Arte Bizantina

Laura Aidar

A Arte Bizantina é uma arte cristã que surge no período em que o Cristianismo passa a ser reconhecido como religião.

Jesus, considerado uma ameaça para o Império Romano, foi perseguido e morto pelos romanos. Após sua morte, seus adeptos se escondiam em catacumbas para rezar, pois continuaram sendo perseguidos .

Até que em 313 o imperador Constantino outorgou o Édito de Milão, que proibia a perseguição aos cristãos e, então, o Cristianismo começa a crescer. Surgem assim, as igrejas cristãs e um novo estilo de arte, a Arte Bizantina.

Arte Paleocristã e Arte Bizantina

A Arte Bizantina se contextualiza na Arte Paleocristã, que tem origem nas expressões artísticas dos convertidos na fé em Jesus Cristo. Eram manifestações feitas especialmente através das pinturas nas catacumbas e nos sepulcros.

Pintura paleocristã na Catacumba de Santa Priscila, Roma, séc II
Pintura paleocristã na Catacumba de Santa Priscila, Roma, séc II

A Arte Bizantina, por sua vez, surge após a aceitação do Cristianismo e, assim, revela a exuberância de uma arte que pretende ser vista, divulgada e que tinha como propósito instruir os devotos, neles incutindo a devoção ao Cristianismo.

Desse modo, a Arte Bizantina pode ser considerada o primeiro estilo de arte cristã.

Características e Manifestações da Arte Bizantina

Em decorrência do período histórico, a Arte Bizantina expressa especialmente o caráter religioso.

Além disso, o imperador era uma figura de referência sagrada uma vez que desempenhava o seu papel de governante em nome de Deus, tal como era propagado na época.

Assim, muitas vezes se encontra mosaicos que retratavam o imperador e sua esposa entre Jesus e Maria.

Os artistas da época não tinham liberdade para se expressar, não podiam usar sua criatividade; deviam apenas cumprir com a elaboração da obra, tal como lhes era solicitado.

Podemos, dessa forma, destacar as seguintes características da arte bizantina:

  • Caráter majestoso que demostra poder e riqueza;
  • Ligação direta com a religião católica;
  • Demonstração clara da autoridade do imperador - ao considerá-lo sagrado;
  • Frontalidade - representação das figuras em posição frontal e rígida;

Deste modo, Constantinopla viu muitos dos seus artistas migrarem para o Império Romano do Ocidente, cuja capital era Roma.

Arquitetura Bizantina

Basílica de São Vital
Basílica de São Vital, em Ravena, Itália

O imperador mandou construir igrejas onde os convertidos pudessem se reunir para rezar.

A arquitetura se destaca como expressão artística desse período pela construção de grandes e ricas igrejas, na verdade basílicas, dada a sua amplitude e riqueza expressa no revestimento de ouro e decoração com mosaicos.

Os exemplos mais conhecidos de arquitetura da Arte Bizantina são:

  • As Basílicas de Santo Apolinário e São Vital, em Ravena;
  • A Igreja de Santa Sofia, em Istambul - obra da autoria do matemático Antêmio de Tralles e de Isidoro de Mileto, cuja construção foi feita entre os anos 532 e 537;
  • A Basílica da Natividade, em Belém - construção ordenada pela mãe do imperador Constantino na cidade onde Jesus nasceu. Foi construída entre os anos 327 e 333 e incendiada cerca de dois séculos depois.
Igreja de Santa Sofia, Istambul, Turquia
Igreja de Santa Sofia, Istambul, Turquia. Construída para agradar as classes mais abastadas

Pintura Bizantina

A predominância dos temas religiosos dá destaque às pinturas feitas nas igrejas.

Nessa época foi criado o ícone, uma vertente da pintura bizantina. Ícone em grego significa imagem e nesse contexto representavam personagens religiosas como a Virgem e Cristo, além de santos.

Uma das técnicas bastante utilizadas pelos pintores bizantinos foi a têmpera, que consiste em preparar os pigmentos junto a uma goma feita de material orgânico (como a gema de ovo) a fim de fixar melhor as cores à superfície.

Os ícones eram encontrados sobretudo nas igrejas, entretanto era possível também encontrá-los nos ambientes familiares, em oratórios.

Foi na Rússia que essa expressão teve maior reconhecimento, principalmente na região de Novgorod. Foi lá que viveu o renomado artista André Rublev, no início do século XV.

ícones bizantinos de André Rublev
Ícones de André Rublev. À esquerda, Solenidade da Santíssima Trindade; à direita, Nossa Senhora da Misericórdia

Iconoclastia e Arte Bizantina

A pintura, todavia, não foi muito além do contexto religioso, uma vez que no Império Bizantino surgiu um movimento chamado de iconoclastia.

Segundos os iconoclastas, figuras humanas não podiam ser adoradas, pois a adoração cabia apenas a Deus. De acordo com a prática monoteísta a veneração dos santos consistia no pecado da idolatria.

Assim, para acabar com o culto a figuras humanas, o imperador proibiu a reprodução de toda representação humana, ordenando, inclusive, a destruição das obras artísticas que existissem nessas condições.

Mosaico Bizantino

Exemplo de mosaico bizantino
Exemplo de mosaico bizantino

Os mosaicos foram bastante destacados no período e constituem a expressão máxima da arte bizantina, atingindo nesse momento a mais impecável realização.

Entre outras coisas, eles retratavam o imperador, bem como profetas. Eram aplicados no interior das igrejas e exibiam cores intensas e materiais nobres que refletiam a luz, concedendo suntuosidade aos templos.

Eram criados a partir de pequenos pedaços de pedras em cores distintas, colocados sobre cimento fresco em uma parede e que compunham, assim, um desenho.

Conheça a arte produzida em outros períodos da história:

Laura Aidar
Laura Aidar
Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007. Formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design de São Paulo (2010).