Pero Vaz de Caminha

Daniela Diana

Pero Vaz de Caminha foi um escrivão português, responsável por descrever as primeiras impressões desde a chegada ao Brasil, em 1500. Ele fez parte da frota de Pedro Álvares Cabral.

Biografia

Pero Vaz de Caminha nasceu por volta de 1450 no Porto, Portugal. Seu pai era Cavaleiro do Duque de Bragança.

Foi mestre da balança da Casa da Moeda, ocupando o cargo de escrivão e tesoureiro. Além de escrivão, foi vereador da cidade do Porto, em 1497.

Casou-se com Dona Catarina e com ela teve uma filha: Isabel de Caminha. Em março de 1500, acompanhou a frota de Pedro Álvares Cabral como escrivão-mor.

Quando chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500, ele escreveu um documento relatando para o Rei Dom Manuel I as impressões das terras encontradas. Esse relato ficou conhecido como "A Carta de Pero Vaz de Caminha".

Ao deixarem o Brasil, seguem rumo às Índias, onde morre numa batalha nas feitorias portuguesas que já estavam instaladas em Calicute.

Faleceu com 50 anos, em Calicute, Índia, em 15 de dezembro de 1500.

A Carta de Pero Vaz de Caminha

A Carta De Pero Vaz de Caminha foi intitulada: “Carta a el- Rei Dom Manoel sobre o achamento do Brasil”.

Isso porque ela foi escrita para o Rei Manoel I de Portugal, em 1.° de maio de 1500. O intuito principal era contar as primeiras impressões sobre o local "descoberto".

Pero Vaz de CaminhaO Manuscrito da Carta de Pero Vaz de Caminha

Com o objetivo de relatar sobre o local encontrado além-mar, ele descreve a paisagem, as belezas naturais das terras encontradas, bem como os povos indígenas que habitavam a região.

Note que esse documento possui um grande valor histórico e literário na história do Brasil, visto ser o primeiro em que o País é mencionado.

Na literatura, esse período foi chamado de Quinhentismo e sua principal característica é a literatura de informação. Ele esteve marcado pelas crônicas de viagem, os textos descritivos e informativos.

Veja um trecho da carta em que ele descreve os índios:

Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma. Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos.”

Saiba mais sobre os aspectos históricos com a leitura dos textos:

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.