Ariano Suassuna

Daniela Diana

Ariano Suassuna foi escritor e dramaturgo brasileiro, autor do Auto da Compadecida, considerada sua obra prima que foi adaptada para o cinema e televisão.

Além de escritor renomado e um dos maiores do Brasil, Ariano foi professor e idealizador do Movimento Armorial que valorizou as artes populares.

Nesse movimento, os artistas tinham o intuito de criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste.

Suassuna foi ocupante da cadeira nº 32 na Academia Brasileira de Letras (eleito em 1989). Também foi membro da Academia Pernambucana de Letras (a partir de 1993) e da Academia Paraibana de Letras (eleito em 2000).

Biografia

ariano suassuna

Ariano Vilar Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927, na cidade de João Pessoa, Paraíba.

Nasceu no seio de uma família abastada, visto que seu pai, João Suassuna, era presidente do Estado, cargo que mais tarde passa a ser de governador.

Com o assassinato de seu pai em meio a Revolução de 30, a família muda-se para Taperoá e mais tarde para Campina Grande, ambas cidades na Paraíba.

Na adolescência foi viver no Recife, capital de Pernambuco. Ali, foi estudante do curso de Direito, na Universidade Federal de Pernambuco formando-se em 1950.

Durante seus anos na graduação, escreve sua primeira peça de teatro “Uma Mulher Vestida de Sol” e com ela recebeu o prêmio Nicolau Carlos Magno.

Ao lado de Hermilo Barbosa Filho funda o “Teatro do Estudante de Pernambuco”. Essa criação foi a chave para escrever mais peças, as quais foram encenadas no local.

Chegou a trabalhar na área de advocacia, no entanto, não deixou de lado sua paixão pela escrita. Assim, continuou escrevendo peças e romances.

Casou-se com Zélia de Andrade Lima Suassuna em 1957 e com ela teve seis filhos.

Casamento de Suassuna

Casamento de Ariano Suassuna e Zélia Suassuna

Suassuna como Professor

De volta ao Recife começou a lecionar “Estética” na Universidade Federal de Pernambuco, a partir de 1956.

Ainda nessa profissão continuou atuando na dramaturgia e três anos mais tarde funda o "Teatro Popular do Nordeste", também com o apoio de Hermilo Barbosa Filho.

Permaneceu atuando como professor durante anos e em 1994 aposentou-se pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Aula de Ariano Suassuna

Aula-espetáculo de Ariano Suassuna na abertura da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto (2013)

Suassuna e o Movimento Armorial

Muitas de suas obras estiveram voltadas para a literatura popular.

Ligado a esses temas, Suassuna foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura, cargo que ocupou de 1967 a 1973.

Paralelo à isso, fez parte do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco entre os anos de 1968 e 1972.

De 1969 a 1974 atuou como diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE.

A partir de 1970, encabeçou o “Movimento Armorial”, com foco nas expressões populares. A ideia central era trazer à tona o folclore e as artes populares e conceder um valor erudito aos temas.

Esse movimento inclui diversas manifestações artísticas como a música, a dança, as artes plásticas, a literatura, o teatro, o cinema, etc. Segundo ele:

Sou a favor da internacionalização da cultura, mas não acabando as peculiaridades locais e nacionais.”

Prêmios

Suassuna na ABL

Ariano Suassuna recebe o colar da escritora Rachel de Queirós na ABL (Academia Brasileira de Letras) em São Paulo.

Suassuna recebeu o Prêmio Nacional de Ficção em 1973 e o prêmio da Fundação Conrado Wessel (FCW) em 2008.

Pelo Auto da Compadecida ganhou medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais.

Recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Também o recebeu das Universidades: Universidade Federal da Paraíba (2002); Universidade Federal Rural de Pernambuco (2005); Universidade de Passo Fundo (2005); e Universidade Federal do Ceará (2006).

Morte

Ariano Suassuna faleceu em 23 de julho de 2014, no Recife, Pernambuco, vítima de uma parada cardíaca.

Isso ocorreu depois de ter sido internado com um AVC (acidente vascular cerebral). O escritor paraibano tinha 87 anos.

Obras

Suassuna escreveu ensaios, romances, dramaturgias e poemas. A maior parte de sua obra está relacionada com os elementos nordestinos.

Assim, Suassuna explora a fala regional e parte do folclore brasileiro. O escritor possui uma vasta obra das quais merecem destaque:

  • Uma Mulher Vestida de Sol (1947)
  • Cantam as Harpas de Sião ou O Desertor de Princesa (1948)
  • Os Homens de Barro (1949)
  • Auto de João da Cruz (1950)
  • Torturas de um Coração (1951)
  • O Castigo da Soberba (1953)
  • O Rico Avarento (1954)
  • Auto da Compadecida (1955)
  • O Casamento Suspeitoso (1957)
  • O Santo e a Porca (1957)
  • O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna (1958)
  • A Pena e a Lei (1959)
  • Farsa da Boa Preguiça (1960)
  • A Caseira e a Catarina (1961)
  • O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971)

Frases de Suassuna

  • Não troco o meu oxente pelo ok de ninguém!
  • Você pode escrever sem erros ortográficos, mas ainda escrevendo com uma linguagem coloquial.”
  • O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.”
  • Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.”
  • O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado.”

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.