Paradoxo

Daniela Diana

Na literatura, o paradoxo (também chamado de oximoro) é uma figura de pensamento baseada na contradição.

Muitas vezes pode apresentar uma expressão absurda e aparentemente sem nexo, entretanto, expõem uma ideia fundamentada na verdade.

Esse conceito é também utilizado em outras áreas do conhecimento, tais quais a filosofia, psicologia, retórica, matemática e física.

Exemplo de Paradoxo

Para entender melhor o conceito de paradoxo, vejamos a seguir, o soneto do português Luís Vaz de Camões (1524-1580).

O escritor utiliza o paradoxo como principal figura de linguagem, ao unir ideais contraditórias que, por sua vez, apresentam uma coerência:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Paradoxo e Antítese

Embora sejam figuras de pensamento baseadas na oposição, o paradoxo e a antítese se distinguem.

O paradoxo emprega ideias opostas, da mesma maneira que a antítese, entretanto, essa contradição ocorre entre o mesmo referente do discurso.

Para entender melhor essa diferença veja os exemplos abaixo:

  • Dormir e acordar está difícil. (antítese)
  • Estou dormindo acordado. (paradoxo)

Note que ambos os exemplos utilizam os opostos “dormir” e “acordar”. Entretanto, o paradoxo propõe uma ideia, supostamente absurda, mas que faz sentido, pois enquanto dormimos não podemos estar acordados.

Nesse caso, a união dos termos contrários gerou um significado metafórico coerente à expressão “dormir acordado”. O enunciado significa que a pessoa está acordada, entretanto, com muito sono.

Figuras de Linguagem

O estudo das figuras de linguagem é extremamente importante. Elas são recursos estilísticos da linguagem os quais proporcionam maior expressividade ao discurso enunciado. São classificadas em:

  • Figuras de Palavras: metáfora, metonímia, comparação, catacrese, sinestesia e antonomásia.
  • Figuras de Sintaxe: elipse, zeugma, silepse, assíndeto, polissíndeto, anáfora, pleonasmo, anacoluto e hipérbato.
  • Figuras de Pensamento: ironia, sarcasmo, antítese, paradoxo, eufemismo, litote, hipérbole, gradação, personificação e apóstrofe.
  • Figuras de Som: aliteração, assonância, onomatopeia e paronomásia.

As figuras de linguagem são muito utilizadas, sobretudo, na literatura. Elas transformam a linguagem denotativa em linguagem conotativa.

A linguagem denotativa abarca o conceito real dos termos, ou seja, o sentido literal expresso no dicionário. Já, a conotativa, demostra o sentido figurado e subjetivo das palavras.

Curiosidade

Do latim, o termo paradoxo (paradoxum) é formado pelo prefixo “para” (contrário ou oposto) e o sufixo “doxa” (opinião), que literalmente significa opinião contrária.

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.