Surrealismo

Laura Aidar

O surrealismo foi uma das vanguardas artísticas europeias que surgiu em Paris no início do século XX.

Esse movimento originou-se em reação ao racionalismo e ao materialismo da sociedade ocidental.

A arte surrealista não se restringiu às artes plásticas, de modo que também influenciou outras manifestações artísticas: a escultura, a literatura, o teatro e o cinema.

Origem do Surrealismo

surrealistas
Grupo de artistas surrealistas nos anos 30: da esquerda para a direita: Tristan Tzara, Paul Éluard, André Breton, Hans Arp, Salvador Dali, Yves Tanguy, Max Ernst, René Crevel e Man Ray

Na Europa, o período entre as duas guerras (1918-1939) ficou conhecido como "os anos loucos". Assim, a incerteza sobre a predominância da paz levou ao desejo de "viver apenas o presente".

Foi nesse período de insatisfação, desequilíbrio e contradições, que surgiram diversos movimentos artísticos voltados para uma nova interpretação e expressão da realidade.

Esses movimentos ficaram conhecidos como "vanguardas europeias". O Surrealismo foi uma dessas correntes e teve como precedente indispensável o Dadaísmo e a pintura metafísica de Giorgio de Chirico (1888-1978).

de chirico pintura metafísica
Obra Praça d'Itália (1913), de Giorgio de Chirico, é uma pintura metafísica, precursora do surrealismo

André Breton (1896-1966), escritor francês e ex-participante do Dadaísmo, rompeu com o líder do movimento dadaísta Tristan Tzara.

Com isso, lançou em Paris, em 1924, o Manifesto Surrealista, que trouxe para o mundo um novo modo de encarar a arte. Segundo ele, o termo consiste em:

SURREALISMO, s.m. Automatismo psíquico em estado puro, mediante o qual se propõe exprimir, verbalmente, por escrito, ou por qualquer outro meio, o funcionamento do pensamento. Ditado do pensamento, suspenso qualquer controle exercido pela razão, alheio a qualquer preocupação estética ou moral.

No manifesto, os princípios surrealistas são apresentados, entre eles a isenção da lógica e a adoração de uma realidade superior, chamada "maravilhosa".

Nesse mesmo ano, circula o primeiro número da revista A Revolução Surrealista, que reunia todos os meios de expressão artística, com ostensiva exclusão da música.

Principais características do surrealismo

De forma simplificada, podemos listar as seguintes características dessa vertente artística:

  • pensamento livre;
  • expressividade espontânea;
  • influência das teorias da psicanálise;
  • criação de uma "realidade paralela";
  • criação de cenas irreais;
  • valorização do inconsciente.

O surrealismo propõe a valorização da fantasia, da loucura e a utilização da reação automática. Nessa perspectiva, o artista deve deixar-se levar pelo impulso, registrando tudo o que lhe vier à mente, sem se preocupar com a lógica.

Os artistas surrealistas tinham como objetivo usar o potencial do subconsciente e dos sonhos como fonte para a criação de imagens fantásticas.

Assim, as artes plásticas e a literatura eram vistas como um meio de expressar a fusão dos sonhos e da realidade em um tipo de realidade absoluta, uma "surrealidade".

Na mesma época, o estudo da psicanálise estava em desenvolvimento - sobretudo por Sigmund Freud - o que veio a influenciar significativamente o surrealismo.

Rumos do Surrealismo

Na pintura, o Surrealismo tomou duas direções: a pintura surrealista figurativa e a abstrata.

Em ambas, adaptou as técnicas de escrita automática dos poetas surrealistas. O intuito era liberar a mente do controle consciente e produzir um fluxo de ideias do subconsciente. Essas obras eram abstratas ou figurativas.

Em outra perspectiva, o surrealismo baseou-se em reconstruções elaboradas e meticulosas de um mundo de sonho, onde objetos eram colocados em uma justaposição inesperada.

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Principais Artistas e Obras do Surrealismo

O surrealismo teve alguns nomes de destaque, entre eles:

1. Max Ernst

max ernst frottage
A Roda da Luz (1925), obra de Max Ernst utilizando a técnica frottage

Em 1925, o pintor alemão Max Ernst (1891-1976) - antes dadaísta - inventou a técnica frottage, palavra que em francês significa "friccionar".

Nesse método, o artista fricciona o lápis (ou outro material) em um papel sobre uma superfície texturizada. Assim, imagens surgiam e eram usadas como apareciam, ou serviam como base para um novo desenho.

epifania max ernst
Epifania (1940), de Max Ernst. Aqui a técnica empregada é a decalcomania

O artista usou também a decalcomania, em que se coloca a tinta em superfícies como vidro ou metal e pressiona-se sobre um apoio de tela ou de papel. As formas resultantes eram então trabalhadas criativamente.

2. Joan Miró

joan miró
Carnaval de Arlequim (1924-25), de Joan Miró

O pintor espanhol Joan Miró (1893-1983), em sua obra "Carnaval do Arlequim" (1924-25), cruzou a fronteira entre a observação do "modelo externo" e símbolos que fluíam do subconsciente.

Embora baseado em desenhos feitos em estado de alucinação, sua composição é altamente organizada através da intervenção do controle consciente.

3. René Magritte

isso não é um cachimbo
A tela A traição das imagens (1929), de Magritte, é uma de suas obras mais famosas

O pintor belga René Magritte (1898-1967) rejeitou a suposta espontaneidade do automatismo por considerá-la falsa.

Passou a trabalhar com imagens que, à primeira vista, pareciam convencionais, mas às quais dava um caráter bizarro por sobreposições.

4. Salvador Dalí

a persistência da memória
A persistência da memória (1931), do pintor espanhol Salvador Dali

Nascido na Espanha, o pintor Salvador Dalí (1904-1989) tornou-se um membro oficial do grupo surrealista e deu a ele um novo ímpeto com seu método de atividade paranoica. Ele certamente é o artista mais lembrado quando se fala de surrealismo.

Dalí interessava-se por condições mentais anormais e, em particular, por alucinações. Suas estranhas imagens eram retratadas de modo que se assemelhavam à fotografia em cores.

Surrealismo no Brasil

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À esquerda, a tela Desejo de Amor (1932), de Ismael Nery. À direita, Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral

No Brasil, o Surrealismo exerceu considerável influência sobre o movimento Modernista. O escritor Oswald de Andrade foi um dos maiores expoentes.

Em seu Manifesto Antropófago, no romance Serafim Ponte Grande e nas peças O Homem e o Cavalo e a Morta, podemos notar elementos que se relacionam com as técnicas de criação surrealista.

Além da literatura, essa vertente artística exerceu influência também nos artistas plásticos: Tarsila do Amaral, Ismael Nery e Cícero Dias.

Para saber mais sobre outros movimentos da arte, leia:

Laura Aidar
Laura Aidar
Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007. Formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design de São Paulo (2010).