Tutancâmon

Juliana Bezerra

Tutancâmon foi um faraó da 18 º dinastia e reinou no Egito durante nove anos, de 1336 a 1327 a.C..

Era filho do faraó Aquenatón e de uma concubina. Era, portanto, enteado de Nefertiti, a esposa principal do faraó. Durante seu reinado, Aquenatón tentou introduzir o culto a um deus único, ao deus Aton, identificado com o sol no Egito.

Obs:o nome do faraó foi escrito durante muito tempo na língua portuguesa como Tutankhamon, uma reedição malfeita do inglês. Porém, hoje se utiliza a grafia Tutancâmon, mais de acordo com o português.

Tutancâmon máscara mortuária

Máscara mortuária do faraó Tutancâmon

Biografia

Nascido de uma das esposas secundárias do seu pai, Tutancâmon padeceu de alguma doença degenerativa devido aos frequentes casamentos entre irmãos. Sofria constantemente dores nos ossos e devia caminhar apoiado por uma muleta.

Casou-se com sua meia-irmã Anchesenamon (filha de Aquenatón e Nefertiti) aos nove anos. O casal não deixou herdeiros, mas teve duas filhas que morreram quando ainda eram bebês.

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Durante seu breve governo, restaurou o culto aos antigos deuses e Tebas voltou a ser capital do reino. Porém, o jovem rei era praticamente um refém de Ay, um alto funcionário da corte que serviu a vários faraós.

Ambicioso, muitos estudiosos atribuem que Ay possa ter assassinado o faraó Tutancâmon. De qualquer forma, era ele quem controlava a entrada de pessoas ao palácio real e influenciava o faraó para tomar qualquer decisão importante.

Depois da morte de Tutancâmon, Ay se casou com a viúva deste, Anchesenamon, a fim de se legitimar no trono. Também acredita-se que ela tenha sido morta por ele meses depois.

Contexto Histórico

O reinado do faraó Aquenatón foi marcado por um fato sem precedentes na Antiguidade: a tentativa de instauração do monoteísmo dentro de uma cultura profundamente politeísta.

O faraó transferiu a capital do Reino para Amarna onde rendia culto ao novo deus juntamente com sua família. Esta experiência durou dez anos e acabou por trazer perturbações sociais e políticas em todo reino egípcio.

A numerosa classe sacerdotal não viu com bons olhos o fechamento dos templos e a perda de seus privilégios. Igualmente, o povo simples, não gostou da mudança de cultuar somente um único deus.

Após a morte do faraó Aquenatón, o antigo culto aos deuses foi restaurado por seu filho e sucessor Tutancâmon.

Posteriormente, Aquenatón seria considerado um herege pelos seus sucessores. Desta maneira, o seu nome e o de sua família foi apagado da lista de faraós egípcios.

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Descoberta da Tumba e Múmia

Tutancâmon reinou apenas nove anos durante uma época turbulenta. No entanto, a descoberta do seu túmulo praticamente intacto no ano de 1922, graças ao arqueólogo britânico Howard Carter, restaurou seu nome na história do Antigo Egito.

Isolada no Vale do Reis, o túmulo do faraó Tutancâmon escapou do saque dos ladrões. Por isso deixou para os egiptólogos um tesouro incomparável que permitiu reescrever esta parte da história egípcia.

Os egípcios da Antiguidade acreditavam que após a morte, a vida continuava junto aos deuses. Assim deveriam ir preparados levando alimentos, bebidas, móveis, tecidos e tudo mais que fosse necessário para serem bem-recebidos.

No entanto, os ladrões assaltavam os túmulos e os despojavam de suas riquezas ignorando o castigo do além. A tumba do faraó Tutancâmon ficou intacta permitindo aos historiadores uma fonte de documentos inéditos.

A máscara mortuária do faraó, feita de ouro maciço, é uma das imagens mais conhecidas do Egito Antigo, tanto pela sua beleza quanto por sua perfeição.

Na tumba do faraó Tutancâmon foram encontrados:

  • o sarcófago de 110,4 quilos de ouro puro
  • uma carruagem de ouro
  • uma estátua de Anúbis representado como um chacal
  • duas estátuas de sentinelas de madeira douradas
  • santuários para diversos deuses
  • Um busto dourado da Vaca Celestial Mehet-Weret
  • jarros de vinho branco e tinto;
  • réplicas de barcos
  • objetos pessoais como caixas e cadeiras de ébano
  • uma faca feita de metal proveniente de um meteorito
  • dois caixões que continham dois corpos de bebês, identificadas como as filhas de Tutancâmon e Anchesenamon.

Abertura da tumba de Tutancâmon

Howard Carter estudando o túmulo em 1923

Curiosidades

Quando a tumba de Tutancâmon foi descoberta ocorreram várias mortes com pessoas relacionadas a sua abertura. Os jornais sensacionalistas ingleses exploraram o máximo estes falecimentos e inventaram a "Maldição do Faraó" para explicar tais acontecimentos.

O faraó Tutancâmon é o único que continua enterrado no Vale dos Reis.

Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.