Joaquim Manuel de Macedo

Daniela Diana

Joaquim Manuel de Macedo foi um escritor brasileiro da primeira geração romântica (1836 a 1852).

É considerado um dos fundadores do romance no Brasil, com sua obra intitulada “A Moreninha”, publicada em 1844.

Esse romance foi caracterizada como a primeira obra da Literatura Brasileira, uma vez que enfocou no retrato dos hábitos da burguesia carioca.

Ademais, foi um dos principais responsáveis pela criação do teatro no Brasil e segundo ele: “O teatro é a mais extensa e concorrida escola da boa ou má educação do povo.”

Foi Patrono da Cadeira número 20 da Academia Brasileira de Letras (ABL) e, além da carreira literária, Joaquim atuou como médico, jornalista e professor.

Para saber mais sobre esse período, acesse o link: Primeira Geração Romântica.

Biografia

Joaquim Manuel de Macedo nasceu no interior do Rio de Janeiro, na cidade de Itaboraí, dia 24 de junho de 1820.

Filho do casal Severino de Macedo Carvalho e Benigna Catarina da Conceição, Macedo concluiu os estudos secundários em Itaboraí.

Com 18 anos mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade de Medicina, formando-se em 1844, ano da publicação de sua obra mais conhecida, A Moreninha.

Chegou a trabalhar como médico, porém, dedicou-se o resto da vida à literatura, uma vez que essa obra lhe proporcionou fama e fortuna.

Em 1849, junto aos escritores, Araújo Porto-Alegre (1806-1879) e Gonçalves Dias (1823-1864) fundou a "Revista Guanabara". Como jornalista fundou o jornal "A Nação", do qual tornou-se o principal articulista e fomentador.

Estabeleceu forte vínculo com a Família Imperial Brasileira, relação que lhe proporcionou ser professor de história e geografia do Colégio D. Pedro II.

Além disso, foi eleito membro do Conselho Diretor da Instituição Pública da Corte (1866) e atuou como militante político no partido liberal, sendo Deputado Provincial (1850, 1853, 1854-1859) e Deputado Geral (1864-1868 e 1873-1881).

No final de sua vida, sofreu com problemas mentais e no dia 11 de abril de 1882, com 61 anos, faleceu no Rio de Janeiro.

Leia também: Prosa Romântica no Brasil.

Obras

Dono de uma obra extensa, Joaquim foi um ávido escritor, donde destacam-se romances, contos, crônicas, poesias, biografias, obras teatrais e textos históricos, geográficos e da área médica. Algumas obras:

  • A Moreninha (1844)
  • O Moço Loiro (1845)
  • Os Dois Amores (1848)
  • Rosa (1849)
  • Vicentina (1853)
  • O Forasteiro (1855)
  • A Carteira do Meu Tio (1855)
  • A Nebulosa (1857)
  • Luxo e Vaidade (1860)
  • Os Romances da Semana (1861)
  • Lusbela (1863)
  • A Luneta Mágica (1869)
  • Ano Biográfico Brasileiro (1876)
  • Mulheres Célebres (1878)
  • Cigarro e seu Sucesso (1880)

A Moreninha

A obra mais emblemática de Joaquim Manuel de Macedo foi o romance, publicado em 1844, o qual lhe concedeu fama e fortuna, intitulado “A Moreninha”.

Essa obra foi um “divisor de águas” na sua vida, posto que com o sucesso que obteve, abandonou sua carreira médica, a fim de se dedicar exclusivamente à literatura.

O romance relata a história de quatro estudantes de medicina (Filipe, Leopoldo, Augusto e Fabrício) durante um final de semana numa ilha.

Nessa ocasião, um deles, Augusto, se apaixona pela protagonista, a moreninha Carolina.

Diante de tanta relevância para a cultura brasileira, “A Moreninha” contou com duas adaptações para o cinema, uma de 1915 e outra de 1970; e ainda duas para telenovela, uma de 1965 e outra em 1975.

Frases

  • Entre as senhoras há um crime que não se perdoa; é o crime da superioridade aclamada e feliz.”
  • Assim como o perfume é a expressão da flor, o pensamento é o perfume do espírito.”
  • Amor?... Amor não é efeito, nem causa, nem princípio, nem fim, e é tudo isso ao mesmo tempo; é uma coisa que... sim... finalmente, para encurtar razões, amor é o diabo.”
  • O amor é um anzol que, quando se engole, agadanha-se logo no coração da gente, donde, se não é com jeito, o maldito rasga, esburaca e se aprofunda.”
  • O amor e política, tirando ambos igualmente o juízo ao homem, têm um notável ponto de dessemelhança: o amor sacrifica a barriga ao coração, e a política de muita gente é um sacrifício do coração à barriga.”
  • O mundo é um teatro imenso, onde os homens, quer em relação à política, quer em relação às suas profissões, às sociedades que frequentam, e até a própria religião, são cômicos mais ou menos habilidosos. Todos representam, e muitos, ou quase todos, o fazem até mascarados.”
  • Quanto mais cruel é o senhor, mais vil é o escravo.”
Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.