Exercícios ENEM
Casamento Há mulheres que dizem: Meu marido, se quiser pescar,...
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas” e
faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
PRADO, A. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1991
O poema de Adélia Prado, que segue a proposta moderna de tematização de fatos cotidianos, apresenta a prosaica ação de limpar peixes na qual a voz lírica reconhece uma
expectativa do marido em relação à esposa.
imposição dos afazeres conjugais.
disposição para realizar tarefas masculinas.
dissonância entre as vozes masculina e feminina.
forma de consagração da cumplicidade no casamento.
No trecho, retirado do conto Retábulo de Santa Joana Carolina, de...

No trecho, retirado do conto Retábulo de Santa Joana Carolina, de Osman Lins, a fim de expressar uma ideia relativa à literatura, o autor emprega um procedimento singular de escrita, que consiste em
entremear o texto com termos destacados que se referem ao universo do tecer e remetem visualmente à estrutura de uma trama, tecida com fios que retornam periodicamente, para aludir ao trabalho do escritor.
entrecortar a progressão do texto com termos destacados, sem relação com o contexto, que tornam evidente a desordem como princípio maior da sua proposta literária.
insinuar, pela disposição de termos destacados, dos quais um forma uma coluna central no corpo do texto, que a atividade de escrever remete à arte ornamental do escultor.
dissertar à maneira de um cientista sobre os fenômenos da natureza, recriminando-a por estar perpetuamente em desordem e não criar concatenação entre eles.
confrontar, por meio dos termos destacados, o ato de escrever à atividade dos cientistas modernos e dos alquimistas antigos, mostrando que esta é muito superior à do escritor.
Como escrever na internet Regra 1 - Fale, não GRITE! Combine letras...
Como escrever na internet
Regra 1 - Fale, não GRITE!
Combine letras maiúsculas e minúsculas, da mesma forma que na escrita comum. Cartas em papel não são escritas somente com letras maiúsculas; na internet, escrever em maiúsculas é o mesmo que gritar! Para enfatizar frases e palavras, use os recursos de _sublinhar_ (colocando palavras ou frases entre sublinhados) e *grifar* (palavras ou frases entre asteriscos). Frases em maiúsculas são aceitáveis em títulos e ênfases ou avisos urgentes.
Regra 2 - Sorria :-) pisque ;-) chore &-( ...
Os emoticons (ou smileys) são ícones formados por parênteses, pontos, vírgulas e outros símbolos do teclado. Eles representam carinhas desenhadas na horizontal e denotam emoções. É difícil descobrir quando uma pessoa está falando alguma coisa em tom de brincadeira, se está realmente brava ou feliz, ou se está sendo irônica, em um ambiente no qual só há texto; por isso, entram em cena os smileys. Comece a usá-los aos poucos e, com o passar do tempo, estarão integrados naturalmente às suas conversas on-line.
Disponível em: www.icmc.usp.br. Acesso em: 29 jul. 2013.
O texto traz exemplos de regras que podem evitar mal-entendidos em comunicações eletrônicas, especialmente em e-mails e chats. Essas regras
revelam códigos internacionalmente aceitos que devem ser seguidos pelos usuários da internet.
constituem um conjunto de normas ortográficas inclusas na escrita padrão da língua portuguesa.
representam uma forma complexa de comunicação, pois os caracteres são de difícil compreensão.
foram desenvolvidas para que usuários de países de línguas diferentes possam se comunicar na web.
refletem recomendações gerais sobre o uso dos recursos de comunicação facilitadores da convivência na internet.
A carta manifesta reconhecimento de uma empresa pelos serviços...

A carta manifesta reconhecimento de uma empresa pelos
serviços prestados pelos consultores da Pc Speed.
Nesse contexto, o uso da norma-padrão
constitui uma exigência restrita ao universo financeiro e é substituível por linguagem informal.
revela um exagero por parte do remetente e torna o texto rebuscado linguisticamente.
expressa o formalismo próprio do gênero e atribui profissionalismo à relação comunicativa.
torna o texto de difícil leitura e atrapalha a compreensão das intenções do remetente.
sugere elevado nível de escolaridade do diretor e realça seus atributos intelectuais.
Descubra e aproveite um momento todo seu. Quando você quebra o...
