Variações Linguísticas

Daniela Diana

As variações linguísticas reúnem as variantes da língua que foram criadas pelos homens e são reinventadas a cada dia.

Dessas reinvenções surgem as variações que envolvem diversos aspectos históricos, sociais, culturais, geográficos, entre outros.

No Brasil, é possível encontrar muitas variações linguísticas, por exemplo, na linguagem regional.

chico bento e o regionalismo
Nas falas do Chico bento e de seu primo Zé Lelé notamos o regionalismo

Tipos e exemplos de variações linguísticas

Há diversos tipos de variações linguísticas segundo o campo de atuação:

1. Variação geográfica ou diatópica

Está relacionada com o local em que é desenvolvida, tal como as variações entre o português do Brasil e de Portugal, chamadas de regionalismo.

Exemplo de regionalismo

português do Brasil e de Portugal

2. Variação histórica ou diacrônica

Ela ocorre com o desenvolvimento da história, tal como o português medieval e o atual.

Exemplo de português arcaico

variação linguística histórica
"Elípticos", "pega-la-emos" são formas que caíram em desuso

3. Variação social ou diastrática

É percebida segundo os grupos (ou classes) sociais envolvidos, tal como uma conversa entre um orador jurídico e um morador de rua. Exemplo desse tipo de variação são os socioletos.

Exemplo de socioleto

linguagem médica
A linguagem técnica utilizada pelos médicos nem sempre é entendida pelos seus pacientes

4. Variação situacional ou diafásica

Ocorre de acordo com o contexto, por exemplo, situações formais e informais. As gírias são expressões populares utilizadas por determinado grupo social.

Exemplo de gíria

gíria em LIBRAS
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) também tem as suas gírias

Linguagem Formal e Informal

Quanto aos níveis da fala, podemos considerar dois padrões de linguagem: a linguagem formal e informal.

Certamente, quando falamos com pessoas próximas utilizamos a linguagem dita coloquial, ou seja, aquela espontânea, dinâmica e despretensiosa.

No entanto, de acordo com o contexto no qual estamos inseridos, devemos seguir as regras e normas impostas pela gramática, seja quando elaboramos um texto (linguagem escrita) ou organizamos nossa fala numa palestra (linguagem oral).

Em ambos os casos, utilizaremos a linguagem formal, que está de acordo com a normas gramaticais.

Observe que as variações linguísticas são expressas geralmente nos discursos orais. Quando produzimos um texto escrito, seja em qual for o lugar do Brasil, seguimos as regras do mesmo idioma: a língua portuguesa.

Preconceito Linguístico

O preconceito linguístico está intimamente relacionado com as variações linguísticas, uma vez que ele surge para julgar as manifestações linguísticas ditas "superiores".

Para pensarmos nele não precisamos ir muito longe, pois em nosso país, embora o mesmo idioma seja falado em todas as regiões, cada uma possui suas peculiaridades que envolvem diversos aspectos históricos e culturais.

Sendo assim, a maneira de falar do norte é muito diferente da falada no sul do país. Isso ocorre porque nos atos comunicativos, os falantes da língua vão determinando expressões, sotaques e entonações de acordo com as necessidades linguísticas.

De tal modo, o preconceito linguístico surge no tom de deboche, sendo a variação apontada de maneira pejorativa e estigmatizada.

Quem comete esse tipo de preconceito, geralmente tem a ideia de que sua maneira de falar é correta e, ainda, superior à outra.

Entretanto, devemos salientar que todas variações são aceitas e nenhuma delas é superior, ou considerada a mais correta.

Não pare por aqui. Tem mais textos muito úteis para você:

Exercícios do Enem

1. (Enem/2014)

Em Bom Português

No Brasil, as palavras envelhecem e caem como folhas secas. Não é somente pela gíria que a gente é apanhada (aliás, não se usa mais a primeira pessoa, tanto do singular como do plural: tudo é “a gente”). A própria linguagem corrente vai-se renovando e a cada dia uma parte do léxico cai em desuso.

Minha amiga Lila, que vive descobrindo essas coisas, chamou minha atenção para os que falam assim:

– Assisti a uma fita de cinema com um artista que representa muito bem.

