Império Carolíngio


O Império Carolíngio (800-888) tem seu nome derivado de Carolus (do latim, Carlos) e designa o Reino Franco que ocupou a região da Europa central (coincidindo com o antigo Império Romano do Ocidente, um território de aproximadamente 1.112.000 km² e cerca de 20 milhões de pessoas).

A formação deste império está na gênese dos processos de constituição da sociedade feudal, bem como foi responsável pela expansão do Cristianismo pela Europa.

Principais Características

A principal característica política administrativa do Império Carolíngio foi a distribuições de terras entre os oficiais e soldados mais leais à realeza, mediante um juramento de fidelidade ao Imperador. Consequentemente, isso criou uma intensa regionalização do poder, ao possibilitar o estabelecimento de uma influente nobreza regional.

Esta elevação era adquirida pelos títulos de nobreza, como o de Condes, Guardiões dos Condados e Marqueses, defensores das Marcas, regiões fronteiriças do Império. Estes dotes chegavam centenas de condados e marcas, donde a administração do vasto território era realizada pela administração itinerante da corte do imperador. Ela se deslocava pelo território, bem, como pelos missi dominici (do latim, enviados do senhor), responsáveis por fiscalizar as atividades da nobreza.

Outra característica notável foi o fortalecimento dos laços de servidão responsáveis pela transformação de homens livres em servos ligados a terra em que viviam. Este sistema possibilitou um grande desenvolvimento rural e agrícola, tornando essas atividades à base da economia, com várias feiras e mercados nos centros urbanos europeus.

Do ponto de vista cultural e artístico, este período é conhecido como o “Renascimento Carolíngio”, onde é evidente a presença das culturas grega, romana e bizantina. Vale destacar que os reis carolíngios se cercavam de intelectuais, especialmente Carlos Magno, o qual valorizou grandemente a cultura greco-romana e criou leis para a construção de escolas nos palácios, mosteiros e catedrais.

Além disso, este soberano estimulou o desenvolvimento das artes e instituiu um conjunto de leis escritas denominadas “Leis Capitulares”. Saiba mais em: Quem foi Carlos Magno.

Contexto Histórico: Resumo

Com a desintegração do Império Romano, surgem inúmeros reinos bárbaros, os quais, por sua vez, irão também sofrer com as contínuas invasões bárbaras e muçulmanas. Assim, a Europa fragilizada não consegue se reunificar, uma vez que não haviam de reis cristãos e a maioria dos povos eram pagãos ou convertidos às heresias cristãs, como o arianismo.

Este quadro muda no século V, quando Clóvis I (481-511) unifica as tribos francas e funda o Estado dos Francos, tornando-se o primeiro rei cristão dos francos a fundar uma dinastia, a saber, a Merovíngia.

Com sua morte em 511, seu reino foi dividido entre seus quatro filhos, até que, em 628, Dagoberto consolida-se como único rei, dando início as gerações de “reis indolentes”, os quais ficavam cada vez mais distantes e desinteressados das funções administrativas do reino. É neste contexto que ganham destaque os “Mordomos do Paço” (ou do Palácio), responsáveis pelo controle do Estado e do exército.

Assim, Carlos Martel (715-741), um prestigiado vassalo e mordomo do paço, derrota os visigodos em 711; e os árabes na Batalha de Poitiers, em 732; consagrando-se como um grande líder.

Com sua morte, seu filho Pepino, o Breve, assume seu posto e, em 751, com as bênçãos do Papa Zacarias, desfere um golpe de Estado, usurpando o trono dos Francos e depondo Childerico III, para depois reunificar e expandindo as fronteiras do seu reino.

Pepino morre em 768 e o seu reino é dividido entre seus dois filhos: Carlomano e Carlos Magno; os irmãos serão rivais no poder até a morte de Carlomano, em 771. A partir daí, Carlos se consolida no poder e empreende seu projeto de expansionismo militar para reconquistar os antigos territórios do Império Romano do Ocidente, incluindo as regiões da Germânia, do norte da Itália e da Espanha.

Com efeito, a data histórica para a fundação do império é 25 de dezembro de 800, quando o papa Leão III coroa Carlos Magno como imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Por fim, com a morte do Rei em 814, seu império passa a seu filho e sucessor Luís, O Piedoso, até o ano de 840, quando o soberano morre, deixando três herdeiros que irão disputar a Coroa. Ora, Lotário, o primogênito, irá confrontar-se com seus irmãos Luís, o Germânico, e Carlos, o Calvo.

Como resultado desta disputa, surge o Tratado de Verdun, em 843, oficializando a divisão do Império Carolíngio. Como a morte de Lotário, seus irmãos anexam seus territórios e fazem surgir a Frância Oriental, futura Alemanha, e a Frância Ocidental, que se tornará o Reino da França.

Contudo, as crescentes guerras civis, bem como a regionalização e fortalecimento da aristocracia, a qual estabeleceu laços de vassalagem entre si, formando uma pequena nobreza sem laços de fidelidade para com os monarcas, acaba por levar á queda da Dinastia Carolíngia, sobretudo após as invasões normandas.