Virginia Woolf


Virginia Woolf (1882-1941) foi uma escritora inglesa moderna. Teve um papel preponderante na literatura inglesa do modernismo sendo Ao Farol sua obra de maior destaque do período.

Segundo ela, a função do escritor é:

(...) é transmitir a essência sempre em mutação da mente, por maior que seja a complexidade ou o intrincado das suas manifestações, com o menor número possível de elementos estranhos ou alheios a ela.”

Biografia

Virginia Woolf

Adeline Virginia Woolf nasceu em Kensington, Inglaterra, em 25 de janeiro de 1882. Filha de uma família burguesa, seu pai, Leslie Stephen, era editor e crítico literário. Por influência de seu pai e com uma boa educação, Virginia passou a se interessar pelo mundo literário.

Enquanto seus irmãos foram educados numa escola, ela por sua vez, foi educada em casa, fato que lhe deixou muito irritada. Na época, as mulheres ainda não tinham a possibilidade de estudar fora e por isso, passou muitas tardes lendo livros da biblioteca de seu pai.

Quando ela tinha apenas 13 anos de idade, sua mãe morreu e quase 10 anos mais tarde, foi seu pai.

Em 1905, ao lado de alguns artistas, Virginia participa do Grupo de Bloomsbury. As reuniões aconteciam em sua casa e as mais importantes características compartilhadas pelo grupo estavam focadas na sociedade burguesa, que eles criticavam, na filosofia, estética, artes e ainda, nas tendências esquerdistas e liberais.

No ano seguinte, um de seus irmãos veio a falecer, momento difícil e marcante na vida da escritora. Em 1912, casa-se com o escritor e editor Leonard Woolf e juntos, eles fundam a editora Hogarth Press, em Londres.

Leonardo Woolf e Virgnia Woolf
Leonardo e Virginia Woolf

No ano de 1915 lança seu primeiro romance “A Viagem”. A partir daí, Virgínia começa a trabalhar como escritora e somente anos depois ela começa a ser reconhecida com a publicação de “Senhora Dalloway” em 1925.

Morte

Virginia suicidou-se em Lewes, na Inglaterra, dia 28 de março de 1941, com 59 anos. Antes do ocorrido, escreveu duas cartas, uma para seu marido, e outra para sua irmã mais velha, Vanessa Bell. Virgínia morreu afogada no rio Ouse, e para isso, colocou pedras no bolso do casaco.

Segue a carta de Virginia para o marido:

Querido,

Tenho certeza de que enlouquecerei novamente. Sinto que não podemos passar por outro daqueles tempos terríveis. E, desta vez, não vou me recuperar. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Por isso estou fazendo o que me parece ser a melhor coisa a fazer. Você tem me dado a maior felicidade possível. Você tem sido, em todos os aspectos, tudo o que alguém poderia ser. Não acho que duas pessoas poderiam ter sido mais felizes, até a chegada dessa terrível doença. Não consigo mais lutar. Sei que estou estragando a sua vida, que sem mim você poderia trabalhar. E você vai, eu sei. Veja que nem sequer consigo escrever isso apropriadamente. Não consigo ler. O que quero dizer é que devo toda a felicidade da minha vida a você. Você tem sido inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom. Quero dizer que – todo mundo sabe disso. Se alguém pudesse me salvar teria sido você. Tudo se foi para mim, menos a certeza da sua bondade. Não posso continuar a estragar a sua vida. Não creio que duas pessoas poderiam ter sido mais felizes do que nós.

V.”

Curiosidades

  • Com a morte de seu pai, em 1914, Virginia tentou o suicídio pulando de uma janela. No entanto, era baixa e sofreu apenas alguns ferimentos.
  • Durante uma de suas crises de loucura, Virgínia afirmou que os pássaros cantavam em grego.
  • Virgínia era bissexual e teve alguns casos com mulheres. E, com 27 anos, afirmou que não gostava de sexo.

Principais Obras

Ao Farol capa da obra
Capa da primeira edição da obra "Ao Farol" (1927), um dos marcos do modernismo inglês

As obras de Virginia estão repletas de questões sociais, políticas e feministas. Dona de um espírito revolucionário, ele escreveu romances, contos e ensaios. Confira abaixo algumas das obras de destaque:

  • A viagem (1915)
  • Noite e dia (1919)
  • O quarto de Jacob (1922)
  • Senhora Dalloway (1925)
  • Ao farol (1927)
  • Orlando: uma biografia (1928)
  • Um teto todo seu (1929)
  • As ondas (1931)
  • Os anos (1937)
  • Entre os atos (1941)
  • Os três Guineus (1938)

Frases

  • As mulheres, durante séculos, serviram de espelho aos homens por possuírem o poder mágico e delicioso de refletirem uma imagem do homem duas vezes maior que o natural.”
  • Realmente, eu não gosto da natureza humana a menos que esteja toda temperada com arte.”
  • O poeta entrega-nos a sua essência, mas a prosa toma a forma de todo o corpo e de toda a mente.”
  • Somos desfeitos pela verdade. A vida é um sonho. É o despertar que nos mata.”
  • Há quem procure o padre, outros refugiam-se na poesia, eu procuro os meus amigos.”
  • Como mulher eu não possuo país. Como mulher, meu país é o mundo todo.”
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.