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ENEM 2015 : Língua Portuguesa

Em 1866, tendo encerrado seus estudos na Escola de Belas Artes, em Paris, Pedro Américo ofereceu a tela A Carioca ao imperador Pedro II, em reconhecimento ao seu mecenas. O nu feminino obedecia aos cânones da grande arte e pretendia ser uma alegoria feminina da nacionalidade. A tela, entretanto, foi recusada por imoral e licenciosa: mesmo não fugindo à regra oitocentista relativa à nudez na obra de arte, A Carioca não pôde, portanto, ser absorvida de imediato. A sensualidade tangível da figura feminina, próxima do orientalismo tão em voga na Europa, confrontou-se não somente com os limites morais, mas também com a orientação estética e cultural do Império. O que chocara mais: a nudez frontal ou um nu tão descolado do que se desejava como nudez nacional aceitável, por exemplo, aquela das românticas figuras indígenas? A Carioca oferecia um corpo simultaneamente ideal e obsceno: o alto — uma beleza imaterial — e o baixo — uma carnalidade excessiva. Sugeria uma mistura de estilos que, sem romper com a regra do decoro artístico, insinuava na tela algo inadequado ao repertório simbólico oficial. A exótica morena, que não é índia — nem mulata ou negra — poderia representar uma visualidade feminina brasileira e desfrutar de um lugar de destaque no imaginário da nossa "monarquia tropical"?

Disponível em: http://anpuh.org.br. Acesso em: 20 maio 2015.


O texto revela que a aceitação da representação do belo na obra de arte está condicionada à

incorporação de grandes correntes teóricas de uma época, conferindo legitimidade ao trabalho do artista.
atemporalidade do tema abordado pelo artista, garantindo perenidade ao objeto de arte então elaborado.
inserção da produção artística em um projeto estético e ideológico determinado por fatores externos.
apropriação que o pintor faz dos grandes temas universais já recorrentes em uma vertente artística.
assimilação de técnicas e recursos já utilizados por movimentos anteriores que trataram da temática.
ENEM 2015 : Língua Portuguesa

Como estamos "Era Digital", foi necessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-los à nova realidade.

Veja abaixo...


1. A pressa é inimiga da conexão.

2. Amigos, amigos, senhas à parte.

3. Para bom provedor uma senha basta.

4. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.

5. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.

6. Quem clica seus males multiplica.

7. Quem semeia e-mails, colhe spams.

8. Os fins justificam os e-mails.


Disponível em: www.abusar.org.br. Acesso em: 20 maio 2015 (adaptado).


No texto, há uma reinterpretação de ditados populares com o uso de termos da informática. Essa reinterpretação

torna o texto apropriado para profissionais da informática.

atribui ao texto um caráter humorístico.

restringe o acesso ao texto por público não especializado.

deixa a terminologia original mais acessível ao público em geral.

dificulta a compreensão do texto por quem não domina a língua inglesa.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa

Síntese entre erudito e popular


Na região mineira, a separação entre cultura popular (as artes mecânicas) e erudita (as artes liberais) é marcada pela elite colonial, que tem como exemplo os valores europeus, e o grupo popular, formado pela fusão de várias culturas: portugueses aventureiros ou degredados, negros e índios. Aleijadinho, unindo as sofisticações da arte erudita ao entendimento do artífice popular, consegue fazer essa sintese característica deste momento único na história da arte brasileira: o barroco colonial.

MAJORA, C. BrHistória, n. 3, mar. 2007 (adaptado).


No século XVIII, a arte brasileira, mais especificamente a de Minas Gerais, apresentava a valorização da técnica e um estilo próprio, incluindo a escolha dos materiais. Artistas como Aleijadinho e Mestre Ataíde têm suas obras caracterizadas por peculiaridades que são identificadas por meio

do emprego de materiais oriundos da Europa e da interpretação realista dos objetos representados.
do uso de recursos materiais disponíveis no local e da interpretação formal com características próprias.
da utilização de recursos materiais vindos da Europa e da homogeneização e linearidade representacional.
da observação e da cópia detalhada do objeto representado e do emprego de materiais disponíveis na região.
da utilização de materiais disponíveis no Brasil e da interpretação idealizada e linear dos objetos representados.
ENEM 2015 : Língua Portuguesa

