Exercícios ENEM
Vicente do Rego Monteiro foi um dos pintores, cujas telas foram...

Vicente do Rego Monteiro foi um dos pintores, cujas telas
foram expostas durante a Semana de Arte Moderna. Tal
como Michelangelo, ele se inspirou em temas bíblicos,
porém com um estilo peculiar. Considerando-se as obras
apresentadas, o artista brasileiro
estava preocupado em retratar detalhes da cena.
demonstrou irreverência ao retratar a cena bíblica.
optou por fazer uma escultura minimalista, diferentemente de Michelangelo.
Ele se aproximou e com a voz cantante de nordestino que a emocionou,...
Ele se aproximou e com a voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:
— E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?
— Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa, antes que ele mudasse de ideia.
— E se me permite, qual é mesmo a sua graça?
— Macabea.
— Maca — o quê?
— Bea, foi ela obrigada a completar.
— Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.
— Eu também acho esquisito mas minha mãe botou ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas parece que deu certo — parou um instante retomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor — pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...
[...]
Numa das vezes em que se encontraram ela afinal perguntou-lhe o nome.
— Olímpico de Jesus Moreira Chaves — mentiu ele porque tinha como sobrenome apenas o de Jesus, sobrenome dos que não têm pai. [...]
— Eu não entendo o seu nome — disse ela. — Olímpico?
Macabea fingia enorme curiosidade escondendo dele que ela nunca entendia tudo muito bem e que isso era assim mesmo. Mas ele, galinho de briga que era, arrepiou-se todo com a pergunta tola e que ele não sabia responder. Disse aborrecido:
— Eu sei mas não quero dizer!
— Não faz mal, não faz mal, não faz mal... a gente não precisa entender o nome.
LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1978 (fragmento).
Na passagem transcrita, a caracterização das personagens e o diálogo que elas estabelecem revelam alguns aspectos centrais da obra, entre os quais se destaca a
As vanguardas europeias não devem ser vistas isoladamente, uma vez...

abordagem sentimentalista do homem.
imagem plana para expressar a industrialização.
aproximação impossível entre máquina e homem.
uniformidade de tons como crítica à industrialização. © m
mecanização do homem expressa por formas tubulares.
Gravuras e pinturas são duas modalidades da prática gráfica...
Gravuras e pinturas são duas modalidades da prática gráfica rupestre, feitas com recursos técnicos diferentes. Existem vastas áreas nas quais há dominância de uma ou outra técnica no Brasil, o que não impede que ambas coexistam no mesmo espaço. Mas em todas as regiões há mãos, pés, antropomorfos e zoomorfos. Os grafismos realizados em blocos ou paredes foram gravados por meio de diversos recursos: picoteamento, entalhes e raspados.
DANTAS, M. Antes: história da pré-história. Brasília: CCBB, 2006

Nas figuras que representam a arte da pré-história
brasileira e estão localizadas no sítio arqueológico da
Serra da Capivara, estado do Piauí, e, com base no
texto, identificam-se
imagens do cotidiano que sugerem caçadas, danças, manifestações rituais.
Morte e vida Severina Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida:...
Morte e vida Severina
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte Severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia.
MELO NETO, J. C. Obra completa. Rio Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (fragmento).
sse fragmento, parte de um auto de Natal, o poeta retrata uma situação marcada pela
presença da morte, que universaliza os sofrimentos dos nordestinos.
figura do homem agreste, que encara ternamente sua condição de pobreza.
descrição sentimentalista de Severino, que divaga sobre questões existenciais.
opressão socioeconômica a que todo ser humano se encontra submetido.
O acesso à educação profissional e tecnológica pode mudar a vida...
O acesso à educação profissional e tecnológica pode mudar a vida de milhões de jovens em todo o país: há uma nova lei do estágio. Com a nova lei, o governo federal define o estágio profissional como ato educativo e determina medidas para que esta atividade contribua para familiarizar o futuro profissional com o mundo do trabalho. Entre as medidas estabelecidas, estão: a obrigatoriedade da supervisão por parte do professor da instituição de origem do estudante com o auxílio de um profissional no local de trabalho, a definição de jornada máxima de trabalho de quatro a seis horas.
Carta na Escola. N° 32, dez. 2008/jan. 2009 (adaptado).
Ao listar as mudanças ocorridas na legislação referente ao estágio, o autor do texto tem como objetivo
familiarizar milhões de jovens estudantes com o seu futuro profissional.
mostrar que as políticas públicas favorecem os trabalhadores da educação.
incentivar a obrigatoriedade da supervisão por parte do professor.
familiarizar o leitor com as instituições que definem o ensino profissionalizante.
apresentar as novas normas que definem o estágio profissional para estudantes.
Fernand Léger, artista francês envolvido com o movimento cubista,...

