Índios Brasileiros


Os índios brasileiros formam hoje um contingente que representa 0,42% da população brasileira. Entre os 305 diferentes grupos étnicos que vivem no Brasil, encontram-se os Guajajaras, povo indígena mais numeroso do país, que ocupam onze terras indígenas situadas nos estados do Amazonas e Maranhão.

Vivendo em reservas indígenas, demarcadas pelo governo federal, ocupam 13% do território brasileiro. O maior número de indígenas brasileiros vive na Região Norte do país (342,8 mil), e o menor na Região Sul (78,8 mil).

O Índio e a Chegada dos Portugueses

Quando os conquistadores portugueses chegaram ao Brasil, encontraram uma população indígena que habitava o litoral. Os índios que Cabral encontrou na Bahia pertenciam ao grupo linguístico tupi. Os contatos entre índios e brancos foram razoavelmente cordiais e marcados pelo escambo, ou seja, a troca de produtos. O trabalho de derrubar o pau-brasil e preparar a madeira para embarque era feito pelos indígenas, em troca de roupas, colares, espelhos, facas, serras e machados.

Quando o português implantou um sistema colonial e pretendeu transformar o índio em escravo agrícola, segregando-os nos engenhos, privados da caça, da pesca e da luta contra os inimigos, instalou-se uma guerra entre brancos e índios. As populações indígenas perderam suas terras e sofreram um aniquilamento progressivo. A escravidão indígena ocorria onde os colonos não tinha recursos para comprar escravos negros. A capitania de São Vicente (São Paulo), nos séculos XVI e XVII, foi o maior exemplo disso. De lá partiram as Bandeiras de caça ao índio, que promoviam verdadeiras guerras de extermínio.

Sociedade Indígena

O índio brasileiro vivia em regime de comunidade primitiva, onde prevalecia a ausência de propriedade privada e a produção era comunitária. O trabalho era dividido de acordo com o sexo e a idade. As mulheres cuidavam da lavoura, das crianças e cozinhavam. Plantava-se principalmente milho, feijão, mandioca, cará, batata-doce, abóbora e tabaco. Os homens caçavam, pescavam, construíam tabas, guerreavam e preparavam o solo para a lavoura. A alimentação obtida na caça, na pesca, na coleta e na lavoura era dividida entre todos os membros da comunidade.

Os índios moravam em ocas, onde dormiam em redes e esteiras. As ocas eram construídas de sapé ou de palmeira. Eram distribuídas em volta de um grande círculo, onde os índios faziam suas refeições e suas cerimônias religiosas. O conjunto de ocas formava a aldeia ou taba. Várias tabas formavam uma tribo e um conjunto de tribos formava uma nação.

Os índios adoravam vários deuses, admitiam uma trindade superior composta por Guaraci (o sol), Jaci (a lua) e Perudá ou Rodá (deus do amor). Adoravam as forças da natureza (vento, chuva, relâmpago, trovão) e tinham medo dos maus espíritos. Jurupari era um espírito mau, provocava pesadelos e apertava a garganta das crianças de noite. O chefe religioso da aldeia era o pajé, que possuía poderes mágicos.

O casamento era monogâmico, embora os chefes tivessem tantas esposas quanto pudessem sustentar. O número de esposas era fator de prestígio na tribo. Entre os tupis era comum o casamento entre primos. Quando um jovem desejava casar com uma moça de outro grupo, trabalhava para seu futuro sogro por algum tempo. Para os carajás, era considerado apto para o casamento o jovem que carregasse um tronco de madeira pesadíssimo e entre os curinas, os noivos tinham que suportar uma surra de chicote.

A Guerra e a Antropofagia

Quando os índios necessitavam de novos campos de caça, em virtude da escassez de animais, ou quando desejavam terras mais férteis, valiam-se da guerra. Desenvolvia-se assim, geração após geração, um ideal guerreiro de masculinidade, coragem e força.

A antropofagia entre os índios não era provocada pela ausência de alimentos. Os índios devoravam seus semelhantes por dois motivos: vingança e culto aos antepassados. Em algumas tribos devorava-se também os próprios membros da tribo que faleciam de morte natural. Acreditavam que desta forma assimilavam as virtudes do parente falecido.

Herança Cultural

Os costumes do povo brasileiro guardam muitas marcas da cultura indígena. Entre elas destacam-se o uso da rede de dormir, a utilização do milho, da mandioca, do guaraná e demais frutos nativos, a utilização de várias ervas medicinais, as técnicas de fabricação de canoas, jangadas e de artefatos de palha e cipó, a técnica da queimada das roças antes de fazer novo plantio etc.

A língua portuguesa falada em nosso país possui uma infinidade de palavras de origem indígena: Iara, Jaci, Itu, Itapetininga, Anhanguera, tapioca, beiju, pamonha, gamela, puçá, arapuca, dentre outras.

Os índios contribuíram para a formação da etnia brasileira. A união entre índios e brancos, a princípio ilegítimas, deu origem ao mameluco ou caboclo. Da união entre índios e negros, que ocorreu em menor grau, originou-se o cafuzo ou caburé.

Nações Indígenas

De acordo com uma classificação tradicional, baseada em critérios linguísticos, os índios do Brasil foram divididos em quatro grandes nações:

  • Tupi - espalhavam-se por toda a costa atlântica e várias áreas do interior;
  • ou Tapuia - ocupavam o Planalto Central brasileiro;
  • Nuaruaque - ocupavam a Bacia Amazônica;
  • Caraíba - ocupavam o norte da Bacia Amazônica.

Além dessas existem um grande número de nações menores. São 505 terras reconhecidas, espalhadas por vários estados brasileiros. Ainda vivem no Brasil um grande número de etnias que conservam sua cultura, entre elas: Ianomâmi (Amazonas e Roraima), Guajajara (Amazona e Maranhão), Macuxi (Amazonas e Roraima), Ticuna (fronteira entre Peru e Brasil), Terena (Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso), Xavante (Mato Grosso) e Pataxó (Bahia).

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