Os que acharam natural essa frase, cuidado! Não saber dizer que viram um filme que trabalha muito bem. E irão ao banho de mar em vez de ir à praia, vestido de roupa de banho em vez de biquíni, carregando guarda-sol em vez de barraca. Comprarão um automóvel em vez de comprar um carro, pegarão um defluxo em vez de um resfriado, vão andar no passeio em vez de passear na calçada. Viajarão de trem de ferro e apresentarão sua esposa ou sua senhora em vez de apresentar sua mulher.

(SABINO, F. Folha de S. Paulo, 13 abr. 1984)

A língua varia no tempo, no espaço e em diferentes classes socioculturais. O texto exemplifica essa característica da língua, evidenciando que

a) o uso de palavras novas deve ser incentivado em detrimento das antigas.
b) a utilização de inovações do léxico é percebida na comparação de gerações.
c) o emprego de palavras com sentidos diferentes caracteriza diversidade geográfica.
d) a pronúncia e o vocabulário são aspectos identificadores da classe social a que pertence o falante.
e) o modo de falar específico de pessoas de diferentes faixas etárias é frequente em todas as regiões.

Alternativa correta: b) a utilização de inovações do léxico é percebida na comparação de gerações.

a) ERRADA. Em nenhum momento, o autor incentiva o uso das palavras novas. Ele simplesmente identifica a variação histórica, quando menciona que "A própria linguagem corrente vai-se renovando e a cada dia uma parte do léxico cai em desuso.".

b) CORRETA. Vários exemplos de variação histórica ou diacrônica são dados ao longo do texto, que compara as formas de falar de tempos diferentes: "pegarão um defluxo em vez de um resfriado".

c) ERRADA. As palavras usadas não têm sentido diferente, mas sim, o mesmo sentido, em épocas diferentes.

d) ERRADA. Não há qualquer referência feita à pronúncia, bem como o texto não apresenta linguagem específica de uma classe social. Logo no início do texto, o autor deixa claro que tratará do aspecto histórico da variação linguística: "No Brasil, as palavras envelhecem e caem como folhas secas.".

e) ERRADA. A questão temporal abordada nesse texto não está relacionada com faixas etárias, mas sim com o desenvolvimento histórico da língua. Além disso, em nenhum momento é feita qualquer referência a aspectos regionais.

2. (Enem/2014)

Óia eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo pra xaxar
Vou mostrar pr’esses cabras
Que eu ainda dou no couro
Isso é um desaforo
Que eu não posso levar
Que eu aqui de novo cantando
Que eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo mostrando
Como se deve xaxar.
Vem cá morena linda
Vestida de chita
Você é a mais bonita
Desse meu lugar
Vai, chama Maria, chama Luzia
Vai, chama Zabé, chama Raque
Diz que tou aqui com alegria.

(BARROS, A. Óia eu aqui de novo. Disponível em Acesso em 5 maio 2013)

A letra da canção de Antônio Barros manifesta aspectos do repertório linguístico e cultural do Brasil. O verso que singulariza uma forma do falar popular regional é:

a) “Isso é um desaforo”
b) “Diz que eu tou aqui com alegria”
c) “Vou mostrar pr’esses cabras”
d) “Vai, chama Maria, chama Luzia”
e) “Vem cá, morena linda, vestida de chita”

Alternativa correta :c) “Vou mostrar pr’esses cabras”.

a) ERRADA. "Desaforo" não é um exemplo de regionalismo, pois não é utilizada em um local específico.

b) ERRADA. "Tou" é usado em situações informais, no lugar de "estou". Assim, estamos diante de um exemplo de variação situacional ou diafásica, e não geográfica ou diatópica, como é o caso dos regionalismos.

c) CORRETA. A frase “Vou mostrar pr’esses cabras” tem o mesmo sentido de “Vou mostrar pr’esses sujeitos”. Em determinadas regiões do Brasil, a palavra "cabra" é utilizada para se referir a alguém a quem se desconhece o nome, ou também a um capanga ou camponês.

d) ERRADA. Na frase “Vai, chama Maria, chama Luzia” não há qualquer vocábulo em que se identifica a presença de regionalismo.

e) ERRADA.A frase “Vem cá, morena linda, vestida de chita” não é marcada por qualquer variação regional ou geográficas.

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.