Telecommuting redefine o tradicional entendimento sobre o espaço de trabalho. Atualmente, as organizações estão se focando em novos valores, tais como, inovações, satisfação, responsabilidades, resultados e ambiente de trabalho familiar. A alternativa do telecommuting complementa esses princípios e oferece flexibilidade aos patrões e empregados. É um conceito novo que, a cada dia, ganha mais força ao redor do mundo. Grandes empresas escolheram o trabalho de telecommuting pelas facilidades que ele gera para o empregador. A implantação do telecommuting determina regras para se trabalhar em casa em dias específicos da semana e nos, demais dias, trabalhar no escritório. O local de trabalho pode ser a casa ou, temporariamente, por motivo de viagem, outros escritórios.

FERREIRA JR., J.C. Disponível em: www.ccuec.unicamp.br. Acesso em: 1 ago. 2012 (adaptado)


Com o advento das novas tecnologias, a sociedade tem vivenciado mudanças de paradigmas em vários setores. Nesse sentido, o telecommuting traz novidades para o mundo do trabalho porque proporciona prioritariamente o(a)

aumento da produtividade do empregado.

equilíbrio entre vida pessoal e profissional do trabalhador.

fortalecimento da relação entre empregador e empregado.

participação do profissional nas decisões da organização.

maleabilidade dos locais de atuação do profissional da empresa.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa


Esse infográfico resume as conclusões de diversas pesquisas científicas sobre a adolescência. Tais conclusões

desconstroem os estereótipos a respeito dos adolescentes.

estabelecem novos limites de duração para essa fase da vida.

reiteram a ideia da adolescência como um período conturbado.

confirmam a proximidade entre os universos adolescente e adulto.

apontam a insegurança como uma característica típica dos adolescentes.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa


Nesse texto, associam-se recursos verbais e não verbais na busca de mudar o comportamento das pessoas quanto a uma questão de saúde pública. No cartaz, essa associação é ressaltada no(a)

destaque dado ao laço, símbolo do combate à aids, seguido da frase "Use camisinha".

centralização da mensagem "Previna-se".

foco dado ao objeto camisinha em imagem e em palavra.

laço como elemento de ligação entre duas recomendações.

sobreposição da imagem da camisinha e da boia, relacionada à frase "Salve vidas".
ENEM 2015 : Literatura

Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor? Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidez informações acerca da grande novidade do dia. Dizia-se muita coisa que não repetirei agora, pois a seu tempo saberemos a verdade, sem os comentos malévolos de que usam vesti-la os noveleiros. Aurélia era órfã; tinha em sua companhia uma velha parenta, viúva, D. Firmina Mascarenhas, que sempre a acompanhava na sociedade. Mas essa parenta não passava de mãe de encomenda, para condescender com os escrúpulos da sociedade brasileira, que naquele tempo não tinha admitido ainda certa emancipação feminina. Guardando com a viúva as deferências devidas à idade, a moça não declinava um instante do firme propósito de governar sua casa e dirigir suas ações como entendesse. Constava também que Aurélia tinha um tutor; mas essa entidade era desconhecida, a julgar pelo caráter da pupila, não devia exercer maior influência em sua vontade, do que a velha parenta.

ALENCAR, J. Senhora. São Paulo: Ática, 2006.


O romance Senhora, de José de Alencar, foi publicado em 1875. No fragmento transcrito, a presença de D. Firmina Mascarenhas como "parenta" de Aurélia Camargo assimila práticas e convenções sociais inseridas no contexto do Romantismo, pois

o trabalho ficcional do narrador desvaloriza a mulher ao retratar a condição feminina na sociedade brasileira da época.
o trabalho ficcional do narrador mascara os hábitos sociais no enredo de seu romance.
as características da sociedade em que Aurélia vivia são remodeladas na imaginação do narrador romântico.
o narrador evidencia o cerceamento sexista à autoridade da mulher, financeiramente independente.
o narrador incorporou em sua ficção hábitos muito avançados para a sociedade daquele período histórico.
ENEM 2015 : Língua Portuguesa

                                       Perder a tramontana


              A expressão ideal para falar de desorientados e outras

                              palavras de perder a cabeça

       É perder o norte, desorientar-se. Ao pé da letra, "perder a tramontana" significa deixar de ver a estrela polar, em italiano stella tramontana, situada do outro lado dos montes, que guiava os marinheiros antigos em suas viagens desbravadoras.

