Peste Negra

Juliana Bezerra

A peste negra ou peste bubônica foi uma doença que assolou a Ásia e a Europa, no séc. XIV.

No continente europeu, a epidemia durou dezesseis anos, de 1347 até 1353, em plena Idade Média. Calcula-se que 25 milhões de pessoas tenham morrido, o que significava um terço da população na Europa naquela época.

A enfermidade teve sua origem na Mongólia e se espalhou pelo Ocidente através dos barcos que realizavam o comércio entre Ásia e Europa.

Resumo da origem peste negra

Os relatos sobre a peste negra foram registrados durante a guerra entre genoveses e mongóis travada na cidade de Caffa (atual Teodósia), na Península da Crimeia, em 1346.

Ao ver que os mongóis muçulmanos morriam, os genoveses católicos atribuíam à doença à justiça divina, pois era um sinal inequívoco que Deus estaria do lado dos cristãos.

Quando a contenda acaba, os genoveses voltam à Península Itálica levando a bordo ratos que hospedavam pulgas e eram elas que transmitiam a bactéria da doença. Outro caminho de propagação foi a Rota da Seda por onde passavam as caravanas vinda do Oriente em direção aos mercados europeus.

Esses ratos entrarão em contato com seus pares europeus e assim é disseminada a enfermidade a partir de portos como Veneza, Marselha, Barcelona, Valência, etc.

Quais são os sintomas da peste negra?

Vejamos alguns dos sintomas da peste negra ou bubônica:

  • Dores pelo corpo
  • febre alta
  • tosse
  • sede
  • sangramento no nariz e outros orifícios
  • inchaço nos gânglios e aparecimento de bulbos

Os sintomas da peste negra eram parecidos aos de uma gripe muito forte, porém com a importante diferença que os gânglios inchavam. Então, apareciam na pele protuberâncias que se pareciam aos bulbos das plantas. Por conta disso, a enfermidade também recebe o nome de "peste bubônica".

Veja também: Peste bubônica

Médicos da peste negra

Durante a peste negra, as cidades contratavam médicos para tratar os doentes. Nem sempre estes eram habilitados ou possuíam estudos de medicina, mas eram aceitos com a esperança de que trariam a cura.

Máscara peste negra
Médico da peste negra utilizando máscara em gravura do século XVII

No século XVII, os médicos vestiam uma máscara feita de couro e com um bico que se assemelhava ao de uma ave. Dentro dele havia ervas aromáticas a fim de prevenir o contágio, pois durante muito tempo se acreditou que a doença era transmitida pelo ar. Essas ervas também ajudavam a suportar o fedor da putrefação dos cadáveres.

Esses médicos ganhavam bastante dinheiro durante os períodos de epidemia, porém, ironicamente, nem todos sobreviviam à peste.

Qual era a cura da peste negra?

Para curar da peste negra, não havia muito que fazer, a não ser isolar o doente. Mesmo assim, o contágio atingiu e matou os habitantes de aldeias inteiras, esvaziou mosteiros e assustou populações.

As autoridades decretavam o isolamento das regiões atingidas - lembrem-se que na Idade Média várias cidades eram amuralhadas e podiam se fechar facilmente.

Outra medida era acender fogueiras e queimar ervas a fim de que a fumaça levasse a doença embora. Também eram empregadas beberagens feitas à base de valeriana e verbena com o objetivo de tratar os doentes.

Como acabou a peste negra?

A epidemia da peste negra chegou ao fim devido às medidas de higiene empregadas como o confinamento, a construção de hospitais fora dos muros da cidade e a incineração dos mortos. Com isso, os contágios diminuíram.

A verdade, porém, é que a peste negra não foi extinta, pois em todo mundo foram registrados surtos desta doença até o começo do séc. XX.

Inclusive, atualmente, cerca de três mil pessoas morrem desta doença todos os anos.

Consequências da peste negra

Ao mesmo tempo que a peste negra assolava a Europa, França e Inglaterra se batiam na Guerra dos Cem Anos. Esses dois fatores vão provocar uma série de mudanças sociais e econômicas na Baixa Idade Média.

Com a falta de mão de obra, os servos pensavam que o salário da jornada de trabalho iria aumentar, mas isso quase não aconteceu. Este fato gerou várias revoltas camponesas que desestabilizaram a sociedade medieval.

Por sua vez, a maioria dos servos deixam o campo e vão para as cidades onde havia mais trabalho e recursos. Assim, começa a crescer o poder da burguesia iniciando a crise do feudalismo e a revolução burguesa.

Da mesma forma, houve quem se apropriasse de terras, bens e heranças que foram deixados abandonados por aqueles que haviam morrido vítimas da peste.

Igualmente, surgiram ordens religiosas de flagelantes que costumavam se mutilar para buscar o perdão dos pecados. As indulgências, concedidas pela Igreja Católica, também ganharam força, pois todos tratavam de assegurar uma boa morte. Mais tarde, esta atitude seria criticada por Matinho Lutero, impulsor da Reforma Protestante.

Peste negra no Brasil

O Brasil sofreu uma epidemia de peste negra de 1900 a 1907.

Em 1899, a cidade do Porto, em Portugal, foi atacada por esta doença e provavelmente, os navios brasileiros que comerciavam ali, trouxeram o rato e suas pulgas.

Inicialmente, foram registrados casos em Santos (SP), mas foi a cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, que enfrentou as maiores consequências. Além disso, a febre amarela, que era epidêmica àquela época, e a varíola, se juntaram à peste bubônica, tornando a situação caótica.

Estas enfermidades só foram extintas através de medidas drásticas de higiene, vacinação e saneamento básico. No entanto, estas foram aplicadas sem o devido esclarecimento à população e originou a Revolta da Vacina, em 1904.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.