Exercícios ENEM
O acesso à educação profissional e tecnológica pode mudar a vida...
O acesso à educação profissional e tecnológica pode mudar a vida de milhões de jovens em todo o país: há uma nova lei do estágio. Com a nova lei, o governo federal define o estágio profissional como ato educativo e determina medidas para que esta atividade contribua para familiarizar o futuro profissional com o mundo do trabalho. Entre as medidas estabelecidas, estão: a obrigatoriedade da supervisão por parte do professor da instituição de origem do estudante com o auxílio de um profissional no local de trabalho, a definição de jornada máxima de trabalho de quatro a seis horas.
Carta na Escola. N° 32, dez. 2008/jan. 2009 (adaptado).
Ao listar as mudanças ocorridas na legislação referente ao estágio, o autor do texto tem como objetivo
familiarizar milhões de jovens estudantes com o seu futuro profissional.
mostrar que as políticas públicas favorecem os trabalhadores da educação.
incentivar a obrigatoriedade da supervisão por parte do professor.
familiarizar o leitor com as instituições que definem o ensino profissionalizante.
apresentar as novas normas que definem o estágio profissional para estudantes.
Gravuras e pinturas são duas modalidades da prática gráfica...
Gravuras e pinturas são duas modalidades da prática gráfica rupestre, feitas com recursos técnicos diferentes. Existem vastas áreas nas quais há dominância de uma ou outra técnica no Brasil, o que não impede que ambas coexistam no mesmo espaço. Mas em todas as regiões há mãos, pés, antropomorfos e zoomorfos. Os grafismos realizados em blocos ou paredes foram gravados por meio de diversos recursos: picoteamento, entalhes e raspados.
DANTAS, M. Antes: história da pré-história. Brasília: CCBB, 2006

Nas figuras que representam a arte da pré-história
brasileira e estão localizadas no sítio arqueológico da
Serra da Capivara, estado do Piauí, e, com base no
texto, identificam-se
imagens do cotidiano que sugerem caçadas, danças, manifestações rituais.
Fernand Léger, artista francês envolvido com o movimento cubista,...

