Exercícios ENEM
O passado na tela do computador Um dos desafios do novo Museu da...
O passado na tela do computador
Um dos desafios do novo Museu da Imigração é se contrapor à imagem deixada pela exibição do acervo permanente na época do Memorial do Imigrante, muito criticada por dar ênfase demasiada aos imigrantes estrangeiros e pouca atenção aos brasileiros. Era uma representação desproporcional em relação aos números: dos 3,5 milhões de pessoas que passaram pela hospedaria de imigrantes de São Paulo, aproximadamente 1,9 milhão eram estrangeiras (de 75 nacionalidades e etnias) e 1,6 milhão eram brasileiras, oriundas, principalmente, dos estados nordestinos.
HEBMÜLLER, P. Problemas brasileiros, n. 414, nov.-dez. 2012 (adaptado).
O autor do texto sobre a digitalização do acervo do novo Museu da Imigração apresenta a ênfase no imigrante estrangeiro como um problema de representação equivocada da imigração em São Paulo. Para tanto, fundamenta seu ponto de vista no(a)
panorama apresentado como a atual realidade do imigrante em São Paulo.
uso da tecnologia para aprimorar a imagem do imigrante em São Paulo.
desequilíbrio nas representações usuais dos imigrantes em São Paulo.
Escrever A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz...
Escrever
A estudante perguntou como era essa coisa de escrever.
Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.
Primeiro evite esses coloquialismos de “fofo” e “moleza”, passe longe das gírias ainda não dicionarizadas e de tudo mais que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em quando, aplique uma gíria como se fosse um piparote de leve no cangote do texto, mas, em geral, evite. Fuja dessas rimas bobinhas, desses motes sonoros. O leitor pode se achar diante de um rapper frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se soar muito estranho, reescreva.
Quando quiser aplicar um “mas”, tome fôlego, ligue para o 0800 do Instituto Fernando Pessoa, peça autorização ao sábio de plantão, e, por favor, volte atrás. É um cacoete facilitador. Dele deve ter vindo a expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma pessoa cheia de “não é bem assim”, uma chata que usa o truque para afirmar e depois, como se fosse estilo, obtemperar.
SANTOS, J. F. O Globo, 10jan. 2011 (adaptado).
A língua varia em função de diferentes fatores. Um deles é a situação em que se dá a comunicação. Na crônica, ao ser interrogado sobre a arte de escrever, o autor utiliza, em meio à linguagem escrita padrão, condizente com o contexto,
Argumento Tá legal Eu aceito o argumento Mas não me altere o samba...
Argumento
Tá legal
Eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim
Sem preconceito
Ou mania de passado
Sem querer ficar do lado
De quem não quer navegar
Faça como o velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar.
PAULINHO DA VIOLA. Disponível em: www.paulinhodaviola.com.br. Acesso em: 6 dez. 2012.
Na letra da canção, percebe-se uma interlocução. A posição do emissor é conciliatória entre as tradições do samba e os movimentos inovadores desse ritmo. A estratégia argumentativa de concessão, nesse cenário, é marcada no trecho
“Mas não me altere o samba tanto assim”.
“Olha que a rapaziada está sentindo a falta”.
“Sem preconceito / Ou mania de passado”.
“Sem querer ficar do lado / De quem não quer navegar”.
“Leva o barco devagar”.
A charge aborda uma situação do cotidiano de algumas famílias.

A charge aborda uma situação do cotidiano de
algumas famílias. Nesse sentido, ela tem o objetivo
comunicativo de
denunciar os prejuízos da falta de diálogo entre pais e filhos.
Alguns elementos linguísticos estabelecem relações entre as...

Alguns elementos linguísticos estabelecem relações entre as diferentes partes do texto. Nesse texto, o vocábulo “Assim” (ℓ. 9) tem a função de
contrariar os argumentos anteriores.
sintetizar as informações anteriores.
acrescentar um novo argumento.
introduzir uma explicação.
apresentar uma analogia.
Um menino aprende a ler Minha mãe sentava-se a coser e retinha-me de...
Um menino aprende a ler
Minha mãe sentava-se a coser e retinha-me de livro na mão, ao lado dela, ao pé da máquina de costura. O livro tinha numa página a figura de um bicho carcunda ao lado da qual, em letras graúdas, destacava-se esta palavra: ESTÔMAGO. Depois de soletrar “es-to-ma-go”, pronunciei “estomágo”. Eu havia pronunciado bem as duas primeiras palavras que li, camelo e dromedário. Mas estômago, pronunciei estomágo. Minha mãe, bonita como só pode ser mãe jovem para filho pequeno, o rosto alvíssimo, os cabelos enrolados no pescoço, parou a costura e me fitou de fazer medo: “Gilberto!”. Estremeci. “Estomágo? Leia de novo, soletre”. Soletrei, repeti: “Estomágo”. Foi o diabo.
Jamais tinha ouvido, ao que me lembrasse então, a palavra estômago. A cozinheira, o estribeira, os criados, Bernarda, diziam “estambo”. “Estou com uma dor na boca do estambo...”, “Meu estambo está tinindo...”. Meus pais teriam pronunciado direito na minha presença, mas eu não me lembrava. E criança, como o povo, sempre que pode repele proparoxítono.
AMADO, G. História da minha infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.
No trecho, em que o narrador relembra um episódio de sua infância, revela-se a possibilidade de a língua se realizar de formas diferentes. Com base no texto, a passagem em que se constata uma marca de variedade linguística pouco prestigiada é:
“Jamais tinha ouvido, ao que me lembrasse então, a palavra estômago”.
“A cozinheira, o estribeira, os criados, Bernarda, diziam 'estambo’”.
A peça publicitária, em pauta, busca promover uma conscientização...

