Espermatogênese

Lana Magalhães

A espermatogênese é o processo pelo qual se formam os gametas masculinos, os espermatozoides, e que ocorre nos tubos seminíferos dos testículos.

Como os testículos localizam-se fora da cavidade abdominal, na bolsa escrotal, eles possuem temperatura de até 1 °C a menos do que a temperatura corporal. Isso garante a temperatura ideal para a formação dos espermatozoides.

Este processo inicia-se na puberdade e prolonga-se por toda a vida do homem.

Testículos

Anatomia dos testículos
Anatomia dos testículos

Cada testículo é constituído pelos túbulos seminíferos, em forma de U, finos e enovelados. Eles são formados por epitélio seminífero, tecido especializado na produção de espermatozoides.

Após a produção, os espermatozoides migram e ficam armazenados no epidídimo, onde completam a sua maturação.

Fases da Espermatogênese

A espermatogênese compreende quatro fases sucessivas:

Fases da espermatogênese
Fases da espermatogênese

1. Fase Proliferativa ou de Multiplicação

O início da espermatogênese ocorre através das espermatogônias, células diploides (2n = 46 pares de cromossomos). Elas se multiplicam por mitose na parede dos túbulos seminíferos e tornam-se abundantes.

As células de Sertoli, localizadas ao redor dos túbulos seminíferos, são responsáveis pela nutrição e pela sustentação das espermatogônias.

A fase de multiplicação torna-se mais intensa a partir da puberdade e dura toda a vida do homem.

2. Fase de Crescimento

Durante a fase de crescimento as espermatogônias crescem, ou seja, aumentam o volume do seu citoplasma. A partir daí, se dividem por mitose, originando os espermatócitos primários (espermatócitos I).

Os espermatócitos primários são também diploides (2n).

3. Fase de Maturação

Na fase de maturação, os espermatócitos primários sofrem a primeira divisão por meiose, originando 2 células-filhas haploides (n = 23 pares de cromossomos), chamadas espermatócitos secundários (espermatócito II).

Como sofreram meiose, os espermatócitos secundários são haploides, porém, com cromossomos ainda duplicados.

Somente após a segunda divisão meiótica, os dois espermatócitos secundários originam quatro espermátides haploides (n).

4. Espermiogênese

Processo de espermiogênese
Etapas da espermatogênese

A fase final da espermatogênese consiste na transformação das espermátides em espermatozoides, um processo diferenciado chamado de espermiogênese e dividido em quatro fases:

  • Fase Golgi: inicio do desenvolvimento do acrossoma (a partir de grânulos do complexo de Golgi) e da formação da cauda do espermatozoide.
  • Fase do Capuz: o acrossoma forma uma capa sobre a porção anterior do núcleo e inicia-se a projeção do flagelo.
  • Fase do Acrossoma: acrossoma se redireciona e cobre cerca de 2/3 do núcleo.
  • Fase de Maturação: condensação do núcleo e descarte de porções do citoplasma não necessárias. As mitocôndrias se organizam na base do flagelo, garantindo a energia necessária para movimentação do flagelo.

Todo o processo de espermatogênese pode demorar de 64 a 74 dias, divididos da seguinte forma: 16 dias no período de mitoses das espermatogônias; 24 dias na primeira meiose; 8h na segunda meiose, e cerca de 24 dias na espermiogênese.

Espermatozoide

Ao final da espermatogênese, têm-se como produto o espermatozoide, a célula reprodutiva dos homens. Ele diferencia-se por ser uma célula móvel, capaz de se locomover até encontrar um ovócito secundário feminino, o que assegurará a fecundação.

A cauda do espermatozoide é dividida em três partes: peça intermediária, peça principal e peça terminal. Essa estrutura permite a locomoção do gameta sexual masculino até o óvulo.

O espermatozoide apresenta ainda o acrossoma, uma estrutura mais rígida que representa a cabeça do espermatozoide. Ele possui enzimas que facilitam a penetração no óvulo, além de conter o material genético para a transmissão das características hereditárias de origem paterna.

Os testículos produzem cerca de 200 milhões de espermatozoides por dia.

Lana Magalhães
Lana Magalhães
Licenciada em Ciências Biológicas (2010) e Mestre em Biotecnologia e Recursos Naturais pela Universidade do Estado do Amazonas/UEA (2015). Doutoranda em Biodiversidade e Biotecnologia pela UEA.