Exercícios ENEM
1984 (excerpt) ‘Is it your opinion, Winston, that the past has real...
1984 (excerpt)
‘Is it your opinion, Winston, that the past has real existence?' [...] O'Brien smiled faintly. ‘I will put it more precisely. Does the past exist concretely, in space? Is there somewhere or other a place, a world of solid objects, where the past is still happening?'
‘No.'
‘Then where does the past exist, if at all?'
‘In records. It is written down.'
‘In records. And-------?'
‘In the mind. In human memories.'
‘In memory. Very well, then. We, the Party, control all records, and we control all memories. Then we control the past, do we not?'
ORWELL, G. Nineteen Eighty-Four. New York: SignetClassics, 1977.
O romance 1984 descreve os perigos de um Estado totalitário. A ideia evidenciada nessa passagem é que o controle do Estado se dá por meio do(a)
boicote a ideais libertários.
veto ao culto das tradições.
poder sobre memórias e registros.
censura a produções orais e escritas.
manipulação de pensamentos individuais.
Quebranto às vezes sou o policial que me suspeito me peço documentos...
Quebranto
às vezes sou o policial que me suspeito
me peço documentos
e mesmo de posse deles
me prendo e me dou porrada
às vezes sou o porteiro
não me deixando entrar em mim mesmo
a não ser
pela porta de serviço
[..]
às vezes faço questão de não me ver
e entupido com a visão deles
sinto-me a miséria concebida como um eterno
começo
fecho-me o cerco
sendo o gesto que me nego
a pinga que me bebo e me embebedo
o dedo que me aponto
e denuncio
o ponto em que me entrego.
às vezes!...
CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza, 2007 (fragmento).
Na literatura de temática negra produzida no Brasil, é recorrente a presença de elementos que traduzem experiências históricas de preconceito e violência. No poema, essa vivência revela que o eu lírico
incorpora seletivamente o discurso do seu opressor.
submete-se à discriminação como meio de fortalecimento.
engaja-se na denúncia do passado de opressão e injustiças.
sofre uma perda de identidade e de noção de pertencimento.
acredita esporadicamente na utopia de uma sociedade igualitária.
“A Declaração Universal dos Direitos Humanos está completando 70...
“A Declaração Universal dos Direitos Humanos está completando 70 anos em tempos de desafios crescentes, quando o ódio, a discriminação e a violência permanecem vivos”, disse a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Audrey Azoulay.
“Ao final da Segunda Guerra Mundial, a humanidade inteira resolveu promover a dignidade humana em todos os lugares e para sempre. Nesse espírito, as Nações Unidas adotaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos como um padrão comum de conquistas para todos os povos e todas as nações”, disse Audrey.
“Centenas de milhões de mulheres e homens são destituídos e privados de condições básicas de subsistência e de oportunidades. Movimentos populacionais forçados geram violações aos direitos em uma escala sem precedentes. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável promete não deixar ninguém para trás - e os direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso.”
Segundo ela, esse processo precisa começar o quanto antes nas carteiras das escolas. Diante disso, a Unesco lidera a educação em direitos humanos para assegurar que todas as meninas e meninos saibam seus direitos e os direitos dos outros.
Disponível em: https://nacoesunidas.org. Acesso em: 3 abr. 2018 (adaptado).
Defendendo a ideia de que “os direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso”, a diretora-geral da Unesco aponta, como estratégia para atingir esse fim, a
inclusão de todos na Agenda 2030.
extinção da intolerância entre os indivíduos.
discussão desse tema desde a educação básica.
conquista de direitos para todos os povos e nações.
promoção da dignidade humana em todos os lugares.
A utilização de determinadas variedades linguísticas em campanhas...

A utilização de determinadas variedades linguísticas
em campanhas educativas tem a função de atingir o
público-alvo de forma mais direta e eficaz. No caso
desse texto, identifica-se essa estratégia pelo(a)
discurso formal da língua portuguesa.
registro padrão próprio da língua escrita.
seleção lexical restrita à esfera da medicina.
fidelidade ao jargão da linguagem publicitária.
uso de marcas linguísticas típicas da oralidade.
— Famigerado? [...] — Famigerado é “inóxio”, é...
— Famigerado? [...]
— Famigerado é “inóxio”, é “célebre”, “notório”, “notável”...
— Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?
— Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos...
— Pois... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia de semana?
— Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito...
ROSA, G. Famigerado. In: Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
Nesse texto, a associação de vocábulos da língua portuguesa a determinados dias da semana remete ao
local de origem dos interlocutores.
estado emocional dos interlocutores.
grau de coloquialidade da comunicação.
nível de intimidade entre os interlocutores.
conhecimento compartilhado na comunicação.
TEXTO II A body art põe o corpo tão em evidência e o submete a...

TEXTO II
A body art põe o corpo tão em evidência e o submete a experimentações tão variadas, que sua influência estende-se aos dias de hoje. Se na arte atual as possibilidades de investigação do corpo parecem ilimitadas - pode-se escolher entre representar, apresentar, ou ainda apenas evocar o corpo - isso ocorre graças ao legado dos artistas pioneiros.
SILVA, P. R. Corpo na arte, body art, body modification: fronteiras. II Encontro de História da Arte: IFCH-Unicamp, 2006 (adaptado).
Nos textos, a concepção de body art está relacionada à
intenção de
estabelecer limites entre o corpo e a composição.
fazer do corpo um suporte privilegiado de expressão.
discutir políticas e ideologias sobre o corpo como arte.
compreender a autonomia do corpo no contexto da obra.
destacar o corpo do artista em contato com o expectador.
TEXTO II Imaginemos um cidadão, residente na periferia de um grande...

