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Questões sobre Sócrates (com gabarito comentado)

Diogo Orsi
Diogo Orsi
Professor de Filosofia e Sociologia

Sócrates (469–399 a.C.) é o filósofo ateniense que transformou a filosofia em conversa pública. Em vez de dar aulas expositivas, fazia perguntas para testar ideias, usando ironia (mostrar contradições) e maiêutica (ajudar o outro a “parir” conhecimento). Buscava definições para noções como justiça e virtude, ligando conhecimento e ação moral.

Para aprofundar a compreensão dessas ideias, o conteúdo a seguir apresenta questões sobre Sócrates que ajudam a revisar conceitos centrais de sua filosofia e a fixar o aprendizado de forma clara e objetiva.

Questão 1

Sócrates introduziu uma novidade na discussão filosófica por meio de seu método, constituído de duas etapas: a da ironia diante do oponente, por meio da qual Sócrates afirmava inicialmente nada saber e então desmontava as certezas do seu interlocutor; e a maiêutica (“parto”), que “dava à luz” novas ideias, procurando a definição mais precisa possível de um conceito. (ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofia)

De acordo com o método descrito, a finalidade central do diálogo socrático é:

A) colecionar opiniões diversas para comparar crenças.

B) memorizar exemplos morais de cidadãos ilustres.

C) obter definições conceituais após expor contradições do interlocutor.

D) convencer o oponente por meio de discursos longos.

E) apresentar doutrinas prontas ao público.

Gabarito explicado

No diálogo socrático, a ironia faz o interlocutor perceber que suas certezas têm problemas. Já a maiêutica ajuda a “parir” uma resposta melhor. O objetivo não é acumular opiniões, mas chegar à definição clara do conceito (“o que é…?”). Por isso, a finalidade central é obter definições conceituais.

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Questão 2

“Os sofistas […] possuem uma concepção segundo a qual o conhecimento é relativo […], a verdade resultando apenas de nossas opiniões […]. A verdade é, portanto, múltipla, relativa e mutável […]. Sócrates opõe-se aos sofistas ao defender a necessidade […] da definição das coisas. Segundo Sócrates, pode-se chegar a essa verdade pelo método maiêutico.” (MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein)

A oposição de Sócrates aos sofistas se expressa quando ele:

A) admite que toda crença pública define a verdade.

B) reduz a filosofia à oratória política eficaz.

C) considera virtudes como hábitos sem análise conceitual.

D) rejeita o relativismo e busca definições por meio da maiêutica.

E) substitui o diálogo por dogmas religiosos.

Gabarito explicado

Os sofistas valorizavam a opinião e a eficácia do discurso (poder de convencimento), aceitando a relatividade da verdade. Sócrates discorda: para ele, é preciso definir os conceitos e justificar as respostas com razões. A maiêutica é o caminho desse esclarecimento, por isso ele rejeita o relativismo e busca definições claras.

Questão 3

“Mais sábio do que esse homem eu sou; é bem provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um nadinha mais sábio que ele em não supor que saiba o que não sei.” (ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofia)

O sentido filosófico dessa passagem da Apologia de Sócrates é:

A) ceticismo absoluto: não há verdade alguma.

B) exame crítico da ignorância como ponto de partida.

C) culto à opinião comum como critério.

D) retórica superior aos conteúdos.

E) abandono do diálogo por silêncio prudente.

Gabarito explicado

Sócrates não diz “nada existe”, mas sim que “não finjo saber o que não sei”, ou “só sei que nada sei”. Esse reconhecimento da ignorância inicial abre espaço para investigar melhor e aprender de fato. É um ponto de partida crítico e honesto, não um ceticismo total.

Questão 4

“Em 399 a.C. Sócrates é acusado […] por desrespeito às tradições religiosas e por corrupção da juventude. […]. Diante de um júri de 501 cidadãos, apresenta sua apologia; recusa pedir pena ou declarar-se inocente; é condenado a beber cicuta. […] Recusa fugir, preferindo morrer coerente com suas ideias.” (MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein)

O desfecho do julgamento evidencia que Sócrates:

A) aceita a oratória sofística para absolver-se.

B) privilegia a sobrevivência ao compromisso com a lei.

C) abandona o diálogo e busca exílio.

D) renuncia às convicções por pressão da maioria.

E) mantém coerência com o que ensinava.

Gabarito explicado

Condenado, Sócrates recusa-se a fugir e aceita a pena de morte, mantendo o que sempre defendeu: respeito às leis e coerência entre discurso e ação. Ele demonstra, na prática, o compromisso com seus princípios e com a cidade (polis), mesmo quando isso tem um custo pessoal altíssimo.

