Visigodos

Juliana Bezerra

Os visigodos são uma das ramificações dos povos godos.

Seu nome significa “godos do oeste”, para se diferenciarem dos ostrogodos ou godos do leste.

Sua origem está nas margens do Mar Negro, na atual Romênia, constituindo um dos vários povos germânicos (ou bárbaros) que ocuparam o território do Império Romano do Ocidente.

Por volta dos séculos II e III, os godos abandonam seu território natal e se deslocam em direção a Roma, como um dos povos federados do Império. Os visigodos já haviam assimilado vários costumes romanos por conviverem com as legiões estacionados no rio Danúbio.

Passam pela Península Itálica, seguem para o sul da França e se estabelecem na Península Ibérica. No sul da França, chegam em 418 na cidade de Toulouse e a fazem capital do reino, até 507, quando são expulsos por Clóvis I.

Enquanto isso, os visigodos entraram na Hispânia (Espanha romana) como aliados dos romanos e os ajudam a manter a Península Ibérica a partir do século VI. Dois povos godos, suevos e visigodos, conseguem estabelecer reinos independentes.

Com a derrota e expulsão dos visigodos no sul da França, os visigodos se concentram na Península Ibérica. Posteriormente, o rei Leovigildo (572-586) submete os suevos, cria um reino cuja capital será Toledo, na Espanha.

Reino Visigótico

O reino visigótico durou de 420 até 711 e ocupou praticamente todo território da Espanha e do sudeste da França.

A monarquia visigoda era eletiva e o soberano era escolhido por uma assembleia de nobres e membros do clero. O rei era o juiz supremo, chefe do Exército e legislador, e governava apoiado pelo Conselho do Rei, que era composto por nobres do topo da hierarquia.

No entanto, por ser de caráter eletivo e não hereditário, as brigas pelo poder eram frequentes.

Para se ter uma ideia, de trinta e quatro reis visigodos, dez morreram assassinados por seus familiares, nove por cortesanos e apenas quinze faleceram de morte natural.

Território do reino visigodo pela Península Ibérica e sul da França
Expansão territorial do reino Visigodo no séc. V. Fonte: Wikepedia

Religião

Inicialmente, os visigodos eram politeístas, mas a partir do ano 240, se convertem ao cristianismo ariano (arianismo) pregado pelo bispo Úlfilas.

O arianismo afirmava que Cristo não tinha a mesma natureza que Deus e foi considerado como heresia a partir do Concílio de Niceia, em 325. A partir daí essas duas vertentes do cristianismo se enfrentarão no campo de batalha.

As guerras religiosas, no reino visigodo, só terminariam com a conversão do rei Recaredo I. Este confirmou a resolução do III Concílio de Toledo, em 589, que bania a doutrina ariana. Desa maneira, ele consegue unificar a religião na Hispânia, tornando-se um guia da Igreja e ao mesmo tempo em que podia contar com seu auxílio.

Economia dos visigodos

As atividades econômicas dos visigodos se centravam no cultivo de cerais e foram eles que trouxeram o plantio de espinafre, lúpulo e alcachofra para a Península Ibérica.

Seguindo o modelo de organização do final do Império Romano, as cidades perderam importância e os proprietários passaram a viver em grandes “vilas”.

Estas se constituíam de casas, igrejas e áreas de cultivo, que eram administradas de maneira particular e contavam com um exército próprio.

Inicialmente, os visigodos contaram com escravos, mas paulatinamente foram substituindo-os pelos colonos.

Temos também estes textos sobre o mesmo assunto:

Referências Bibliográficas

QUERALT, Maria Pilar & PIQUER, Mar - Gran Libro de los Reyes de España. Servilibro Ediciones. 2006.

CORTÁZAR, Fernando García de - & VESGA, José Manuel Gozález: Breve Historia de España, Alianza Editorial: Madrid. 1995.

Nueva historia de España.Capítulo 3. El reino visigodo. Consultado em 09.09.2020.

Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.