      Deixar de ver a tramontana era sinônimo de desorientação. Sim, porque, para eles, valia mais o céu estrelado que a terra. O Sul era região desconhecida, prevista; já o Norte tinha como referência no firmamento um ponto luminoso conhecido como a estrela Polar, uma espécie de farol para os navegantes do Mediterrâneo, sobretudo os genoveses e os venezianos. Na linguagem deles, ela ficava transmontes, para além dos montes, os Alpes. Perdê-la de vista era perder a tramontana, perder o Norte.

      No mundo de hoje, sujeito a tantas pressões, muita gente não resiste a elas e entra em parafuso. Além de perder as estribeiras, perde a tramontana...

COTRIM, M. Língua Portuguesa, n. 15, jan. 2007.


Nesse texto, o autor remonta às origens da expressão "perder a tramontana". Ao tratar do significado dessa expressão, utilizando a função referencial da linguagem, o autor busca

apresentar seus indícios subjetivos.

convencer o leitor a utilizá-la.

expor dados reais de seu emprego.

explorar sua dimensão estética.

criticar sua origem conceitual.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa - Variação Linguística

Mudança linguística


Ataliba de Castilho, professor de língua portuguesa da USP, explica que o internetês é parte da metamorfose natural da língua.

— Com a internet, a linguagem segue o caminho dos fenômenos da mudança, como o que ocorreu com "você", que se tornou o pronome átono "cê". Agora, o interneteiro pode ajudar a reduzir os excessos da ortografia, e bem sabemos que são muitas. Por que o acento gráfico é tão importante assim para a escrita? Já tivemos no Brasil momentos até mais exacerbados por acentos e dispensamos muitos deles. Como toda palavra é contextualizada pelo falante, podemos dispensar ainda muitos outros. O interneteiro mostra um caminho, pois faz um casamento curioso entre oralidade e escrituralidade. O internetês pode, no futuro, até tornar a comunicação mais eficiente. Ou evoluir para um jargão complexo, que, em vez de aproximar as pessoas em menor tempo, estimule o isolamento dos iniciados e a exclusão dos leigos.

Para Castilho, no entanto, não será uma reforma ortográfica que fará a mudança de que precisamos na língua. Será a internet. O jeito eh tc e esperar pra ver?

Disponível em: http://revistalingua.com.br. Acesso em: 3 jun. 2015 (adaptado).


Na entrevista, o fragmento “O jeito eh tc e esperar pra ver?" tem por objetivo

ilustrar a linguagem de usuários da internet que poderá promover alterações de grafias.
mostrar os perigos da linguagem da internet como potencialização de dificuldades de escrita.

evidenciar uma forma de exclusão social para as pessoas com baixa proficiência escrita.

explicar que se trata de um erro linguístico por destoar do padrão formal apresentado ao longo do texto.
exemplificar dificuldades de escrita dos interneteiros que desconhecem as estruturas da norma padrão.
ENEM 2015 : Língua Portuguesa - Variação Linguística

Ai se sêsse


Se um dia nois se gostasse

Se um dia nois se queresse

Se nois dois se empareasse

Se juntim nois dois vivesse

Se juntim nois dois morasse

Se juntim nois dois drumisse

Se juntim nois dois morresse

Se pro céu nois assubisse

Mas porém se acontecesse

De São Pedro não abrisse

A porta do céu e fosse

Te dizer qualquer tulice

E se eu me arriminasse

E tu cum eu insistisse

Pra que eu me arresolvesse

E a minha faca puxasse

E o bucho do céu furasse

Tarvês que nois dois ficasse

Tarvês que nois dois caísse

E o céu furado arriasse

E as virgi toda fugisse

ZÉ DA LUZ. Cordel do Fogo Encantado. Recife: Álbum de estúdio, 2001.


O poema foi construído com formas do português não padrão, tais como "juntim", "nois", "tarvês". Essas formas legitimam-se na construção do texto, pois

revelam o bom humor do eu lírico do poema.

estão presentes na língua e na identidade popular.

revelam as escolhas de um poeta não escolarizado.

tornam a leitura fácil de entender para a maioria dos brasileiros.

compõem um conjunto de estruturas linguísticas inovadoras.

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