Álvares de Azevedo

Daniela Diana

Álvares de Azevedo foi um escritor brasileiro da segunda geração do romantismo (1853 a 1869), chamada de “geração ultrarromântica” ou “mal-do-século”.

Essa denominação faz referência aos temas escolhidos pelos escritores desse período: acontecimentos tristes e trágicos, desilusões, amores não correspondidos, mortes, dentre outros.

Álvares de Azevedo foi Patrono da Cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Biografia

Álvares de Azevedo

Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu na cidade de São Paulo, dia 12 de setembro de 1831.

Flho de família ilustre, seu pai era Inácio Manuel Álvares de Azevedo e sua mãe, Maria Luísa Mota Azevedo, Manuel.

Com apenas 2 anos, mudou-se com sua família para a cidade do Rio de Janeiro, local onde passou sua infância. Estudou no Colégio Stoll e no internato Pedro II, onde se destacou como aluno excelente.

Em 1848, com apenas 17 anos, matriculou-se no curso de Direito da Faculdade de Direito de São Paulo, destacando-se pelo seu brilhantismo e engajamento.

Fundou a “Revista Mensal da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistana”, em 1849. Em 1851, o poeta sofreu uma queda de cavalo, evento que favoreceu o aparecimento de um tumor na fossa ilíaca e, consequentemente, da tuberculose pulmonar, doença que o acompanhou até o final da vida.

Morte

Álvares de Azevedo faleceu no Rio de Janeiro, dia 25 de abril de 1852, com apenas 20 anos.

Curioso notar que um mês antes de sua morte, ele escreveu o poema intitulado “Se eu morresse amanhã”. A produção foi lida no dia do seu enterro pelo literato Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882). Segue abaixo a poesia:

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Obras e características

Devido a sua morte prematura, a produção literária de Álvares de Azevedo foi publicada postumamente.

Merece destaque a antologia poética “Lira dos Vinte Anos”, única obra que o poeta preparou para publicação, e que foi somente publicada em 1853.

Essa obra foi parte de um projeto que não se realizou, criado em parceria com os amigos e escritores mineiros Bernardo Guimarães (1825-1884) e Aureliano Lessa (1828-1861). A ideia era que a publicação seria chamada de “As Três Liras”.

Seus escritos foram fortemente Influenciados pelas obras do poeta inglês romântico Lord Byron (1788-1824). Vale lembrar que, a segunda geração do romantismo recebeu o nome de "Byroniana ou Ultrarromântica", justamente por estar inspirada na produção desse poeta.

Assim, as obras de Álvares de Azevedo estiveram marcadas pelo pessimismo. Nota-se a escolha de temas sobre a morte, dor, enfermidade, desilusão amorosa e frustração, permeadas muitas vezes, por um tom sarcástico e irônico.

Outras obras que foram publicadas postumamente:

  • Poesias Diversas (1853)
  • Noite na Taverna (1855)
  • Macário (1855)
  • Poema do Frade (1862)
  • O Conde Lopo (1866)

Poemas

Confira abaixo dois poemas que compõem a obra mais emblemática de Álvares de Azevedo: “Lira dos Vinte Anos”:

Minha Desgraça

Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco...

Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro...

Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.

O Lenço Dela

Quando a primeira vez, da minha terra
Deixei as noites de amoroso encanto,
A minha doce amante suspirando
Volveu-me os olhos úmidos de pranto.

Um romance cantou de despedida,
Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
E deu-me o lenço que molhava o pranto.

Quantos anos contudo já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto...

Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto!

Frases

  • A vida é um escárnio sem sentido. Comédia infame que ensanguenta o lodo.”
  • Em negócios de amor, nada de sócios.”
  • Deixo a vida como deixo o tédio.”
  • Feliz daquele que no livro d'alma não tem folhas escritas. E nem saudade amarga, arrependida, nem lágrimas malditas.”
  • Não há melhor túmulo para a dor do que uma taça cheia de vinho ou uns olhos negros cheios de languidez.”
  • Todo o vaporoso da visão abstrata não interessa tanto como a realidade da bela mulher a quem amamos.”

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.