Marília de Dirceu

Daniela Diana

Marília de Dirceu é a obra mais emblemática do poeta árcade luso-brasileiro Tomás Antônio Gonzaga.

Trata-se de um longo poema lírico que foi publicado em Lisboa, a partir de 1792.

Resumo e Trechos da Obra

As liras de Marília de Dirceu exploram o tema do amor entre dois pastores de ovelhas.

No decorrer da obra, o eu-lírico expressa seu amor pela pastora Marília e fala sobre suas expectativas futuras.

Dentro do contexto do Arcadismo, Dirceu revela a ambição de ter uma vida simples e bucólica ao lado de sua amada.

A natureza torna-se, portanto, uma forte característica, a qual é descrita em diversos momentos. No entanto, esse amor não pode ser consumado, visto que Dirceu foi exilado de seu país.

Na primeira parte da obra, o foco maior é a exaltação da beleza de sua amada e da natureza.

Parte I, Lira I

“Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”

Na segunda parte, o tom de solidão já começa a aparecer, uma vez que o eu-lírico vai para a prisão. Isso porque Dirceu esteve envolvido no movimento da Inconfidência Mineira, em Minas Gerais.

Parte II, Lira I

“Nesta cruel masmorra tenebrosa
Ainda vendo estou teus olhos belos,
A testa formosa,
Os dentes nevados,
Os negros cabelos.

Vejo, Marília, sim, e vejo ainda
A chusma dos Cupidos, que pendentes
Dessa boca linda,
Nos ares espalham
Suspiros ardentes”

E, por fim, na terceira parte, o tom de melancolia, pessimismo e solidão é notório.

Exilado na África, o eu-lírico revela a saudade que sente de sua amada:

Parte III, Lira IX

“Chegou-se o dia mais triste
que o dia da morte feia;
caí do trono, Dircéia,
do trono dos braços teus,
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!

Ímpio Fado, que não pôde
os doces laços quebrar-me,
por vingança quer levar-me
distante dos olhos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!”

Quer saber mais sobre o conceito associado à voz do poema? Leia o texto Eu Lírico.

Estrutura da Obra

Marília de Dirceu é um longo poema lírico e narrativo. Escrito em versos, a linguagem utilizada é simples.

Quanto à estrutura, a obra está dividida em três partes, com um total de 80 liras e 13 sonetos.

  • Primeira parte: composta por 33 liras que foram publicadas em 1792.
  • Segunda parte: composta por 38 liras que foram publicadas em 1799.
  • Terceira parte: composta por 9 liras e 13 sonetos que foram publicadas em 1812.

Os protagonistas da história são os pastores de ovelhas: Marília e Dirceu. Ele representa a voz do poema (eu-lírico).

Interessante notar que o espaço, ou seja o local em que se passa a história, não é revelado na obra.

Saiba mais sobre o poeta Tomás Antônio Gonzaga.

Você Sabia?

A lira é um instrumento musical de cordas. Na literatura, ela designa uma poesia cantada. Na Grécia antiga, as poesias eram acompanhadas pela lira.

Análise da Obra

Marília de Dirceu é uma das mais importantes do movimento árcade no Brasil. As principais características são: romantismo, bucolismo, pastoralismo, descrição e culto à natureza e à simplicidade.

De caráter autobiográfico, Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) escreveu essa obra inspirado na sua própria história de amor.

Conheceu sua musa inspiradora quando estava morando e trabalhando como Ouvidor Geral na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Seu nome era Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão.

Chegaram a ficar noivos, entretanto, Tomás foi acusado de conspiração, uma vez que estava envolvido com o movimento da Inconfidência Mineira.

Sendo assim, ele foi preso e exilado na África, se afastando de sua amada. Nesse tempo, escreveu a obra que o consagraria.

Confira a obra na íntegra, fazendo o download do PDF aqui: Marília de Dirceu.

Curiosidade

A cidade de Marília, no interior de São Paulo, foi batizada com esse nome em homenagem à obra do poeta Tomás Antônio Gonzaga.

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.