as formas retilíneas e mecanizadas, sem valorização da questão espacial.
as formas delicadas e sutis, para humanizar o operário da indústria têxtil.
a força da máquina na vida do trabalhador pelo jogo de formas, luz/sombra.
os recursos oriundos de um mesmo plano visual para dar sentido a sua proposta.
a forma robótica dada aos operários, privilegiando os aspectos triangulares.
— Adiante... Adiante... Não pares... Eu vejo. Canaã! Canaã! Mas o...
— Adiante... Adiante... Não pares... Eu vejo. Canaã! Canaã!
Mas o horizonte da planície se estendia pelo seio da noite e se confundia com os céus.
Milkau não sabia para onde o impulso os levava: era o desconhecido que os atraía com a poderosa e magnética força da Ilusão. Começava a sentir a angustiada sensação de uma corrida no Infinito...
— Canaã! Canaã!... suplicava ele em pensamento, pedindo à noite que lhe revelasse a estrada da Promissão.
E tudo era silêncio, e mistério... Corriam... corriam. E o mundo parecia sem fim, e a terra do Amor mergulhada, sumida na névoa incomensurável... E Milkau, num sofrimento devorador, ia vendo que tudo era o mesmo; horas e horas, fatigados de voar, e nada variava, e nada lhe aparecia... Corriam... corriam...
ARANHA, G. Canaã. São Paulo: Ática, 1998 (fragmento).
O sonho da terra prometida revela-se como valor humano
que faz parte do imaginário literário brasileiro desde a
chegada dos portugueses. Ao descrever a situação final
das personagens Milkau e Maria, Graça Aranha resgata
esse desejo por meio de uma perspectiva
subjetiva, pois valoriza a visão exótica da pátria brasileira.
simbólica, pois descreve o amor de um estrangeiro pelo Brasil.
idealizada, pois relata o sonho de uma pátria acolhedora de todos.
realista, pois traz dados de uma terra geograficamente situada.
crítica, pois retrata o desespero de quem não alcançou sua terra.
O RETIRANTE ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE, AOS...
O RETIRANTE ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE, AOS GRITOS DE: "Ó IRMÃOS DAS ALMAS! IRMÃOS DAS ALMAS! NÃO FUI EU QUE MATEI NÃO”
Irmãos das almas,
Embrulhado nessa rede?
Dizei que eu saiba.
— A um defunto de nada, I
irmão das almas,
Que há muitas horas viaja
À sua morada.
— E sabeis quem era ele,
Irmãos das almas,
Sabeis como ele se chama
Ou se chamava?
— Severino Lavrador,
Irmão das almas,
Severino Lavrador,
Mas já não lavra.
MELO NETO, J. C. Morte e vida Severina e outros poemas para vozes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994 (fragmento)
O personagem teatral pode ser construído tanto por
meio de uma tradição oral quanto escrita. A interlocução
entre oralidade regional e tradição religiosa, que serve
de inspiração para autores brasileiros, parte do teatro
português. Dessa forma, a partir do texto lido, identificam-se
personagens que
se comportam como caricaturas religiosas do teatro regional.
apresentam diferentes características físicas e psicológicas.
incorporam elementos da tradição local em um contexto teatral.
estão construídos por meio de ações limitadas a um momento histórico.
fazem parte de uma cultura local que restringe a dimensão estética.
Mudança Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas...
Mudança
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.
Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio. As manchas dos juazeiros tornaram a aparecer, Fabiano aligeirou o passo, esqueceu a fome, a canseira e os ferimentos. Deixaram a margem do rio, acompanharam a cerca, subiram uma ladeira, chegaram aos juazeiros. Fazia tempo que não viam sombra.
RAMOS, G. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2008 (fragmento).
Valendo-se de uma narrativa que mantém o distanciamento na abordagem da realidade social em questão, o texto expõe a condição de extrema carência dos personagens acuados pela miséria.
O recurso utilizado na construção dessa passagem, o qual comprova a postura distanciada do narrador, é a
caracterização pitoresca da paisagem natural.
descrição equilibrada entre os referentes físicos e psicológicos dos personagens.
narração marcada pela sobriedade lexical e sequência temporal linear.
metaforização do espaço sertanejo, alinhada com o projeto de crítica social.
Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e encontrava...
Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e encontrava um. Quando não encontrava, dava no mesmo, ele abria a janela, olhava o mundo e comunicava que não havia assunto. Fazia isso com tanto engenho e arte que também dava no mesmo: a crônica estava feita. Não tenho nem o engenho nem a arte de Rubem, mas tenho a varanda aberta sobre a Lagoa — posso não ver melhor, mas vejo mais. [...] Nelson Rodrigues não tinha problemas. Quando não havia assunto, ele inventava. Uma tarde, estacionei ilegalmente o Sinca-Chambord na calçada do jornal. Ele estava com o papel na máquina e provisoriamente sem assunto. Inventou que eu descia de um reluzente Rolls Royce com uma loura suspeita, mas equivalente à suntuosidade do carro. Um guarda nos deteve, eu tentei subornar a autoridade com dinheiro, o guarda não aceitou o dinheiro, preferiu a loura. Eu fiquei sem a multa e sem a mulher. Nelson não ficou sem assunto.
CONY, C. H. Folha de S. Paulo. 2 jan. 1998 (adaptado).
O autor lançou mão de recursos linguísticos que o auxiliaram na retomada de informações dadas sem repetir textualmente uma referência. Esses recursos pertencem ao uso da língua e ganham sentido nas práticas de linguagem. É o que acontece com os usos do pronome "ele" destacados no texto. Com essa estratégia, o autor conseguiu
comparar Rubem Braga com Nelson Rodrigues, dando preferência ao primeiro.
sugerir que os dois autores escrevem crônicas sobre assuntos semelhantes.
produzir um texto obscuro, cujas ambiguidades impedem a compreensão do leitor.
Nascido em 1935, José Francisco Borges ou J. Borges, como prefere ser...
Nascido em 1935, José Francisco Borges ou J. Borges, como prefere ser chamado, é um dos mais expressivos artistas populares do Brasil. Considerado por Ariano Suassuna o maior gravador popular do país, o artista foi um dos ilustradores do calendário da ONU do ano de 2002. Autodidata, J. Borges publicou seu primeiro cordel em 1964, intitulado O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, seguido de O Verdadeiro Aviso de Frei Damião Sobre os Castigos que Vêm, cuja publicação deu início à sua carreira de gravador. Na década de 1970, artistas plásticos, intelectuais e marchands passaram a encomendar suas xilogravuras, o que levou as imagens a ganharem cada vez mais autonomia em relação ao cordel. Desde então, o itinerário do artista vem se fortalecendo pela transmissão dos conhecimentos da xilogravura às novas gerações de sua família, com quem mantém a Casa de Cultura Serra Negra, no sertão pernambucano.
Disponível em: http://msn.onne.com.br. Acesso em: 21 maio 2010.

A xilogravura é um meio de expressão de grande força
artística e literária no Brasil, especialmente no Nordeste
brasileiro, onde os artistas populares talham a madeira,
transformando-a em verdadeiras obras de arte. Com total
liberdade artística, hoje já conquistaram espaço entre os
diversos setores culturais do país, retratando cenas
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um...
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo, que dança conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson ou nas mãos de um gandula. Em compensação, num racha de menino, ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quiçá no meio-fio, para de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho.
NOGUEIRA, A. Peladas. Os melhores da crônica brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977 (fragmento).
O texto expressa a visão do cronista sobre a bola de futebol. Entre as estratégias escolhidas para dar colorido a sua expressão, identifica-se, predominantemente, uma função da linguagem caracterizada pela intenção do autor em
manifestar o seu sentimento em relação ao objeto bola.
buscar influenciar o comportamento dos adeptos do futebol.
descrever objetivamente uma determinada realidade.
explicar o significado da bola e as regras para seu uso.
ativar e manter o contato dialógico com o leitor.
O nascimento da crônica Há um meio certo de começar a crônica por...
O nascimento da crônica
Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazemse algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica.
Mas, leitor amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer casimiras; a segunda é que, ainda havendo-os, Adão andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem.
ASSIS, M. In: SANTOS, J .F. As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007 (fragmento).
Um dos traços fundamentais da vasta obra literária de Machado de Assis reside na preocupação com a expressão e com a técnica de composição. Em O nascimento da crônica, Machado permite ao leitor entrever um escritor ciente das características da crônica, como
texto breve, diálogo com o leitor e registro pessoal de fatos do cotidiano.
síntese de um assunto, linguagem denotativa, exposição sucinta.
linguagem literária, narrativa curta e conflitos internos.
texto ficcional curto, linguagem subjetiva e criação de tensões.
priorização da informação, linguagem impessoal e resumo de um fato.