Cantigas Trovadorescas


Cantigas trovadorescas é a denominação concedida aos textos poéticos da Primeira Época Medieval. Em geral, eram músicas cantadas em coro, por isso o nome "cantigas".

Há dois grandes grupos de cantigas: as cantigas líricas e as cantigas satíricas. As cantigas líricas estão subdivididas em cantigas de amor e cantigas de amigo. Já as cantigas satíricas em cantigas de escárnio e de maldizer.

Cantigas de Amor

As cantigas de amor são invariavelmente escritas em primeira pessoa. Nelas, o eu-poético declara seu amor a uma dama, tendo como pano de fundo o ambiente palaciano.

É por este motivo que ele se dirige a ela, chamando-a de senhora. Esse tipo de cantiga mostra a servidão amorosa dentro dos mais puros padrões da vassalagem.

Dessa forma, a mulher é vista como um ser inatingível. A mulher é uma figura idealizada, a quem e dedicado um amor sublime também idealizado.

Características

Essas características justificam a presença de um forte lirismo representado pela "coisa d'amor" (o sofrimento amoroso); coita, em galego-português, significa "dor, aflição, desgosto" - especialmente por motivo de amor.

Para os trovadores, esse sentimento é pior que a morte, e o amor é a única razão de viver.

Influências

As Cantigas de Amor são atribuídas à influência da arte desenvolvida na Provença, sul da França, entre os séculos XI e XIII.

Naquela região, surge o "amor cortês", mais intenso na voz dos trovadores da Galiza e Portugal, que não se limitam a imitar, mas a "sofrer de maneira mais dolorida".

São muitas as causas do surgimento do lirismo provençal nas terras ocidentais da Península Ibérica. Entre elas está a chegada de colonos franceses que foram lutar contra os mouros ligados a Provença.

Também é considerado o intenso comércio entre a França e a região ocidental da Península, alcançando o Atlântico Norte.

Cantigas de Amigo

As cantigas de amigo originam-se do sentimento popular, na própria Península Ibérica. Também escritas em primeira pessoa, apesentam um grande diferencial, nelas, o eu-poético é feminino. Os autores são, contudo, homens.

Características

Essas cantigas são a expressão do sentimento feminino. Nesse contexto, a mulher sofre por se ver separada do amigo ( que também pode ser o amante ou o namorado).

Ela vive angustiada por não saber se o amigo voltará ou não, se a trocará por outra. O ambiente descrito nas Cantigas de Amigo não é mais a corte e, sim, a zona rural.

Os cenários são de uma mulher, invariavelmente camponesa, característica que reflete a relação dos nobres com as plebeias. Esta é uma das principias marcas do patriarcalismo da sociedade portuguesa.

Outro aspecto interessante a destacar é que, além da mulher que sofre. Esse sofrimento é, em geral, denunciado a um amigo que servem de confidentes.

Os demais personagens que compartilham o sofrimento da mulher são, a mãe, o amigo ou mesmo um elemento da natureza que aparece personificado.

As Cantigas de Amigo são apresentadas em uma estrutura de diálogo, o que resulta em um trabalho formal mais apurado em relação às Cantigas de Amor.

Cantiga de Escárnio

São cantigas que apresentavam, em geral, uma crítica direta e irônica.

Cantiga de Maldizer

São canções cuja estrutura comporta críticas mais diretas e grosseiras.

Trovadorismo

O Trovadorismo ou Primeira Época Medieval é o período que se estende de 1189 ou 1198 - data provável da Canção Ribeirinha, escrita por Paio Soares de Taveirós - até 1434, com a nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista da Torre do Tombo.

A cultura trovadoresca, surgida entre os séculos XI e XII, reflete bem o momento histórico que caracteriza o período: na Europa cristã, a organização das Cruzadas em direção ao Oriente.

Na Península Ibérica, a luta contra os mouros; o período descentralizado e as relações entre os nobres determinados pelo feudalismo (a vassalagem); o poder espiritual em mãos do clero católico, detentor da cultura e responsável pelo pensamento teocêntrico (Deus como o centro de todas as coisas).

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