A peça publicitária, em pauta, busca promover uma conscientização social. Pela análise dos procedimentos
argumentativos utilizados pelo autor, o texto
opõe a fragilidade da criança aos desmandos dos adultos.
elenca as causas da existência do trabalho infantil no Brasil.
detalha as iniciativas governamentais de solução do problema abordado.
Um cachorro cor de carvão dorme no azul etéreo de uma rede de pesca...
Um cachorro cor de carvão dorme no azul etéreo de uma rede de pesca enrolada sobre a grama da Praça Vinte e Um de Abril. O sol bate na frente nos degraus cinzentos da escadaria que sobe a encosta do morro até a Igreja da Matriz. A ladeira de paralelepípedos curta e íngreme ao lado da igreja passa por um galpão de barcos e por uma casa de madeira pré-moldada. Acena para a velhinha marrom que toma sol na varanda sentada numa cadeira de praia colorida. O vento nordeste salgado tumultua as árvores e as ondas. Nuvens esparramadas avançam em formação do mar para o continente como um exército em transe. A ladeira faz uma curva à esquerda passando em frente a um predinho do século dezoito com paredes brancas descascadas ejanelas recém-pintadas de azul-cobalto.
GALERA, D. Barba ensopada de sangue. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.
Adescrição, subjetiva ou objetiva, permite ao leitor visualizar o cenário onde uma ação se desenvolve e os personagens que dela participam. O fragmento do romance caracteriza-se como uma descrição subjetiva porque
constrói sequências temporais pelo emprego de expressões adverbiais.
apresenta frases curtas, de ordem direta, com elementos enumerativos.
recorre a substantivos concretos para representar um ambiente estático.
cria uma ambiência própria por meio de nomes e verbos metaforizados.
prioriza construções oracionais de valor semântico de oposição.
No texto, a diversidade linguística é apresentada pela ótica de um...

No texto, a diversidade linguística é apresentada pela
ótica de um observador que entra em contato com
uma comunidade linguística diferente da sua. Esse
observador é um
turista europeu com domínio de duas variedades do português em visita a Lisboa.
português com domínio da variedade coloquial da língua falada no Brasil.
poeta brasileiro defensor do uso padrão da língua falada em Portugal.
A mulher entra no quarto do filho decidida a ter uma conversa séria.
A mulher entra no quarto do filho decidida a ter uma conversa séria. De novo, as respostas dele à interpretação do texto na prova sugerem uma grande dificuldade de ler. Dispersão pode ser uma resposta para parte do problema. A extensão do texto pode ser outra, mas nesta ela não vai tocar porque também é professora e não vai lhe dar desculpas para ir mal na escola. Preguiça de ler parece outra forma de lidar com a extensão do texto. Ele está, de novo, no computador, jogando. Levanta os olhos com aquele ar de quem pode jogar e conversar ao mesmo tempo. A mãe lhe pede que interrompa o jogo e ele pede à mãe “só um instante para salvar”. Curiosa, ela olha para a tela e espanta-se com o jogo em japonês. Pergunta-lhe como consegue entender o texto para jogar. Ele lhe fala de alguma coisa parecida com uma “lógica de jogo” e sobre algumas tentativas com os ícones. Diz ainda que conhece a base da história e que, assim, mesmo em japonês, tudo faz sentido. Aquela conversa acabou sendo adiada. A mãe-professora, capturada por outros sentidos de leitura, não se sentia pronta naquele momento. Consciente, suspende a ação.
BARRETO, R. G. Formação de professores, tecnologias e linguagens: mapeando velhos e novos (des)encontros. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).
A reação da mãe-professora frente às habilidades da
“geração digital” contemporânea reflete o desafio que se tem enfrentado de
aplicar as mesmas formas de ler textos impressos a textos digitais.
interpretar as várias informações na leitura de textos em multimídia.
lidar com as novas práticas de leitura que emergem com a tecnologia.
superar as dificuldades de leitura geradas pelos jogos de computadores.
trabalhar a dificuldade de leitura usando as tecnologias como ferramentas.