Império Bizantino

Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Professora de História

O Império Bizantino nasceu da divisão do Império Romano, no ano de 395, em Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla e Império Romano do Ocidente, com capital em Milão.

A cidade de Constantinopla, antes denominada Bizâncio, havia sido rebatizada pelo Imperador Constantino no ano de 330. Atualmente, a cidade recebe o nome de Istambul.

Por esta razão, o Império Romano do Oriente passou para a história como “Império Bizantino”. Sua extensão territorial compreendia a Península Balcânica, a Ásia Menor, a Síria, a Palestina, o norte da Mesopotâmia e o nordeste da Ásia

Enquanto no Ocidente, o Império Romano desapareceu por conta das invasões de diversos povos, o Império Bizantino conseguiu manter sua unidade e seus habitantes chamavam-se a si mesmo de romanos.

Com a queda de Roma, em 476, o Império Bizantino passou a ser o herdeiro das tradições romanas e sobreviveu mais mil anos.

Governo de Justiniano

Um dos principais imperadores bizantinos foi Justiniano (527-565), pois em seu governo, o Império Bizantino atingiu o máximo esplendor.

Filho de camponeses, Justiniano chegou ao trono em 527. Sua esposa, Teodora, também vinha de origem humilde e exerceu decisiva influência sobre a administração do Império.

Justiniano foi também o responsável pela reconquista de territórios que antes haviam pertencido ao Império Romano do Ocidente, incluindo Roma, o sul da Espanha e o norte da África. Estas regiões haviam sido ocupadas pelos povos germânicos.

Mapa do Império Bizantino sob o reinado do Imperador Justianiano
Em laranja escuro, o Império Bizantino e na parte clara, os território conquistados por Justiniano

No poder, Justiniano procurou organizar as leis do Império. Encarregou uma comissão de juristas de elaborar o “Digesto”, uma espécie de manual de Direito destinado aos estudantes, que foi publicado em 533.

Nesse mesmo ano foram publicadas as "Institutas", com os princípios fundamentais do Direito Romano e no ano seguinte concluiu o Código de Justiniano.

As três obras de Justiniano eram uma compilação das leis romanas desde a República até o Império Romano. Posteriormente, foram reunidas numa única obra o Codex Justinianus, depois chamado de Corpus Juris Civilis (Corpo de Direito Civil).

O Imperador Justiniano também dotou a capital de grandes edifícios como a igreja de Santa Sofia (Santa Sabedoria) e o palácio imperial.

Características do Império Bizantino

Cultura bizantina

A cultura bizantina era uma mistura de influências romanas, helenísticas e orientais.A cidade de Constantinopla era um importante centro comercial e cultural, e foi dali que o cristianismo se expandiu.

Adotaram o grego como idioma oficial no século VII e mantiveram constantes relações com os povos asiáticos.

A pintura se desenvolveu juntamente com o Cristianismo e se caracteriza pela frontalidade, pouca importância em retratar o corpo humano e o uso de cores para ressaltar as figuras. A arquitetura combinava o luxo e a exuberância do Oriente.

Veja também: Arte Bizantina

Religião no Império Bizantino

Santa Sofia
A igreja de Santa Sofia, símbolo do esplendor do Império do Bizantino, localizada em Istambul, Turquia

Justiniano procurou usar a religião cristã para unir o mundo oriental e ocidental. Procedeu à construção da igreja de Santa Sofia (532 a 537), monumento arquitetônico com sua enorme cúpula central, apoiada em colunas que terminam em capitéis ricamente trabalhados. Ali eram consagrados os imperadores bizantinos.

Quando os turcos tomaram Constantinopla, em 1453, foram acrescentados os quatro minaretes que caracterizam as mesquitas.

O cristianismo predominou no Império Bizantino, mas se desenvolveu de forma distinta que no Ocidente. Enquanto este se via cada vez mais dividido, a Igreja e o Imperador se uniam no Oriente.

Por isso, o Imperador passa a ser considerado como um dos chefes da Igreja e esta união foi chamada de “cesaropapismo” (césar + papa) ou "teocracia".

A Igreja Oriental utilizava a língua local nos seus cultos e não admitiam as imagens tridimensionais. Já a Igreja no Ocidente não reconhecia o Imperador como um chefe, empregava o latim nas suas cerimônias e veneravam esculturas.

Para os bizantinos, as imagens, denominadas ícones, deviam ser bidimensionais e esta disputa acabou levando-os a um movimento de destruição conhecido como Iconoclastia. Assim, muitas obras de arte se perderam enquanto não se chegou um acordo sobre a relação da veneração das imagens.

Os questionamentos dos dogmas cristãos pregados por Roma deram origem a algumas heresias - correntes doutrinárias discordantes da interpretação cristã tradicional.

As diferenças culturais entre Oriente e Ocidente e as disputas pelo poder entre o Papa e o Imperador, culminaram na divisão da Igreja, em 1054, criando uma cristandade ocidental, chefiada pelo Papa; e uma oriental, chefiada por um colegiado de bispos e o imperador. Esse fato recebeu o nome de Cisma do Oriente.

A partir de então, a Igreja Oriental passou a ser conhecida como Igreja Católica Ortodoxa e foi responsável por cristianizar lugares como a Rússia, Bulgária, a Península do Balcãs, entre outros.

Veja também: Cisma do Oriente

Economia no Império Bizantino

Situada numa posição privilegiada, entre a Europa e a Ásia, na passagem do Mar de Marmara para o Mar Negro, Constantinopla era ponto para os comerciantes que circulavam entre o Oriente e o Ocidente. A cidade possuía diversas manufaturas, como as de seda e um comércio desenvolvido.

Devido a prosperidade econômica, a cidade era alvo de expedições militares de povos orientais e mais tarde, dos árabes. Estava fortificada com muralhas e os bizantinos desenvolveram o “fogo grego”, substância que permitia arder mesmo na água.

A Queda do Império Bizantino

Após o auge do governo Justiniano, no século VI, o Império Bizantino não expandiu mais seu território. Seguiram-se anos de prosperidade, onde os bizantinos desenvolveram um dos maiores impérios da Idade Medieval.

Por outro lado, com a conversão dos árabes ao islamismo, no séc. VII, vários monarcas muçulmanos passam a atacar as fronteiras do Império Bizantino e ocupá-lo.

Durante a Baixa Idade Média (séculos X a XV), além das pressões dos povos e impérios nas suas fronteiras orientais e perdas de territórios, o Império Bizantino foi alvo da retomada expansionista ocidental. A Quarta Cruzada foi particularmente nociva à Constantinopla. Ao invés dos cruzados atacarem Jerusalém, preferiram guerrear contra um império cristão e ainda instalaram ali o Patriarcado Latino.

Com a expansão dos turcos-otomanos no século XIV, tomando os Bálcãs e a Ásia Menor, o império acabou reduzido à cidade de Constantinopla.

O predomínio econômico das cidades italianas ampliou o enfraquecimento Bizantino, que chegou ao fim em 1453, quando o sultão Maomé II destruiu as muralhas de Constantinopla com poderosos canhões.

Os turcos transformaram-na em sua capital, passando a chamá-la de Istambul, como é conhecida hoje.

Temos mais textos sobre o assunto para você:

Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.