Falácia

Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Professora de História

Falácia é um raciocínio que parece lógico e verdadeiro, porém existe alguma falha que o faz ser falso.

A falácia foi um recurso utilizado por Aristóteles, pela Escolástica, pela Demagogia e serve como figura de linguagem em discursos e temas argumentativos.

Significado

A palavra tem origem no termo em latim “fallacia”, aquilo que engana ou ilude. Desta forma, falácia será algo enganoso.

As falácias são construídas por raciocínios aparentemente corretos que levam à falsas conclusões. Este tipo de argumento está muito presente nos textos dissertativos.

Falácia do Espantalho

A falácia do espantalho consiste em deturpar um argumento e assim utilizá-lo para atacar o interlocutor.

Exemplo:

Maria: É preciso repensar a política de combate às drogas.

Pedro: Lá vem esse pessoal dizer que o melhor é liberar as drogas.

Maria afirma que é preciso repensar o modo com que se luta contra os entorpecentes. Pedro, porém, já interpreta o argumento como se ela tivesse dito que o melhor seria liberar qualquer tipo de substância ilícita.

Se uma pessoa desconhece a fala de Maria pensará que ela defende a liberação das drogas, algo que em nenhum momento foi dito por ela.

Falácia ad hominem

Esta falácia tem como intuito atacar a pessoa que enunciou o argumento. Por isso, é considerada ad hominen, expressão em latim que significa contra o homem.

Exemplo: X: Sou a favor do casamento gay.

Y: Só mesmo um ignorante como você poderia ser a favor disso.

Observe que Y não busca refutar o argumento em si, "casamento gay", mas parte para uma agressão contra X, chamando-o de ignorante.

Falácia do Escocês

Consiste em apresentar um argumento e seu contra-argumento. Desta forma, o argumento inicial se torna inválido.

Todo verdadeiro escocês gosta de uísque

Meu pai é escocês e não gosta de uísque.

Logo, seu pai não é um verdadeiro escocês.

A premissa para ser um "verdadeiro escocês" é gostar de uísque e quem não compartilha desta opinião estará naturalmente excluído de ser um "verdadeiro escocês".

Aqui temos um caso de premissas que podem levar à conclusões equivocadas como vemos com Aristóteles.

Falácia da Derrapagem (ou Bola de Neve)

A partir de um fato, o interlocutor sempre o aumenta a fim de acabar com o argumento proposto.

Exemplo: Se legalizamos o consumo da maconha todos vão querer experimentá-la, em pouco tempo estarão viciados e a sociedade se transformará em um bando de zumbis drogados vagando pelas ruas.

Sem qualquer comprovação factual ou científica, exagera-se o fato da legalização da maconha estendendo seu consumo à toda sociedade.

Falácia
Na falácia, o argumento é o de menos.

Tipos de Falácia

Além dos exemplos de falácias acima há outros tipos que aparecem constantemente nos discursos políticos, líderes que apelam à demagogia, e conversas cotidianas.

Eis algumas delas:

Apelação à ignorância

Neste caso, queremos que se aceite uma conclusão por não se encontrar provas em contra ao argumento.

Exemplos: Existem fantasmas na casa de Pedro.

Ninguém pode contestar esta afirmação porque não é possível provar, concretamente, a existência dos fantasmas.

Composição

Consiste em atribuir características próprias de um elemento ao todo que se integra.

Exemplo: João joga muito bem futebol e assim seu time ganhará sempre.

O fato de João jogar bem, não significa que toda sua equipe também fará o mesmo.

Divisão

Ao contrário da composição, consiste em dar características do todo apenas um elemento.

Exemplo: O Barcelona é o melhor time do mundo e João será um ótimo jogador ali.

Neste caso, não basta que o Barcelona seja uma ótima equipe para fazer um indivíduo ser um bom atleta ali. Muitas vezes é exatamente o contrário.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.