Feudalismo

Juliana Bezerra

O Feudalismo foi uma organização econômica, política e social baseada na posse da terra - o feudo - que predominou na Europa Ocidental durante a Baixa Idade Média.

As terras e títulos de nobreza eram doadas pelo rei como recompensa aos líderes por terem participado de batalhas.

O feudo era uma grande propriedade rural que abrigava o castelo fortificado, as aldeias, as terras para cultivo, os pastos e os bosques.

Teve origem no Império Carolíngio, quando o rei precisava de aliados defender suas extensas fronteiras. A partir do séc. IX quando o este império se desintegra, o que sobra são várias regiões independentes entre si governadas por um nobre.

Características do Feudalismo

Sociedade Feudal

A sociedade, no feudalismo, era denominada estamental porque era composta por camadas sociais que se diferenciavam pelos privilégios que possuíam.

Quase não existia mobilidade social e passar de um estamento social para outro era praticamente impossível.

Existiam três estamentos sociaisnobreza, clero e servos.

Nobreza

A nobreza era proprietária de terras e recebia o nome de senhores feudais. Estes aplicavam as leis, concediam privilégios, comercializavam com os vizinhos, administravam a justiça, declaravam a guerra e faziam a paz.

No topo da nobreza estava o rei, que concentrava pouco poder político, pois este era dividido entre o monarca e os senhores feudais. No entanto, o monarca tinha prestígio junto aos outros senhores feudais.

Clero

A Igreja se tornou a mais poderosa instituição feudal, pois era proprietária de vastas extensões de terra, além de influenciar as relações sociais.

Segundo ela, cada membro da sociedade tinha uma função a cumprir em sua passagem pela terra. A função do nobre era proteger militarmente a sociedade, a do clero, rezar e a do servo, trabalhar.

Além disso, os mosteiros medievais foram responsáveis pela conservação de manuscritos sobre literatura, filosofia e ciência, apoiavam os viajantes e acolhiam os doentes.

Servos

O trabalho estava fundamentado na servidão, com os camponeses presos à terra e subordinados a uma série de obrigações desde impostos e serviços.

Por outro lado, os senhores feudais deveriam protegê-los em caso de ataques.

Além dos servos havia outros trabalhadores como:

  • Vilões: homens livres que moravam na vila, mas podiam prestar serviços ao senhor feudal e tinham permissão para trocar de propriedade;
  • Ministeriais: ocupavam a administração da propriedade feudal e podiam ascender socialmente, chegando à condição membros da pequena nobreza.
  • Escravos: em geral eram empregados no serviço doméstico. Nesta época era comum os cristãos escravizarem muçulmanos e vice-versa.

As condições de vida nos domínios feudais eram rudes e mesmo a nobreza não vivia luxuosamente.

A vida dos servos era miserável em todos os sentidos. Os servos e mesmo os senhores feudais não sabiam nem ler nem escrever, porém o clero era o único estamento social que tinha acesso ao estudo.

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Economia feudal

A economia no feudalismo se caraterizava pela produção autossuficiente, pois se destinava ao consumo local e não ao comércio em larga escala.

Na época de boas colheitas, os excedentes eram trocados em feudos vizinhos ou nas feiras que ocorriam nas cidades. Muitas vezes o comércio ocorria através do intercâmbio de gêneros e não moedas; porém, estas existiam e eram emitidas por cada feudo.

Política feudal

O poder político no feudo era exercido pelo senhor feudal, que possuía exército, cobrava impostos e distribuía a justiça. No entanto, sua obrigação era proteger os servos e, para isso, construía um castelo fortificado, em torno do qual se desenvolvia a comunidade.

Quando um senhor feudal necessitava apoio para a guerra, fazia alianças com nobres menos poderosos. Através de um juramento de fidelidade - chamado "homenagem" - o senhor feudal com mais recursos se tornava suserano e o outro, vassalo. Em retribuição, este recebia terras ou as rendas de algum pedágio ou do moinho, por exemplo. Porém, por sua parte, o vassalo deveria defender o suserano e acompanhá-lo em caso de conflito.

Importante lembrar que os membros do clero poderiam ser senhores feudais. Os mosteiros, além do edifício religioso, possuíam grandes extensões de terra para seu sustento.

Saiba mais detalhes em Relações de Suserania e Vassalagem no Feudalismo

Como ocorriam as concessões de terra?

Servos trabalhando na terra diante do castelo do senhor feudal
Iluminura do livro "As ricas horas do duque de Berry", de 1410, sobre o mês de setembro quando se realizava a colheita

Um feudo podia ser obtido das seguintes maneiras:

  • Concessão do rei ou de um senhor feudal: para compensar os serviços de um nobre ou de um cavaleiro destacado e assim conseguir a vassalagem;
  • Casamentos: assegurava a fidelidade dos senhores feudais e garantia que a terra continuaria na mesma família;
  • Guerras: quando os laços de vassalagem eram rompidos, uma família não tinha herdeiros ou mesmo por desejar expandir suas terras era comum fazer guerras para obter mais territórios.

Crise do feudalismo

O feudalismo sofreu grandes transformações a partir do século XIII.

Nesta época, o desenvolvimento do comércio e das cidades ampliaram as fontes de renda. À medida que o poder foi se concentrando nas mãos de um único rei, as vilas e cidades conquistaram mais autonomia. O soberano, então, lhes concediam diversas imunidades, como isenção fiscal e jurídica, o que diminuía a importância do feudo.

Com isso, o dinheiro começou a adquirir mais valor do que a terra e as relações de produção passaram a ser baseadas no trabalho livre e assalariado, e houve o surgimento de novas camadas sociais, como a burguesia.

O crescimento populacional foi um dos fatores responsáveis pelas mudanças no sistema feudal de produção. À medida que crescia a população, aumentava a necessidade de ampliar a área de plantio e desenvolver novas técnicas agrícolas.

Para aumentar o terreno de cultivo, os senhores feudais passaram a cercar as terras comunais, ou seja, as áreas que eram utilizadas por todos os servos. Alguns deles arrendaram as terras, enquanto outros passaram a vender a liberdade aos servos ou a expulsá-los do feudo, colocando em seu lugar trabalhadores assalariados.

Isto acabou gerando revolta entre os camponeses que responderam de forma violenta. Outro fator de êxodo rural foi o próprio crescimento das cidades que se tornava mais atrativa para muitos servos.

O processo de mudança do sistema feudal pelo sistema capitalista foi lento e gradual, e ocorreu junto com o renascimento comercial, a centralização monárquica e o aparecimento da burguesia.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.