as formas retilíneas e mecanizadas, sem valorização da questão espacial.
as formas delicadas e sutis, para humanizar o operário da indústria têxtil.
a força da máquina na vida do trabalhador pelo jogo de formas, luz/sombra.
os recursos oriundos de um mesmo plano visual para dar sentido a sua proposta.
a forma robótica dada aos operários, privilegiando os aspectos triangulares.
— Adiante... Adiante... Não pares... Eu vejo. Canaã! Canaã! Mas o...
— Adiante... Adiante... Não pares... Eu vejo. Canaã! Canaã!
Mas o horizonte da planície se estendia pelo seio da noite e se confundia com os céus.
Milkau não sabia para onde o impulso os levava: era o desconhecido que os atraía com a poderosa e magnética força da Ilusão. Começava a sentir a angustiada sensação de uma corrida no Infinito...
— Canaã! Canaã!... suplicava ele em pensamento, pedindo à noite que lhe revelasse a estrada da Promissão.
E tudo era silêncio, e mistério... Corriam... corriam. E o mundo parecia sem fim, e a terra do Amor mergulhada, sumida na névoa incomensurável... E Milkau, num sofrimento devorador, ia vendo que tudo era o mesmo; horas e horas, fatigados de voar, e nada variava, e nada lhe aparecia... Corriam... corriam...
ARANHA, G. Canaã. São Paulo: Ática, 1998 (fragmento).
O sonho da terra prometida revela-se como valor humano
que faz parte do imaginário literário brasileiro desde a
chegada dos portugueses. Ao descrever a situação final
das personagens Milkau e Maria, Graça Aranha resgata
esse desejo por meio de uma perspectiva
subjetiva, pois valoriza a visão exótica da pátria brasileira.
simbólica, pois descreve o amor de um estrangeiro pelo Brasil.
idealizada, pois relata o sonho de uma pátria acolhedora de todos.
realista, pois traz dados de uma terra geograficamente situada.
crítica, pois retrata o desespero de quem não alcançou sua terra.
O RETIRANTE ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE, AOS...
O RETIRANTE ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO UM DEFUNTO NUMA REDE, AOS GRITOS DE: "Ó IRMÃOS DAS ALMAS! IRMÃOS DAS ALMAS! NÃO FUI EU QUE MATEI NÃO”
Irmãos das almas,
Embrulhado nessa rede?
Dizei que eu saiba.
— A um defunto de nada, I
irmão das almas,
Que há muitas horas viaja
À sua morada.
— E sabeis quem era ele,
Irmãos das almas,
Sabeis como ele se chama
Ou se chamava?
— Severino Lavrador,
Irmão das almas,
Severino Lavrador,
Mas já não lavra.
MELO NETO, J. C. Morte e vida Severina e outros poemas para vozes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994 (fragmento)
O personagem teatral pode ser construído tanto por
meio de uma tradição oral quanto escrita. A interlocução
entre oralidade regional e tradição religiosa, que serve
de inspiração para autores brasileiros, parte do teatro
português. Dessa forma, a partir do texto lido, identificam-se
personagens que
se comportam como caricaturas religiosas do teatro regional.
apresentam diferentes características físicas e psicológicas.
incorporam elementos da tradição local em um contexto teatral.
estão construídos por meio de ações limitadas a um momento histórico.
fazem parte de uma cultura local que restringe a dimensão estética.
Mudança Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas...
Mudança
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.
Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio. As manchas dos juazeiros tornaram a aparecer, Fabiano aligeirou o passo, esqueceu a fome, a canseira e os ferimentos. Deixaram a margem do rio, acompanharam a cerca, subiram uma ladeira, chegaram aos juazeiros. Fazia tempo que não viam sombra.
RAMOS, G. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2008 (fragmento).
Valendo-se de uma narrativa que mantém o distanciamento na abordagem da realidade social em questão, o texto expõe a condição de extrema carência dos personagens acuados pela miséria.
O recurso utilizado na construção dessa passagem, o qual comprova a postura distanciada do narrador, é a
caracterização pitoresca da paisagem natural.
descrição equilibrada entre os referentes físicos e psicológicos dos personagens.
narração marcada pela sobriedade lexical e sequência temporal linear.
metaforização do espaço sertanejo, alinhada com o projeto de crítica social.