Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa

Daniela Diana

O Grande Sertão: Veredas”, publicado em 1956, é uma das obras mais emblemáticas do escritor brasileiro modernista João Guimarães Rosa e uma das mais importantes da literatura brasileira.

Foi traduzida para muitas línguas e recebeu diversos prêmios, dos quais se destaca o Prêmio Machado de Assis, recebido em 1961.

Guimarães Rosa, o autor da obra, nasceu em Minas Gerais, foi médico, diplomata e escritor, sendo também um grande estudioso da cultura popular brasileira. Ele representa um dos mais proeminentes escritores da terceira fase modernista no Brasil.

Por meio de uma linguagem coloquial, regionalista e original, a história do romance acontece em Goiás e nos Sertões de Minas Gerais e Bahia. A obra retrata as aventuras e peripécias do ex-jagunço Riobaldo e de seu grande amor: Diadorim.

Personagens

Os personagens que compõem a obra são:

  • Riobaldo: protagonista da obra, Riobaldo é o narrador-personagem, um velho fazendeiro, ex-jagunço.
  • Diadorim: O grande amor de Riobaldo, representa o amor platônico, impossível.
  • Nhorinhá: Uma prostituta, representa amor carnal de Riobaldo.
  • Otacília: Outro amor de Riobaldo, representa a pureza do amor verdadeiro.
  • Zé Bebelo: fazendeiro com pretensões políticas, pretende acabar com os jagunços do sertão mineiro, sobretudo com o bando de Joca Ramiro.
  • Joca Ramiro: pai de Diadorim, o maior chefe dos jagunços.
  • Medeiro Vaz: outro chefe dos jagunços, que lidera a vingança contra Hermógenes e Ricardão.
  • Hermógenes e Ricardão: assassinos do chefe Joca Ramiro, Hermógenes representa o líder dos jagunços inimigos.
  • Só Candelário: outro chefe dos jagunços, torna-se líder do bando de Hermógenes.
  • Compadre Quelemém de Góis: amigo confidente de Riobaldo.

Estrutura da Obra

O Grande Sertão Veredas é uma obra extensa com mais de 600 páginas, dividida em 2 volumes e não em capítulos.

Marcada pela oralidade e uma linguagem repleta de neologismos, arcaísmos e brasileirismos, a obra possui um enredo não-linear.

Ou seja, não segue uma sequência lógica dos fatos, sendo narrado em primeira pessoa (narrador personagem), cujo narrador é Riobaldo, que faz reflexões sobre os acontecimentos de sua vida.

Para tanto, o tempo da narrativa é o psicológico, em detrimento do tempo cronológico.

Resumo da Obra

Riobaldo é o protagonista do romance, o personagem-narrador que apresenta um relato sobre sua vida, desde seus medos, amores, traições, dentre outros.

De tal maneira, Riobaldo faz uma autorreflexão sobre sua vida ao descrever além dos acontecimentos, a paisagem do sertão, a um doutor que recentemente chegou na fazenda em que vive, a quem ele se refere como “Senhor” ou “Moço”.

Com a morte de sua mãe, Riobaldo passou a viver com seu padrinho, Selorico Mendes, na fazenda São Gregório; mais tarde ele descobrirá que Selorico é seu verdadeiro pai.

Por conseguinte, na fazenda conhece o bando de jagunços de Joca Ramiro, o chefe dos jagunços. Mais adiante, conhece Reinaldo, jagunço do bando de Joca Ramiro, que mais trade revela ser Diadorim, seu grande amor.

Note que, em suas digressões, Riobaldo foca sobretudo, no seu amor impossível, Diadorim, e na existência de Deus e do Diabo.

Por meio de uma narrativa ziguezagueante (não é linear), ou seja, labiríntica e espontânea, é narrado as divagações de Riobaldo, que descreve as personagens que compõem a obra e ainda, as lutas entre os bandos de jagunços, o conflito com o bando de Zé bebelo e a morte de chefe dos jagunços, Joca Ramiro.

Trechos da Obra

Para melhor compreender a linguagem desse clássico, segue abaixo algumas frases do romance de Guimarães Rosa:

  • O senhor não duvide - tem gente, nesse aborrecido mundo, que matam só para ver alguém fazer careta...
  • Fui fogo, depois de ser cinza. Ah, algum, isto é que é, a gente tem de vassalar. Olhe: Deus come escondido, e o diabo sai por toda parte lambendo o prato...
  • O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam.”
  • O diabo existe e não existe. Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso...
  • Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vaivem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor.”
  • Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para o concertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo.”

Leia mais sobre o escritor da obra: Guimarães Rosa

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.