Descubra e aproveite um momento todo seu. Quando você quebra o delicado chocolate, o irresistível recheio cremoso começa a derreter na sua boca, acariciando todos os seus sentidos. Criado por nossa empresa. Paixão e amor por chocolate desde 1845.
Veja, n. 2 320, 8 maio 2013 (adaptado).
O texto publicitário tem a intenção de persuadir o público-alvo a consumir determinado produto ou serviço. No anúncio, essa intenção assume a forma de um convite, estratégia argumentativa linguisticamente marcada pelo uso de
conjunção (quando).
adjetivo (irresistível).
verbo no imperativo (descubra).
palavra do campo afetivo (paixão).
expressão sensorial (acariciando).
A importância da preservação do meio ambiente para a saúde é...

A importância da preservação do meio ambiente para a
saúde é ressaltada pelos recursos verbais e não verbais
utilizados nessa propaganda da SOS Mata Atlântica.
No texto, a relação entre esses recursos
condiciona o entendimento das ações da SOS Mata Atlântica.
estabelece contraste de informações na propaganda.
é fundamental para a compreensão do significado da mensagem.
oferece diferentes opções de desenvolvimento temático.
propõe a eliminação do desmatamento como suficiente para a preservação ambiental.
O Google Art é uma ferramenta on-line que permite a visitação...
O Google Art é uma ferramenta on-line que permite a visitação virtual dos mais importantes museus do mundo e a visualização de suas obras de arte. Por meio da tecnologia Street View e de um veículo exclusivamente desenvolvido para o projeto, fotografou-se em 360 graus o interior de lugares como o MoMA, de Nova York, o Museu Van Gogh, em Amsterdã, e a National Gallery, de Londres. O resultado é que se pode andar pelas galerias assim como se passeia pelas ruas com o Street View. Além disso, cada museu escolheu uma única obra de arte de seu acervo para ser fotografada com câmeras de altíssima resolução, ou gigapixel. As imagens contêm cerca de sete bilhões de pixels, o que significa que é mais de mil vezes mais detalhada do que uma foto de câmera digital comum. Além disso, todas as obras vêm acompanhadas de metadados de proveniência, tais como títulos originais, artistas, datas de criação, dimensões e a quais coleções já pertenceram. Os usuários também podem criar suas próprias coleções e compartilhá-las pela web.
Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 3 out. 2013 (adaptado).
As tecnologias da computação possibilitam um novo olhar
sobre as obras de arte. A prática permite que usuários
guiem virtualmente um veículo especial através dos melhores museus do mundo.
reproduzam as novas obras de arte expostas em museus espalhados pelo mundo.
criem novas obras de arte em 360 graus, consultem seus metadados e os compartilhem na internet.
visitem o interior e as obras de arte de todos os museus do mundo em 3D e em altíssima resolução.
visualizem algumas obras de arte em altíssima resolução e, simultaneamente, obtenham informações sobre suas origens e composição.
Noites do Bogart O Xavier chegou com a namorada mas, prudentemente,...
Noites do Bogart
O Xavier chegou com a namorada mas, prudentemente, não a levou para a mesa com o grupo. Abanou de longe. Na mesa, as opiniões se dividiam.
— Pouca vergonha.
— Deixa o Xavier.
— Podia ser a filha dele.
— Aliás, é colega da filha dele. Na sua mesa, o Xavier pegara na mão da moça.
— Está gostando?
— Pô. Só.
— Chocante, né? — disse o Xavier. E depois ficou na dúvida. Ainda se dizia “chocante”?
Beberam em silêncio. E ele disse:
— Quer dançar?
E ela disse, sem pensar:
— Depois, tio.
E Acaram em silêncio. Ela pensando “será que ele ouviu?”. E ele pensando “faço algum comentário a respeito, ou deixo passar?”. Decidiu deixar passar. Mas, pelo resto da noite aquele “tio” ficou em cima da mesa, entre os dois, latejando como um sapo. Ele a levou em casa. Depois voltou. Sentou com os amigos.
— Aí, Xavier. E a namorada?
Ele não respondeu.
VERISSIMO, L. F O melhor das comédias da vida privada. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.
