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ENEM 2015 : Língua Portuguesa

  Primeiro surgiu o homem nu de cabeça baixa. Deus veio num raio. Então apareceram os bichos que comiam os homens. E se fez o fogo, as especiarias, a roupa, a espada e o dever. Em seguida se criou a filosofia, que explicava como não fazer o que não devia ser feito. Então surgiram os números racionais e a História, organizando os eventos sem sentido. A fome desde sempre, das coisas e das pessoas. Foram inventados o calmante e o estimulante. E alguém apagou a luz. E cada um se vira como pode, arrancando as cascas das feridas que alcança.

BONASSI, F. 15 cenas do descobrimento de Brasis. In: MORICONI, Í. (Org.). Os cem m elhores contos do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.




A narrativa enxuta e dinâmica de Fernando Bonassi configura um painel evolutivo da história da humanidade. Nele, a projeção do olhar contemporâneo manifesta uma percepção que

recorre à tradição bíblica como fonte de inspiração para a humanidade.

desconstrói o discurso da filosofia a fim de questionar o conceito de dever.

resgata a metodologia da história para denunciar as atitudes irracionais.

transita entre o humor e a ironia para celebrar o caos da vida cotidiana.

satiriza a matemática e a medicina para desmistificar o saber científico.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa - Variação Linguística
Essa pequena

Meu tempo é curto, o tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito a nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela
Meu dia voa e ela não acorda
Vou até a esquina, ela quer ir para a Flórida
Acho que nem sei direito o que é que ela fala, mas
Não canso de contemplá-la
Feito avarento, conto os meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela, que anda noutro mundo
Ela que esbanja suas horas ao vento, ai
Às vezes ela pinta a boca e sai
Fique à vontade, eu digo, take your time
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena

CHICO BUARQUE. Disponível em: www.chicobuarque.com.br. Acesso em: 31 jun. 2012.

O texto Essa pequena registra a expressão subjetiva do enunciador, trabalhada em uma linguagem informal, comum na música popular. Observa-se, como marca da variedade coloquial da linguagem presente no texto, o uso de

palavras emprestadas de língua estrangeira, de uso inusitado no português.

expressões populares, que reforçam a proximidade entre o autor e o leitor.

palavras polissêmicas, que geram ambiguidade.

formas pronominais em primeira pessoa.

repetições sonoras no final dos versos.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa
Cântico VI

Tu tens um medo de
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
MEIRELES, C. Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 1963 (fragmento).

A poesia de Cecília Meireles revela concepções sobre o homem em seu aspecto existencial. Em Cântico VI, o eu lírico exorta seu interlocutor a perceber, como inerente à condição humana,

a sublimação espiritual graças ao poder de se emocionar.

o desalento irremediável em face do cotidiano repetitivo.

o questionamento cético sobre o rumo das atitudes humanas.

a vontade inconsciente de perpetuar-se em estado adolescente.

um receio ancestral de confrontar a imprevisibilidade das coisas.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa
14 coisas que você não deve jogar na privada

   Nem no ralo. Elas poluem rios, lagos e mares, o que contamina o ambiente e os animais. Também deixa mais difícil obter a água que nós mesmos usaremos. Alguns produtos podem causar entupimentos:

• cotonete e fio dental;

• medicamento e preservativo;

• óleo de cozinha;

• ponta de cigarro;

• poeira de varrição de casa;

• fio de cabelo e pelo de animais;

• tinta que não seja à base de água;

• querosene, gasolina, solvente, tíner.

   Jogue esses produtos no lixo comum. Alguns deles, como óleo de cozinha, medicamento e tinta, podem ser levados a pontos de coleta especiais, que darão a destinação final adequada.

MORGADO, M.; EMASA. Manual de etiqueta. Planeta Sustentável, jul.-ago. 2013 (adaptado).

