho náutico. Assim, este frango, que eu almocei agora mesmo, é o resultado de uma multidão de esforços e lutas, executadas com o único fim de dar mate ao meu apetite.

ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Civilização Brasiliense, 1975.

A filosofia de Quincas Borba — a Humanitas — contém princípios que, conforme a explanação do personagem, consideram a cooperação entre as pessoas uma forma de

lutar pelo bem da coletividade.

atender a interesses pessoais.

erradicar a desigualdade social.

minimizar as diferenças individuais.

estabelecer vínculos sociais profundos.

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