Questão 5

“Sócrates afirma que apenas o ignorante é vicioso ou incapaz de virtude, pois quem sabe o que é o bem não poderá deixar de agir virtuosamente. […] As questões socráticas inauguram a filosofia moral […], partem da consciência do agente.” (CHAUÍ, Marilena. Iniciação à filosofia)

A tese ética de Sócrates defende que:

A) conhecer o Bem conduz à ação virtuosa.

B) virtude é hábito sem relação com a razão.

C) mal moral é útil em certas ocasiões.

D) sentimentos definem a moral sem reflexão.

E) leis bastam para tornar alguém virtuoso.

Gabarito explicado

Para Sócrates, virtude é conhecimento: quem realmente sabe o que é o Bem não age contra ele. O vício nasce da ignorância, não de uma maldade “por gosto”. Assim, aprender e entender o Bem nos conduz à ação virtuosa.

Questão 6

“A definição correta nunca é dada pelo próprio Sócrates […] o interlocutor passa por revisão de crenças […] Os diálogos socráticos são aporéticos. […] Sócrates caracterizou seu método como maiêutica […], o papel do filósofo é fazer com que o outro dê à luz suas próprias ideias.” (MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein)

O caráter “aporético” dos diálogos significa que:

A) o objetivo é compilar máximas morais definitivas.

B) a verdade depende só do consenso da assembleia.

C) o filósofo transmite doutrina pronta ao discípulo.

D) o diálogo acaba em um impasse, orientando o interlocutor a melhor definir conceitos.

E) a investigação termina no ceticismo.

Gabarito explicado

“Aporia” significa impasse, um beco sem saída. O diálogo chega a um ponto em que as respostas antigas não servem mais. Isso não é uma derrota, mas um avanço: com a ajuda da maiêutica, o interlocutor revê as suas crenças e melhora a definição do conceito discutido.

Questão 7

As fontes destacam Sócrates nas praças de Atenas, interrogando cidadãos sobre valores tidos por evidentes. Suas perguntas revelavam contradições, abalavam opiniões repetidas e exigiam razões. Ao confrontar costumes e poderes, ele tornou-se incômodo para muitos, especialmente por estimular a juventude a pensar criticamente.

Nesse retrato, a atitude filosófica de Sócrates se reconhece por:

A) respeitar sem questionar tradições religiosas.

B) exigir razões públicas e examinar opiniões na esfera cívica.

C) afastar-se da política e do debate.

D) impor dogmas aos jovens.

E) substituir argumentos por apelos à autoridade.

Gabarito explicado

Sócrates levava a filosofia para a praça pública (a ágora), pedindo razões públicas para ideias antes aceitas sem a devida reflexão. Ao questionar costumes e autoridades, ele transformava a conversa em exercício cívico, baseado em examinar opiniões à luz do bem comum e da justificação racional.

Questão 8

Nossas informações sobre Sócrates vêm sobretudo dos diálogos de Platão, além de Xenofonte. O filósofo grego atuava por meio do diálogo nas praças públicas e acabou condenado por suas ideias. Sobre Sócrates, avalie as alternativas e abaixo como verdadeiras ou falsas.

I. ( ) Sócrates deixou uma obra escrita extensa.

II. ( ) Foi julgado por impiedade e corrupção dos jovens.

III. ( ) Seu método combina ironia e maiêutica.

IV. ( ) Prioriza a coleta de opiniões sem buscar definições.

Assinale a alternativa correta:

A) V – V – F – V

B) F – V – V – F

C) F – F – V – V

D) V – V – V – F

E) V – F – V – V

Gabarito explicado

I é falsa, Sócrates não deixou nada escrito; II é verdadeira, as acusações contra Sócrates eram de impiedade e de corromper os jovens atenienses; III é verdadeira, o método Socrático era composto pela ironia de “nada saber” e a maiêutica de revelar a verdade nas opiniões dos interlocutores; IV é falsa, pois Sócrates, embora valorizasse as opiniões (doxa), buscava definições claras de conceitos.

Veja também:

Exercícios sobre os filósofos pré-socráticos (com gabarito)

Exercícios sobre Aristóteles e sua filosofia (com gabarito)

Exercícios sobre o pensamento platônico (com gabarito)

Referências Bibliográficas

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 14. ed. São Paulo: Ática, 2000

CHAUÍ, Marilena. Iniciação à filosofia. 4. ed. São Paulo: Ática, 2002

MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 7. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2010

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofia. (Coleção Moderna Plus). São Paulo: Moderna, 2013

Diogo Orsi
Diogo Orsi
Bacharel (PUC/SP) e licenciado (UniBF) em Filosofia. Mestrando em Filosofia (Unifesp), com ênfase em filosofia política contemporânea.