O texto tem objetivo educativo. Nesse sentido, além do foco no interlocutor, que caracteriza a função conativa da linguagem, predomina também nele a função referencial, que busca


despertar no leitor sentimentos de amor pela natureza, induzindo-o a ter atitudes responsáveis que beneficiarão a sustentabilidade do planeta.

informar o leitor sobre as consequências da destinação inadequada do lixo, orientando-o sobre como fazer o correto descarte de alguns dejetos.

transmitir uma mensagem de caráter subjetivo, mostrando exemplos de atitudes sustentáveis do autor do texto em relação ao planeta.

estabelecer uma comunicação com o leitor, procurando certificar-se de que a mensagem sobre ações de sustentabilidade está sendo compreendida.

explorar o uso da linguagem, conceituando detalhadamente os termos utilizados de forma a proporcionar melhor compreensão do texto.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa - Produção de Textos — Introdução
Carta ao Tom 74

Rua Nascimento Silva, cento e sete

Você ensinando pra Elizete

As canções de canção do amor demais

Lembra que tempo feliz

Ah, que saudade,

Ipanema era só felicidade

Era como se o amor doesse em paz

Nossa famosa garota nem sabia

A que ponto a cidade turvaria

Esse Rio de amor que se perdeu

Mesmo a tristeza da gente era mais bela

E além disso se via da janela

Um cantinho de céu e o Redentor

É, meu amigo, só resta uma certeza,

É preciso acabar com essa tristeza

É preciso inventar de novo o amor


MORAES, V.; TOQUINHO. Bossa Nova, sua história, sua gente. São Paulo: Universal; Philips,1975 (fragmento).

O trecho da canção de Toquinho e Vinícius de Moraes apresenta marcas do gênero textual carta, possibilitando que o eu poético e o interlocutor


compartilhem uma visão realista sobre o amor em sintonia com o meio urbano.

troquem notícias em tom nostálgico sobre as mudanças ocorridas na cidade.

façam confidências, uma vez que não se encontram mais no Rio de Janeiro.

tratem pragmaticamente sobre os destinos do amor e da vida citadina.

aceitem as transformações ocorridas em pontos turísticos específicos.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa - Produção de Textos — Introdução
Embalagens usadas e resíduos devem ser descartados adequadamente

    Todos os meses são recolhidas das rodovias brasileiras centenas de milhares de toneladas de lixo. Só nos 22,9 mil quilômetros das rodovias paulistas são 41,5 mil toneladas. O hábito de descartar embalagens, garrafas, papéis e bitucas de cigarro pelas rodovias persiste e tem aumentado nos últimos anos. O problema é que o lixo acumulado na rodovia, além de prejudicar o meio ambiente, pode impedir o escoamento da água, contribuir para as enchentes, provocar incêndios, atrapalhar o trânsito e até causar acidentes. Além dos perigos que o lixo representa para os motoristas, o material descartado poderia ser devolvido para a cadeia produtiva. Ou seja, o papel que está sobrando nas rodovias poderia ter melhor destino. Isso também vale para os plásticos inservíveis, que poderiam se transformar em sacos de lixo, baldes, cabides e até acessórios para os carros.

Disponível em: www.girodasestradas.com.br. Acesso em: 31 jul. 2012.

Os gêneros textuais correspondem a certos padrões de composição de texto, determinados pelo contexto em que são produzidos, pelo público a que eles se destinam, por sua finalidade. Pela leitura do texto apresentado, reconhece-se que sua função é


apresentar dados estatísticos sobre a reciclagem no país

alertar sobre os riscos da falta de sustentabilidade do mercado de recicláveis.

divulgar a quantidade de produtos reciclados retirados das rodovias brasileiras.

revelar os altos índices de acidentes nas rodovias brasileiras poluídas nos últimos anos.

conscientizar sobre a necessidade de preservação ambiental e de segurança nas rodovias.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa




Trabalhando com recursos formais inspirados no Concretismo, o poema atinge uma expressividade que se caracteriza pela

interrupção da fluência verbal, para testar os limites da lógica racional.

reestruturação formal da palavra, para provocar o estranhamento no leitor.

dispersão das unidades verbais, para questionar o sentido das lembranças.

fragmentação da palavra, para representar o estreitamento das lembranças.

renovação das formas tradicionais, para propor uma nova vanguarda poética.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa

   A emergência da sociedade da informação está associada a um conjunto de profundas transformações ocorridas desde as últimas duas décadas do século XX. Tais mudanças ocorrem em dimensões distintas da vida humana em sociedade, as quais interagem de maneira sinérgica e confluem para projetar a informação e o conhecimento como elementos estratégicos, dos pontos de vista econômico-produtivo, político e sociocultural.

