Dadaísmo

Laura Aidar

O Dadaísmo, ou simplesmente “Dadá”, foi um movimento artístico pertencente às vanguardas europeias do século XX, cujo lema era: "a destruição também é criação".

Foi considerado o movimento propulsor das ideias surrealistas e tinha um caráter ilógico, anti-racionalista e de protesto.

Isso porque, através da ironia, buscava questionar a arte e, sobretudo, seu contexto histórico, com a ocorrência da Primeira Guerra Mundial.

Características do Dadaísmo

Podemos destacar algumas características do movimento dadaísta, a saber:

  • Rompimento com os modelos tradicionais e clássicos;
  • Espírito vanguardista e de protesto;
  • Espontaneidade, improvisação e irreverência artística;
  • Anarquismo e niilismo;
  • Busca do caos e desordem;
  • Teor ilógico e irracional;
  • Caráter irônico, radical, destrutivo, agressivo e pessimista;
  • Aversão à guerra e aos valores burgueses;
  • Rejeição ao nacionalismo e ao materialismo;
  • Crítica ao consumismo e ao capitalismo.

Origem do Movimento Dadaísta

Tristan Tzara dadaísmo
Tristan Tzara, o maior articulador do movimento dadaísta

Em 1916, os artistas e agitadores culturais Hugo Ball, Emmy Hennings, Marcel Janco, Richard Huelsenbeck, Tristan Tzara, Sophie Tauber-Arp e Jean Arp fundam o Cabaret Voltaire.

O espaço foi feito com o intuito de ser um lugar para manifestações políticas e artísticas em Zurique, na Suiça. Lá, um grupo de artistas refugiados com tendências anarquistas, dentre escritores, pintores e poetas, reuniram-se para inaugurar uma nova manifestação de arte.

É nesse contexto que o poeta romeno Tristan Tzara (1896-1963) cria o movimento Dadaísta, em meados da primeira guerra mundial, junto aos artistas Hugo Ball (1886-1927) e Hans Arp (1886-1966).

Essa proposta de arte era irreverente e espontânea, pautada na irracionalidade, na ironia, na liberdade, no absurdo e no pessimismo. O intuito principal era de chocar a burguesia da época e criticar a arte tradicionalista, a guerra e o sistema.

Foi assim que aleatoriamente foi escolhido o termo "dadaísmo". Os artistas reunidos resolveram escolher um termo num dicionário que, de certa maneira, já indicava o caráter ilógico do movimento que surgia. Do francês, o termo “dadá” significa "cavalo de madeira".

cabaret voltaire
Intervenção de manequim pendurado no teto na Primeira Feira Internacional Dadá, 1920

Nesse sentido, o dadaísmo é considerado um movimento antiartístico, uma vez que questiona a arte e busca o caótico e a imperfeição.

"Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípios contra manifestos (...). Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, numa única fresca respiração; sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem pró nem contra e não explico por que odeio o bom-senso. A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta." (Tristan Tzara)

Dadaísmo no Brasil

O dadaísmo, assim como outras vanguardas artísticas europeias, influenciou o movimento modernista que surgia no Brasil, sobretudo após a Semana de Arte Moderna.

Na literatura, podemos notar essa influencia em algumas manifestações dos escritores Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Além deles, destaca-se o "teatro de experiência" de Flávio de Carvalho e as pinturas de Ismael Nery.

Veja abaixo um poema de Mário de Andrade, com influência dadaísta:

Ode ao burguês

Eu insulto o burgês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco! (...)

Dadaísmo na Literatura

Note que o movimento dadaísta se difundiu nas artes plásticas e também na literatura. Os poetas dadaístas cultivavam a disposição aleatória das palavras.

Dessa forma, era notória a falta de lógica e irracionalidade, próprias do dadaísmo. Ocorria assim, a banalização das rimas e da construção poética.

Segundo Tristan Tzara, ao enfatizar a importância da sonoridade das palavras em detrimento de seu significado, para fazer um poema dadaísta é necessário:

Pegue um jornal. Pegue a tesoura. Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Recorte o artigo. Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco. Agite suavemente. Tire em seguida cada pedaço um após o outro. Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco. O poema se parecerá com você. E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público”.

Artistas Dadaístas

duchamp dadaísmo
Duchamp foi um dos expoentes do Dadá. À esquerda, posa com Roda de Bicicleta. À direita, Fonte

Alguns artistas plásticos e poetas que participaram do movimento dadaísta foram:

  • Tristan Tzara: poeta romeno;
  • Marcel Duchamp: poeta, pintor e escultor francês;
  • Hans Arp: poeta e pintor alemão;
  • Francis Picabia: poeta e pintor francês;
  • Max Ernst: pintor alemão;
  • Raoul Hausmann: poeta e artista plástico austríaco;
  • Hugo Ball: poeta e filósofo alemão;
  • Richard Huelsenbeck: escritor e psicanalista alemão;
  • Sophie Täuber: artista plástica suíça.

Para saber sobre outros movimentos da arte, leia:

Confira também essa seleção de questões que separamos para você testar seus conhecimentos: Exercícios sobre Vanguardas Europeias.

Quiz de História da Arte

Laura Aidar
Laura Aidar
Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007. Formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design de São Paulo (2010).