O efeito de humor no texto é produzido com o auxílio da quebra de convenções sociais de uso da língua. Na interação entre o casal de namorados, isso é decorrente
do registro inadequado para a interlocução em contexto romântico.
da iniciativa em discutir formalmente a relação amorosa.
das avaliações de escolhas lexicais pelos frequentadores do bar.
das gírias distorcidas intencionalmente na fala do namorado.
do uso de expressões populares nas investidas amorosas do homem.
Certa vez, eu jogava uma partida de sinuca, e só havia a bola sete na...
Certa vez, eu jogava uma partida de sinuca, e só havia a bola sete na mesa. De modo que a mastiguei lentamente saboreando-lhe os bocados com prazer. Refiro-me à refeição que havia pedido ao garçom. Dei-lhe duas tacadas na cara. Estou me referindo à bola. Em seguida, saí montando nela e a égua, de que estou falando agora, chegou calmamente à fazenda de minha mãe. Fui encontrá-la morta na mesa, meu irmão comia-lhe uma perna com prazer e ofereceu-me um pedaço: “Obrigado”, disse eu, “já comi galinha no almoço”.
Logo em seguida, chegou minha mulher e deu-me na cara. Um beijo, digo. Dei-lhe um abraço. Fazia calor. Daí a pouco minha camisa estava inteiramente molhada. Refiro-me a que estava na corda secando, quando começou a chover. Minha sogra apareceu para apanhar a camisa.
Não tive remédio senão esmagá-la com o pé. Estou falando da barata que ia trepando na cadeira. Malaquias, meu primo, vivia com uma velha de oitenta anos. A velha era sua avó, esclareço.
Malaquias tinha dezoito filhos, mas nunca se casou. Isto é, nunca se casou com uma mulher que durasse mais de um ano. Agora, sentado à nossa frente, Malaquias fura o coração com uma faca. Depois corta as pernas e o sangue do porco enche a bacia.
Nos bons tempos passeávamos juntos. Eu tinha um carro. Malaquias tinha uma namorada. Um dia rolou a ribanceira. Me refiro a Malaquias. Entrou pela pretória adentro arrebentando porta e parou resfolegante junto do juiz pálido de susto. Me refiro ao carro. E a Malaquias.
FERNANDES, M. Trinta anos de mim mesmo. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
Nesse texto, o autor reorienta o leitor no processo de leitura, usando como recurso expressões como “refiro-me/me refiro”, “estou me referindo”, “de que estou falando agora”, “digo”, “estou falando da”, “esclareço”, “isto é”. Todas elas são expressões linguísticas introdutoras de paráfrases, que servem para
confirmar.
contradizer.
destacar.
retificar.
sintetizar.
eu acho um fato interessante... né... foi como meu pai e minha mãe...
eu acho um fato interessante... né... foi como meu pai e minha mãe vieram se conhecer... né... que... minha mãe morava no Piauí com toda família... né... meu... meu avô... materno no caso... era maquinista... ele sofreu um acidente... infelizmente morreu... minha mãe tinha cinco anos... né... e o irmão mais velho dela... meu padrinho... tinha dezessete e ele foi obrigado a trabalhar... foi trabalhar no banco... e... ele foi... o banco... no caso... estava... com um número de funcionários cheio e ele teve que ir para outro local e pediu transferência prum local mais perto de Parnaíba que era a cidade onde eles moravam e por engano o... o... escrivão entendeu Paraíba... né... e meu... e minha família veio parar em Mossoró que era exatamente o local mais perto onde tinha vaga pra funcionário do Banco do Brasil e:: ela foi parar na rua do meu pai... né... e começaram a se conhecer... namoraram onze anos... né... pararam algum tempo... brigaram... é lógico... porque todo relacionamento tem uma briga... né... e eu achei esse fato muito interessante porque foi uma coincidência incrível... né... como vieram a se conhecer... namoraram e hoje... e até hoje estão juntos... dezessete anos de casados...
CUNHA, M. A. F. (Org.). Corpus, discurso & gramática: a língua falada e escrita na cidade de Natal. Natal: EdUFRN, 1998
Na produção dos textos, orais ou escritos, articulamos as
informações por meio de relações de sentido. No trecho
de fala, a passagem “brigaram... é lógico... porque todo
relacionamento tem uma briga”, enuncia uma justificativa
em que "brigaram" e "todo relacionamento tem uma briga"
são, respectivamente,
causa e consequência.
premissa e conclusão.
meio e finalidade.
exceção e regra.
fato e generalização.