TEXTO II
Imaginemos um cidadão, residente na periferia de um grande centro urbano, que diariamente acorda às 5h para trabalhar, enfrenta em média 2 horas de transporte público, em geral lotado, para chegar às 8h ao trabalho. Termina o expediente às 17h e chega em casa às 19h para, aí sim, cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos etc. Como dizer a essa pessoa que ela deve praticar exercícios, pois é importante para sua saúde? Como ela irá entender a mensagem da importância do exercício físico? A probabilidade de essa pessoa praticar exercícios regularmente é significativamente menor que a de pessoas da classe média/alta que vivem outra realidade. Nesse caso, a abordagem individual do problema tende a fazer com que a pessoa se sinta impotente em não conseguir praticar exercícios e, consequentemente, culpada pelo fato de ser ou estar sedentária.
FERREIRA, M. S. Aptidão física e saúde na educação física escolar: ampliando o enfoque. RBCE, n. 2,jan. 2001 (adaptado).
O segundo texto, que propõe uma reflexão sobre o
primeiro acerca do impacto de mudanças no estilo de vida
na saúde, apresenta uma visão
geracional, que preconiza a representação do culto à jovialidade.
Deficientes visuais já podem ir a algumas salas de cinema e teatros...
Deficientes visuais já podem ir a algumas salas de cinema e teatros para curtir, em maior intensidade, as atrações em cartaz. Quem ajuda na tarefa é o aplicativo Whatscine, recém-chegado ao Brasil e disponível para os sistemas operacionais iOS (Apple) ou Android (Google). Ao ser conectado à rede wi-fi de cinemas e teatros, o app sincroniza um áudio que descreve o que ocorre na tela ou no palco com o espetáculo em andamento: o usuário, então, pode ouvir a narração em seu celular.
O programa foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Carlos III, em Madri. “Na Espanha, 200 salas de cinema já oferecem o recurso e filmes de grandes estúdios já são exibidos com o recurso do Whatscine!”, diz o brasileiro Luis Mauch, que trouxe a tecnologia para o país. “No Brasil, já fechamos parceria com a São Paulo Companhia de Dança para adaptar os espetáculos deles! Isso já é um avanço. Concorda?”
Disponível em: http://veja.abril.com.br. Acesso em: 25jun. 2014 (adaptado).
Por ser múltipla e apresentar peculiaridades de acordo com a intenção do emissor, a linguagem apresenta funções diferentes. Nesse fragmento, predomina a função referencial da linguagem, porque há a presença de elementos que
buscam convencer o leitor, incitando o uso do aplicativo.
definem o aplicativo, revelando o ponto de vista da autora.
evidenciam a subjetividade, explorando a entonação emotiva.
expõem dados sobre o aplicativo, usando linguagem denotativa.
objetivam manter um diálogo com o leitor, recorrendo a uma indagação.
Somente uns tufos secos de capim empedrados crescem na silenciosa...
Somente uns tufos secos de capim empedrados crescem na silenciosa baixada que se perde de vista. Somente uma árvore, grande e esgalhada mas com pouquíssimas folhas, abre-se em farrapos de sombra. Único ser nas cercanias, a mulher é magra, ossuda, seu rosto está lanhado de vento. Não se vê o cabelo, coberto por um pano desidratado. Mas seus olhos, a boca, a pele - tudo é de uma aridez sufocante. Ela está de pé. A seu lado está uma pedra. O sol explode.
Ela estava de pé no fim do mundo. Como se andasse para aquela baixada largando para trás suas noções de si mesma. Não tem retratos na memória. Desapossada e despojada, não se abate em autoacusações e remorsos. Vive.
Sua sombra somente é que lhe faz companhia. Sua sombra, que se derrama em traços grossos na areia, é que adoça como um gesto a claridade esquelética. A mulher esvaziada emudece, se dessangra, se cristaliza, se mineraliza. Já é quase de pedra como a pedra a seu lado. Mas os traços de sua sombra caminham e, tornando-se mais longos e finos, esticam-se para os farrapos de sombra da ossatura da árvore, com os quais se enlaçam.
FRÓES, L. Vertigens: obra reunida. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
Na apresentação da paisagem e da personagem, o narrador estabelece uma correlação de sentidos em que esses elementos se entrelaçam. Nesse processo, a condição humana configura-se
amalgamada pelo processo comum de desertificação e de solidão.
fortalecida pela adversidade extensiva à terra e aos seres vivos.
redimensionada pela intensidade da luz e da exuberância local.
imersa num drama existencial de identidade e de origem.
imobilizada pela escassez e pela opressão do ambiente.
No tradicional concurso de miss, as candidatas apresentaram dados de...
No tradicional concurso de miss, as candidatas apresentaram dados de feminicídio, abuso sexual e estupro no país.
No lugar das medidas de altura, peso, busto, cintura e quadril, dados da violência contra as mulheres no Peru. Foi assim que as 23 candidatas ao Miss Peru 2017 protestaram contra os altos índices de feminicídio e abuso sexual no país no tradicional desfile em trajes de banho.
O tom político, porém, marcou a atração desde o começo: logo no início, quando as peruanas se apresentaram, uma a uma, denunciaram os abusos morais e físicos, a exploração sexual, o assédio, entre outros crimes contra as mulheres.
Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 29 nov. 2017.
Quanto à materialização da linguagem, a apresentação de dados relativos à violência contra a mulher
propõe um novo formato no enredo dos concursos de beleza feminina.
condena o rigor estético exigido pelos concursos tradicionais.
recupera informações sensacionalistas a respeito desse tema.
subverte a função social da fala das candidatas a miss.