Gonçalves de Magalhães


Gonçalves de Magalhães foi um escritor brasileiro pertencente à primeira geração romântica, fase marcada pelo binômio nacionalismo-indianismo, sendo considerado um dos precursores do romantismo no Brasil.

Patrono da Cadeira n° 9 na Academia Brasileira de Letras (ABL), exerceu também a profissão de jornalista, médico, professor e diplomata.

Para saber mais, acesse o link: Primeira Geração Romântica

Biografia

Domingos José Gonçalves de Magalhães, o Visconde do Araguaia, nasceu no Rio de Janeiro dia 13 de agosto de 1811. Desde cedo desenvolveu o gosto pelas artes, sobretudo, pintura e literatura.

Ingressou no curso de Medicina, no Colégio Médico-Cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia, em 1828, graduando-se em 1832, ano que publicou seu primeiro livro “Poesias”.

Estudou também Filosofia de Monte Alverne, no Seminário Episcopal de São José. Em 1833, resolve aperfeiçoar seus conhecimentos na área médica e viaja para a Europa.

Envolvido no meio literário parisiense, o escritor publicou, em 1836, o Manifesto Romântico intitulado “Discurso sobre a Literatura no Brasil”; e, junto aos escritores brasileiros Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) e Francisco de Sales Torres Homem (1812-1876) fundaram a Revista Niterói (Nitheroy, revista brasiliense) focada na divulgação de textos nas áreas das ciências, letras e artes, com o intuito de divulgar a cultura brasileira.

Entretanto, foi com sua obra “Suspiros Poéticos e Saudades” (1836) que Gonçalves de Magalhães se destacou, sendo considerada a primeira obra do romantismo no Brasil.

Em 1837, retorna ao Brasil e começa a escrever obras de dramaturgia, inaugurando, também, o teatro romântico no Brasil. No ano seguinte, foi nomeado professor de Filosofia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Além disso, foi secretário do coronel Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, no Maranhão. Permaneceu no cargo de 1837 a 1841. Mais tarde viaja para o Rio Grande do Sul sendo eleito Deputado.

Em 1847, ingressou na profissão de Diplomacia exercendo a função de Ministro de Negócios em diversos países: Paraguai, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Itália, Vaticano, Áustria, Rússia e Espanha.

Nesse mesmo ano casou-se com Ana Amélia, com quem teve dois filhos: Domingos e Luís. Em 1876, recebe o título de Visconde do Araguaia. Falece em Roma, Itália, dia 10 de julho de 1882.

Principais Obras

Suas obras estão repletas de características românticas imbuídas de amplo valor histórico. Alguns temas recorrentes são o nacionalismo, a morte, a infância, Deus, a natureza, dentre outros.

Gonçalves de Magalhães escreveu poesias (indianistas, amorosas e religiosas), teatro, ensaios e textos filosóficos. Sua obra que mais se destacou foi “Suspiros Poéticos e Saudades”, publicada em Paris, em 1836. Outras obras:

  • Poesias (1832)
  • Antônio José ou o Poeta e a Inquisição (1838)
  • Olgiato (1839)
  • Os Mistérios (1857)
  • Urânia (1862)
  • Cânticos Fúnebres (1864)
  • Opúsculos Históricos e Literários (1865)
  • Fatos do Espírito Humano (1865)
  • Confederação dos Tamoios (1856)
  • A Alma e o Cérebro (1876)
  • Comentários e Pensamentos (1880)

Para saber mais, acesse o link: Romantismo no Brasil

Suspiros Poéticos e Saudades

Obra poética antilusitana, posto que o Brasil passava pelo processo de emancipação política, marcada pela Independência do país, proclamada em 1822.

Dessa forma, em sua obra o autor enfoca o patriotismo, nacionalismo, o individualismo e o sentimentalismo, mediadas por temas como a idealização da natureza e da infância, sendo assinalada pelo sentimentos de saudade e nostalgia de seu país de origem.

Poesias

Segue abaixo três poesias da obra de Gonçalves de Magalhães presentes na obra “Suspiros Poéticos e Saudades” (1836):

A Fantasia

Para dourar a existência

Deus nos deu a fantasia;

Quadro vivo, que nos fala,

D’alma profunda harmonia.

Como um suave perfume,

Que com tudo se mistura;

Como o sol que flores cria,

E enche de vida a natura.

Como a lâmpada do templo

Nas trevas sozinha vela,

Mas se volta a luz do dia

Não se apaga, e sempre é bela.

Dos pais, do amigo na ausência,

Ela conserva a lembrança,

Aviva passados gozos,

E em nós desperta a esperança.

Por ela sonho acordado,

Subo ao céu, mil mundos gero;

Por ela às vezes dormindo

Mais feliz me considero.

Por ela, meu caro Lima,

Viverás sempre comigo;

Por ela sempre a teu lado

Estará o teu amigo.

A Tristeza

Triste sou como o salgueiro

Solitário junto ao lago,

Que depois da tempestade

Mostra dos raios o estrago.

De dia e noite sozinho

Causa horror ao caminhante,

Que nem mesmo à sombra sua

Quer pousar um só instante.

Fatal lei da natureza

Secou minha alma e meu rosto;

Profundo abismo é meu peito

De amargura e de desgosto.

À ventura tão sonhada,

Com que outrora me iludia,

Adeus disse, o derradeiro,

Té seu nome me angustia.

Do mundo já nada espero,

Nem sei por que inda vivo!

Só a esperança da morte

Me causa algum lenitivo.

A Flor Suspiros

Eu amo as flores

Que mudamente

Paixões explicam

Que o peito sente.

Amo a saudade,

O amor-perfeito;

Mas o suspiro

Trago no peito.

A forma esbelta

Termina em ponta,

Como uma lança

Que ao céu remonta.

Assim, minha alma,

Suspiros geras,

Que ferir podem

As mesmas feras.

É sempre triste,

Ensanguentado,

Quer seco morra,

Quer brilhe em prado.

Tais meus suspiros...

Mas não prossigas,

Ninguém se move,

Por mais que digas.