   A sociedade da informação caracteriza-se pela crescente utilização de técnicas de transmissão, armazenamento de dados e informações a baixo custo, acompanhadas por inovações organizacionais, sociais e legais. Ainda que tenha surgido motivada por um conjunto de transformações na base técnico-científica, ela se investe de um significado bem mais abrangente.

LEGEY L.-R.; ALBAGLI, S. Disponível em: wwwdgz.org.br. Acesso em: 4 dez. 2012 (adaptado).



O mundo contemporâneo tem sido caracterizado pela crescente utilização das novas tecnologias e pelo acesso à informação cada vez mais facilitado. De acordo com o texto, a sociedade da informação corresponde a uma mudança na organização social porque

representa uma alternativa para a melhoria da qualidade de vida.

associa informações obtidas instantaneamente por todos e em qualquer parte do mundo.

propõe uma comunicação mais rápida e barata, contribuindo para a intensificação do comércio.

propicia a interação entre as pessoas por meio de redes sociais.

representa um modelo em que a informação é utilizada intensamente nos vários setores da vida.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa - Variação Linguística

   Embora particularidades na produção mediada pela tecnologia aproximem a escrita da oralidade, isso não significa que as pessoas estejam escrevendo errado. Muitos buscam, tão somente, adaptar o uso da linguagem ao suporte utilizado: “O contexto é que define o registro de língua. Se existe um limite de espaço, naturalmente, o sujeito irá usar mais abreviaturas, como faria no papel", afirma um professor do Departamento de Linguagem e Tecnologia do Cefet-MG. Da mesma forma, é preciso considerar a capacidade do destinatário de interpretar corretamente a mensagem emitida. No entendimento do pesquisador, a escola, às vezes, insiste em ensinar um registro utilizado apenas em contextos específicos, o que acaba por desestimular o aluno, que não vê sentido em empregar tal modelo em outras situações. Independentemente dos aparatos tecnológicos da atualidade, o emprego social da língua revela-se muito mais significativo do que seu uso escolar, conforme ressalta a diretora de Divulgação Científica da UFMG: “A dinâmica da língua oral é sempre presente. Não falamos ou escrevemos da mesma forma que nossos avós". Some-se a isso o fato de os jovens se revelarem os principais usuários das novas tecnologias, por meio das quais conseguem se comunicar com facilidade. A professora ressalta, porém, que as pessoas precisam ter discernimento quanto às distintas situações, a fim de dominar outros códigos.

SILVA JR., M. G.; FONSECA, V. Revista Minas Faz Ciência, n. 51, set.-nov. 2012 (adaptado).

Na esteira do desenvolvimento das tecnologias de informação e de comunicação, usos particulares da escrita foram surgindo. Diante dessa nova realidade, segundo o texto, cabe à escola levar o aluno a


interagir por meio da linguagem formal no contexto digital.

buscar alternativas para estabelecer melhores contatos on-line.

adotar o uso de uma mesma norma nos diferentes suportes tecnológicos.

desenvolver habilidades para compreender os textos postados na web.

perceber as especificidades das linguagens em diferentes ambientes digitais.

ENEM 2015 : Língua Portuguesa - Variação Linguística
Yaô

Aqui có no terreiro
Pelú adié
Faz inveja pra gente
Que não tem mulher

No jacutá de preto velho
Há uma festa de yaô

Ôi tem nêga de Ogum
De Oxalá, de Iemanjá

Mucama de Oxossi é caçador
Ora viva Nanã

Nanã Buruku
Yô yôo
Yô yôoo

No terreiro de preto velho iaiá
Vamos saravá (a quem meu pai?)
Xangô!

VIANA, G. Agô, Pixinguinha! 100 Anos. Som Livre, 1997.

A canção Yaô foi composta na década de 1930 por Pixinguinha, em parceria com Gastão Viana, que escreveu a letra. O texto mistura o português com o iorubá, língua usada por africanos escravizados trazidos para o Brasil. Ao fazer uso do iorubá nessa composição, o autor

promove uma crítica bem-humorada às religiões afro-brasileiras, destacando diversos orixás.

ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se mantém viva na produção musical brasileira.

evidencia a superioridade da cultura africana e seu caráter de resistência à dominação do branco.

deixa à mostra a separação racial e cultural que caracteriza a constituição do povo brasileiro.

expressa os rituais africanos com maior autenticidade, respeitando as referências originais.

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