A Linguagem do Trovadorismo

Daniela Diana

A Linguagem do Trovadorismo é musical, poética, popular, dialógica, crítica, lírica e satírica. Os trovadores eram os autores das cantigas, enquanto os jograis eram os cantores.

Já os menestréis, além de cantarem, tocavam as músicas, as quais eram acompanhadas por alaúdes, violas e flautas.

Contexto Histórico

Vale lembrar que o trovadorismo foi um movimento literário desenvolvido na Europa durante a época medieval (século XII a XIV).

Em meio ao contexto do feudalismo, o teocentrismo (Deus como centro do mundo) foi sua principal característica.

Em Portugal, o trovadorismo tem início em 1189 (ou 1198) com a publicação da Canção Ribeirinha, de Paio Soares de Taveirós. Esse movimento literário vai até 1434, quando começa o humanismo.

Produção Literária Medieval

As produções poéticas do trovadorismo eram acompanhadas de instrumentos musicais e, por isso, são denominadas de cantigas.

Os cancioneiros são coletâneas que reúnem as cantigas trovadorescas as quais são classificadas em:

  • Cantigas Líricas: cantigas de amor e cantigas de amigo.
  • Cantigas Satíricas: cantigas de escárnio e cantigas de maldizer.

Já as manifestações literárias na prosa são subdivididas em:

  • Novelas de Cavalaria ou Romances de Cavalaria: relatos de heróis e seus cavaleiros.
  • Nobiliários ou Livros de Linhagem: árvores genealógicas de nobres.
  • Hagiografias: biografias de santos.
  • Cronicões: narrativas históricas.

Principais Trovadores

Os principais trovadores da época medieval foram:

  • Paio Soares de Taveirós
  • João Soares Paiva
  • João Garcia de Guilhade
  • Martim Codax
  • Dom Dinis
  • D. Afonso X
  • Dom Duarte
  • Frei João Álvares
  • Gomes Eanes de Zurara

Características do Trovadorismo

As principais características do trovadorismo são:

  • União da poesia e da música
  • Tradições populares
  • Ideal cavaleiresco
  • Temas profanos e amorosos
  • Críticas sociais

Leia também:

Exemplos

Para compreender melhor a linguagem do trovadorismo, segue abaixo dois exemplos:

Cantiga da Ribeirinha, de Paio Soares Taveirós

No mundo nom me sei parelha,
mentre me for como me vai;
ca ja moiro por vós, e ai!,
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia?
Mao dia me levantei,
que vos entomnom vi feia!

E, mia senhor, desaquelha,
me foi a mi mui mal di' ai!
E vós, filha de Dom Pai
Moniz, en bem vos semelha
d' haver eu por vós gabundarvaia?
Pois eu, mia senhor, d' alfaia
nunca de vós houve nem hei
valia d'ua correia!”

As Crónicas Breves de Santa Cruz de Coimbra

“Esta he a rrenenbrança dos Reys que fforam destes Regnos de portugall e do alguarue des o começo do Conde Dom anrriqui ataa presente Era que ora corre do nacimento de nosso sennor Jeshu christo de mil e quatrocentos e uynte e noue annos. A qual rrenenbrança serue a proll por que muytas uezes mostram perante ElRey nossn sennor e perante os seus juizes algumas doaçoões e outras escripturas, que fazem em periuizo dos direitos e cousas da coroa dos Regnos, fazendo taaes cartas de doaçcões e escripturas mençom que forom outorgadas per huum Rey o quall segundo a dada dessa escriptura ja era finado; E pera tirar estas duuidas aproueitam muyto estas eras. Porque em ellas faz mençom quando cada huum Rey começou de riegnar, e quando sse finou, e onde jaz sepultado. E estas eras forom escriptas certamente sabendose primeiro a uerdade do que em ellas he contheudo. As quaaes aqui som escriptas na maneira que sse segue. E per ellas logo se pode ssaber a escriptura que nom for uerdadeira.”

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.