Mula sem Cabeça

Daniela Diana

A mula sem cabeça é um personagem do folclore brasileiro e um dos mais conhecidos mitos brasileiros. Trata-se de uma burrinha de cor preta ou marrom, que em lugar da cabeça apresenta uma tocha de fogo.

Possui ferraduras de aço ou prata e relincha tão alto que se escuta a muitos metros de distância. É comum também ouvir o animal soluçar como um ser humano.

A mula costuma correr pelas matas e campos assustando pessoas e animais.

Origem e história da Lenda da Mula sem cabeça

Mula sem cabeça

Mula sem cabeça é uma lenda que provavelmente teve sua origem nos povos da Península Ibérica, e que foi trazida para a América pelos portugueses e espanhóis.

No Brasil, a lenda se espalhou na área rural, na zona canavieira do Nordeste e no interior do Sudeste do país.

No folclore mexicano, a lenda da mula sem cabeça é conhecida como Marola. Na Argentina, ficou conhecida com o nome de Mula Anima.

Existem outras versões para a origem da mula sem cabeça. Conta-se que, se uma mulher dormir com o namorado antes do casamento, pode se enfeitiçar e virar uma mula sem cabeça.

Essa versão está ligada às tradições das famílias que buscavam o controle dos relacionamentos amorosos de suas filhas. Era uma forma de mantê-las dentro dos padrões morais da época.

No livro Histórias de Tia Anastácia, o escritor Monteiro Lobato faz referência aos diversos personagens do folclore brasileiro. Entre eles podemos citar: Saci Pererê, Curupira, Iara, Boitatá, Lobisomem e Mula sem Cabeça, os quais aparece em vários episódios do Sítio do Pica-pau Amarelo, assustando a todos no sítio.

Segundo a lenda, toda mulher que mantivesse ligações amorosas com um padre, seria castigada e transformada em mula sem cabeça.

Essa lenda tem um cunho moral e religioso, onde se pretendia intimidar as mulheres que procuravam manter um relacionamento com os religiosos da Igreja Católica.

Segundo a narrativa, o encantamento acontecia nas noites de quinta-feira, quando a mulher era transformada em mula sem cabeça. Ela lançava fogo pelo pescoço e corria em disparada pelas matas e pelos campos. Com suas patas, ela despedaçava os animais e as pessoas que surgissem em sua frente.

Até o terceiro cantar do galo, quando o encantamento desaparecia e ela estava exaurida ou mesmo ferida, ela retornava a sua normalidade.

Para acabar de vez com o encantamento que recaía sobre a pecadora, alguém deveria arrancar os freios da mula ou furá-la com algum objeto pontiagudo a fim de tirar-lhe sangue, mesmo que fosse apenas uma gota.

O encantamento também poderia ser tirado pelo padre (o amante), que deveria amaldiçoá-la sete vezes antes de celebrar as missas.

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.