Arte Gótica

Laura Aidar

A arte gótica foi uma expressão artística da Baixa Idade Média (século XII) que perdurou até o Renascimento.

Denominada de arte das catedrais, ela era realizada nas cidades. Foi uma reação ao estilo românico e pretendeu rivalizar com os mosteiros e basílicas que eram construídas no campo.

Isso porque nesse momento, as cidades começaram a crescer por conta da economia fundamentada no comércio.

Anteriormente, as vivências coletivas estavam concentradas no campo e os mosteiros consistiam nos locais de desenvolvimento intelectual e artístico.

catedral de Milão
A Catedral de Milão, na Itália, é um exemplo de arte gótica

O marco histórico desse movimento ocorreu nas imediações de Paris, quando a Abadia Real de Saint-Denis foi construída, entre os anos de 1137 e 1144.

Essa basílica é considerada a primeira edificação com características da arte gótica, como sua fachada com três portais que levam às três naves dentro da igreja.

Abadia da Saint-Denis
A Abadia da Saint-Denis, na França (cerca de 1140) é considerada o marco da arte gótica

Posteriormente, a Arte Gótica irá se expandir para Inglaterra, Alemanha, Itália, Polônia e Península Ibérica.

Contudo, esta arte grandiosa somente foi possível após a solidificação das monarquias. Isso permitiu o desenvolvimento comercial e urbano, levando ao desenvolvimento das rotas comerciais e favorecendo, ainda mais, o crescimento das cidades.

Os recursos para obras tão magníficas eram obtidos mediante a contribuições dos fiéis, principalmente daqueles que compunham a burguesia em ascensão.

Portanto, a Arte Gótica marca o triunfo das cidades, onde a Igreja percebe ter o apoio de uma grande parcela dos fiéis, para quem irá construir catedrais. Elas representavam símbolos do poder político da Igreja e econômico da burguesia.

Serão as catedrais a exaltarem a beleza do ideal divino, por meio de uma harmonia permeada pela religiosidade.

Origem do termo "gótico"

Quando foi criado, esse estilo artístico não era intitulado "gótico". O termo foi criado posteriormente, quando o renascentista Giorgio Vassari se referiu de maneira pejorativa à esse tipo arte, no século XVI.

Ele traça um paralelo com os godos, povo bárbaro que invadiu e destruiu Roma, em 410. Dessa forma, ele expressa sua rejeição a esse gênero de arte.

Mais tarde o termo foi incorporado, perdeu o caráter aviltante e ficou relacionado à arquitetura dos arcos curvilíneos.

Arquitetura Gótica

catedral gótica
Catedral gótica em Canterbury, Inglaterra

A arquitetura gótica é o resultado dos avanços técnicos obtidos pelas corporações de construtores.

Eles conseguiram dominar a geometrização e suas relações matemáticas com um objetivo muito claro: a verticalidade, visto que buscavam um direcionamento para o céu.

A arquitetura foi a principal expressão da arte gótica e a ela estará atrelada à pintura e à escultura.

A desmaterialização das paredes, agora mais finas e leves, bem como a distribuição da luz no espaço, possibilitada por um número maior de vãos e janelas, permitiu um espaço mais livre e luminoso.

A luz mística e a grandiosidade constituem o veículo para comunhão com o divino.

O arco em ponta e a rosácea - também chamada de mandala - serão atributos continuamente presentes nesse estilo arquitetônico, o qual busca substituir o horizontalismo românico pela verticalidade gótica.

Rosácea no interior da Abadia de Saint- Denis
Rosácea no interior da Abadia de Saint- Denis (França)

Escultura Gótica

A escultura gótica também expressa o desejo de verticalidade. Contudo, esboça também o naturalismo capaz de atribuir movimento e vida às esculturas, as quais são, quase sempre, um complemento à arquitetura.

escultura gótica
À esquerda, escultura de Giovanni Pisano (1305). À direita, O Cavaleiro, autoria desconhecida, cerca de 1235, na Catedral de Bamberg (Alemanha).

Também era comum a presença de esculturas de monstros ou figuras humanas nos telhados das igrejas góticas, a fim de escoar as águas pluviais. Essas representações são intituladas gárgulas.

gárgula gótica
As gárgulas eram esculturas colocadas nas construções góticas a fim de escoar as águas pluviais

Pintura Gótica

A pintura gótica irá se delinear claramente em meados de 1350, quando terá lugar fora da arquitetura, à qual adornava murais, afrescos e vitrais.

De toda forma, ela buscou transmitir o mesmo naturalismo e simbolismo religioso da escultura e da arquitetura.

pintura gótica giotto
Afresco A lamentação (1306), pintado por Giotto di Bondone, na Capela de Scrovegni, Pádua, Itália

Os vitrais, pedaços coloridos de vidro unidos por chumbo, tinham como objetivo emocionar o expectador e ensiná-lo sobre a religião católica.

De forma mais autônoma, a pintura irá se desenvolver nas iluminuras dos manuscritos, onde o volume irá se aproximar das formas escultóricas que adornam a catedral.

É muito comum, nessas pinturas, a substituição da luz por fundos dourados, bem como a figuração de personagens religiosos com pouco volume.

Podemos citar como grandes expoentes da pintura gótica o italiano Giotto di Bondone (1267-1337) e o holandês Jan Van Eyck (1390-1441).

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Laura Aidar
Laura Aidar
Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007. Formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design de São Paulo (2010).