Autores do Simbolismo Brasileiro

Daniela Diana

O Simbolismo no Brasil tem início com a publicação da obra Missal e Broquéis de Cruz e Souza em 1893. Além de precursor do movimento, certamente ele foi um dos mais emblemáticos escritores do período, ao lado de Alphonsus de Guimarães.

Cruz e Souza

Cruz e Souza

Cruz e Souza (1861-1898) era filho de escravos e pode ser considerado o mais importante poeta do Simbolismo no Brasil. Nascido em Florianópolis, Santa Catarina, teve os estudos patrocinados por uma família de aristocratas. Trabalhou na imprensa catarinense, onde escrevia artigos abolicionistas.

Transferiu-se em 1980 para o Rio de Janeiro, onde trabalhou em diversos segmentos. Ainda jovem, se apaixonou por uma artista branca, porém foi casado com uma mulher negra. Cruz e Souza e Gavita tiveram quatro filhos, sendo que dois morreram e a mulher apresentou problemas mentais.

Morreu de tuberculose aos 36 anos e suas únicas obras publicadas são Missal (prosa) e Broquéis (verso). Sua produção literária é marcada pelo abandono do subjetivismo e da angústia porque ocorre a busca por posições universais.

Em princípio, suas primeiras obras relatam sobre a dor e sofrimento do homem negro sendo nítida a evolução para a análise da dor e sofrimento do homem em geral.

Características da Poesia de Cruz e Souza:

  • Sublimação
  • Anulação da matéria para libertação da espiritualidade (morte)
  • Valorização das ideias platônicas
  • Angústia sexual
  • Obsessão pela cor branca e por tudo que possa sugerir brancura
  • Apelos sensoriais
  • Símbolos, jogos e vogais
  • Musicalidade
  • Aliteração

Violões que tocam

Ah! Plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
Bocas murmurejantes de lamento.

Noites de além, remotas, que eu recordo,
Noites de solidão, noites remotas
Que nos azuis a Fantasia bordo,
Vou constelando de visões ignotas.

Quando os sons dos violões vão soluçando,
Quando os sons dos violões nas cordas gemem,
E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sobras tremem.

Harmoniosas que pungem, que laceram,
Dedos nervosos e ágeis que percorrem
Cordas e um mundo de dolências geram
Gemidos, prantos, que no espaço morrem...

E sons soturnos, suspiradas mágoas,
Mágoas amargas e melancolias,
No sussurro monótono das águas,
Noturnamente, entre ramagens frias.

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso.

Que esses violões nevoentos e tristonhos
São ilhas de degredo atroz, funéreo,
Para onde vão, fatigadas de sonho,
Almas que se abismaram no mistério.

Alphonsus de Guimaraens

Alphonsus de Guimaraens

Alphonsus de Guimaraens (1870-1921) nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais. Foi estudante de Direito e depois de findar os estudos, atuou como juiz de direito em Mariana. Estudou também Ciências Sociais em São Paulo e completou o curso em 1895.

Casou-se com Zenaide de Oliveira e com ela teve 14 filhos. Foi na cidade do Rio de Janeiro que conheceu Cruz e Souza, se tornando amigo do poeta.

Sua poesia é marcada pela postura da devoção e do misticismo e, principalmente, a morte de Constança, a prima que amava e faleceu aos 17 anos. Assim, Constança aparece em todos os temas: religião, arte e natureza.

Sua religiosidade e devoção são considerados exageros em meio ao amor espiritualizado. Produziu por cerca de 30 anos em uma obra de influência renascentista e árcade. É adepto do verso decassílabo, mas chegou explorar a redondilha maior.

Características da Poesia de Alphonsus de Guimaraens:

  • Misticismo
  • Amor
  • Morte
  • Sublimação por meio da morte
  • Linguagem de sugestão
  • Aliteração
  • Tendência à autocompaixão

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
as asas para voar...
Queria a lua do céu,
queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
seu corpo desceu ao mar...

Simbolismo

O movimento que ficou conhecido como Simbolismo surgiu no fim do século XIX, na França. Representou a reação artística à onda de materialismo e cientificismo marcante na Europa.

Rejeitou as chamadas soluções racionalistas, mecânicas e empíricas, reveladas na ciência da época. Os autores desse período buscavam resgatar a interação entre o homem e o sagrado.

O Simbolismo é marcado pelo subjetivismo, linguagem vaga, fluída, antimaterialismo, soneto e retomada da tradição romântica.

Leia também:

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.