Dadaísmo

Daniela Diana

O Dadaísmo, ou simplesmente “Dadá”, foi um movimento artístico pertencente às vanguardas europeias do século XX cujo lema era: "a destruição também é criação".

Foi considerado o movimento propulsor das ideias surrealistas, de caráter ilógico e anti-racionalista, que segundo o próprio fundador do movimento, Tristan Tzara:

Dada não significa nada: Sabe-se pelos jornais que os negros Krou denominam a cauda da vaca santa: Dada. O cubo é a mãe em certa região da Itália: Dada. Um cavalo de madeira, a ama-de-leite, dupla afirmação em russo e em romeno: Dada. Sábios jornalistas viram nela uma arte para os bebês, outros jesus chamando criancinhas do dia, o retorno a primitivismo seco e barulhento, barulhento e monótono. Não se constrói a sensibilidade sobre uma palavra; toda a construção converge para a perfeição que aborrece, a ideia estagnante de um pântano dourado, relativo ao produto humano.

Características

  • Rompimento com os modelos tradicionais e clássicos;
  • Espírito vanguardista e de protesto;
  • Espontaneidade, improvisação e irreverência artística;
  • Anarquismo e niilismo;
  • Busca do caos e desordem;
  • Teor ilógico e irracional;
  • Caráter irônico, radical, destrutivo, agressivo e pessimista;
  • Aversão a guerra e aos valores burgueses;
  • Rejeição ao nacionalismo e ao materialismo;
  • Crítica ao consumismo e ao capitalismo.

Origem do Movimento

Tristan Tzara (1896-1963) foi o fundador do movimento Dadaísta, em meados da primeira guerra mundial, junto aos artistas Hugo Ball (1886-1927) e Hans Arp (1886-1966).

Tristan Tzara

Tristan Tzara, o maior articulador do movimento dadaísta

Dessa forma, em 1916, no Cabaret Voltaire em Zurique, Suíça, um grupo de artistas refugiados, dentre escritores, pintores e poetas, reuniram-se para inaugurar uma nova manifestação de arte.

Essa proposta de arte era irreverente e espontânea pautada na irracionalidade, na ironia, na liberdade, no absurdo e no pessimismo. O intuito principal era de chocar a burguesia da época e criticar a arte tradicionalista, a guerra e o sistema.

Foi assim que aleatoriamente foi escolhido o termo "dadaísmo". Os artistas reunidos resolveram escolher um termo num dicionário, que de certa maneira, já indicava o caráter ilógico do movimento que surgia. Do francês, o termo “dadá” significa "cavalo de madeira".

Nesse sentido, o dadaísmo é considerado um movimento antiartístico, uma vez que questiona a arte e busca o caótico e a imperfeição.

"Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípios contra manifestos (...). Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, numa única fresca respiração; sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem pró nem contra e não explico por que odeio o bom-senso. A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta." (Tristan Tzara)

Dadaísmo no Brasil

O dadaísmo, assim como outras vanguardas artísticas europeias, influenciou o movimento modernista que surgia no Brasil.

Na literatura, podemos notar essa influencia em algumas manifestações dos escritores Mario de Andrade e Manuel Bandeira. Além deles, destaca-se o "teatro de experiência" de Flávio de Carvalho e as pinturas de Ismael Nery.

Veja abaixo um poema de Mário de Andrade, com influência dadaísta:

Ode ao burguês

Eu insulto o burgês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco! (...)

Dadaísmo na Literatura

Note que o movimento dadaísta se difundiu nas artes plásticas e também na literatura. Os poetas dadaístas cultivavam a disposição aleatória das palavras.

Dessa forma, era notória a falta de lógica e irracionalidade, próprias do dadaísmo. Ocorria assim, a banalização das rimas e da construção poética.

Poema Dadaísta

Segundo Tristan Tzara, ao enfatizar a importância da sonoridade das palavras em detrimento de seu significado, para fazer um poema dadaísta é necessário:

Pegue um jornal. Pegue a tesoura. Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Recorte o artigo. Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco. Agite suavemente. Tire em seguida cada pedaço um após o outro. Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco. O poema se parecerá com você. E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público”.

Artistas Dadaístas

A fonte de Duchamp

A Fonte (1917) de Marcel Duchamp, uma das obras mais emblemáticas do dadaísmo

Alguns artistas plásticos e poetas que participaram do movimento dadaísta foram:

  • Tristan Tzara: poeta romeno;
  • Marcel Duchamp: poeta, pintor e escultor francês;
  • Hans Arp: poeta e pintor alemão;
  • Francis Picabia: poeta e pintor francês;
  • Max Ernst: pintor alemão;
  • Raoul Hausmann: poeta e artista plástico austríaco;
  • Hugo Ball: poeta e filósofo alemão;
  • Richard Huelsenbeck: escritor e psicanalista alemão;
  • Sophie Täuber: artista plástica suíça.

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.