Exercícios ENEM
Logo todos na cidade souberam: Halim se embeiçara por Zana. As...
Logo todos na cidade souberam: Halim se embeiçara por Zana. As cristãs maronitas de Manaus, velhas e moças, não aceitavam a ideia de ver Zana casar-se com um muçulmano. Ficavam de vigília na calçada do Biblos, encomendavam novenas para que ela não se casasse com Halim. Diziam a Deus e ao mundo fuxicos assim: que ele era um mascate, um teque-teque qualquer, um rude, um maometano das montanhas do sul do Líbano que se vestia como um pé rapado e matraqueava nas ruas e praças de Manaus. Galib reagiu, enxotou as beatas: que deixassem sua filha em paz, aquela ladainha prejudicava o movimento do Biblos. Zana se recolheu ao quarto. Os clientes queriam vê-la, e o assunto do almoço era só este: a reclusão da moça, o amor louco do “maometano”.
HATOUM, M. Dois irmãos. São Paulo: Cia. das Letras, 2006 (fragmento).
Dois irmãos narra a história da família que Halim e Zana formaram na segunda metade do século XX. Considerando o perfil sociocultural das personagens e os valores sociais da época, a oposição ao casamento dos dois evidencia
as fortes barreiras erguidas pelas diferenças de nível financeiro.
o impacto dos preceitos religiosos no campo das escolhas afetivas.
a divisão das famílias em castas formadas pela origem geográfica.
a tolerância com atos litúrgicos, aqui representados pelas novenas e ladainhas.
a importância atribuída à ocupação exercida por um futuro chefe de família.
Nas últimas décadas, a ruptura, o efêmero, o descartável...

Nas últimas décadas, a ruptura, o efêmero, o descartável
incorporam-se cada vez mais ao fazer artístico, em
consonância com a pós-modernidade. No detalhe da obra
Bastidores, percebe-se a
aplicação de materiais populares, o que a caracteriza como obra de arte utilitária.
Dois ciclistas profissionais chocaram-se em um parque público e...

Dois ciclistas profissionais chocaram-se em um parque público e culparam a ineficiência da sinalização local, uma vez que ambos leram e respeitaram a placa dirigida a esse tipo de esportista.
Os fatos relatados e a leitura da referida placa revelam que
a obediência às regras de segurança é fundamental na prática de esportes.
a prática de esporte dificulta a concentração do ciclista em outras informações.
a interpretação dos textos pode ser prejudicada por equívocos em sua elaboração.
A cada verão, o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, traz...

A cada verão, o Aedes aegypti, mosquito transmissor da
dengue, traz preocupação para os brasileiros. A charge
retrata essa situação a que o país está submetido.
Considerando os objetivos da charge, sua posição crítica
se dá na medida em que
compara o mosquito a um esportista.
enfatiza o poder de resistência do inseto.
elege o mosquito como o vilão da saúde.
atribui características humanas ao mosquito.
ignora a gravidade da questão por meio do humor.
O texto apresentado emprega uma estratégia de argumentação baseada...

O texto apresentado emprega uma estratégia de
argumentação baseada em recursos verbais e não
verbais, com a intenção de
— Ora dizeis, não é verdade? Pois o Sr. Lúcio queria esse cravo,...
— Ora dizeis, não é verdade? Pois o Sr. Lúcio queria esse cravo, mas vós lho não podíeis dar, porque o velho militar não tirava os olhos de vós; ora, conversando com o Sr. Lúcio, acordastes ambos que ele iria esperar um instante no jardim...
MACEDO, J. M. A moreninha. Disponível em: www.dominiopublico.com.br. Acesso em: 17 abr. 2010 (fragmento).
O trecho faz parte do romance A moreninha, de Joaquim
Manuel de Macedo. Nessa parte do romance, há um
diálogo entre dois personagens. A fala transcrita revela
um falante que utiliza uma linguagem
informal, com estruturas e léxico coloquiais.
regional, com termos característicos de uma região.
técnica, com termos de áreas específicas.
culta, com domínio da norma padrão.
lírica, com expressões e termos empregados em sentido figurado.
Mar português Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de...
Mar português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
PESSOA, F Mensagens. São Paulo: Difel, 1986.
Nos versos 1 e 2, a hipérbole e a metonímia foram utilizadas para subverter a realidade. Qual o objetivo dessa subversão para a constituição temática do poema?
Potencializar a importância dos feitos lusitanos durante as grandes navegações.
Criar um fato ficcional ao comparar o choro das mães ao choro da natureza.
Reconhecer as dificuldades técnicas vividas pelos navegadores portugueses.
Atribuir as derrotas portuguesas nas batalhas às fortes correntes marítimas.
Relacionar os sons do mar ao lamento dos derrotados nas batalhas do Atlântico.
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um...
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem
de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz
por trás de sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia
uma volta atrás da casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 2001.
Manoel de Barros desenvolve uma poética singular, marcada por “narrativas alegóricas”, que transparecem nas imagens construídas ao longo do texto. No poema, essa característica aparece representada pelo uso do recurso de
resgate de uma imagem da infância, com a cobra de vidro.
apropriação do universo poético pelo olhar objetivo.
transfiguração do rio em um vidro mole e cobra de vidro.
rejeição da imagem de vidro e de cobra no imaginário poético.
recorte de elementos como a casa e o rio no subconsciente.
Televisão x cinema Mais uma vez, reacende-se o desgastante debate...
Televisão x cinema
Mais uma vez, reacende-se o desgastante debate sobre “linguagem de televisão” e “linguagem de cinema”.
No mesmo país em que pagar ingresso ainda é luxo para milhões de pessoas, alguns críticos utilizam o termo “televisivo” para depreciar uma obra. E “cinematográfico” para enaltecê-la.
Como se houvesse um juiz onipotente a permitir ou não que se sinta uma história da maneira que se pretende senti-la.
Todos os sentidos ficam de fora da análise ignorante, tipicamente política, que divorcia a técnica da percepção sensorial. E é exatamente aí que reside o único interesse de um realizador: o momento do encontro do espectador com a obra.
MONJARDIM, J. O Globo, Rio de Janeiro, 24 set. 2004 (adaptado).
Ao comentar o ressurgimento do debate sobre “linguagem
de televisão” e “linguagem de cinema”, o autor mostra a
validade do debate para o aprimoramento da linguagem do cinema e da televisão.
neutralidade dos críticos no uso das palavras “televisivo” e “cinematográfico”.
contribuição dos críticos na valorização dos sentimentos do espectador.
O cartão-postal é um gênero textual geralmente usado por turistas...

O cartão-postal é um gênero textual geralmente usado
por turistas quando estão viajando, para enviar, aos
que ficaram, imagens dos lugares visitados. Entretanto,
o cartão-postal apresentado é uma peça publicitária, e
reconhece-se nela a intenção de
incentivar as pessoas de uma cidade a enviar cartões-postais umas para as outras.