Conotação e Denotação

Daniela Diana

A conotação e a denotação são as variações de significados que ocorrem no signo linguístico, o qual é composto de um significante (as letras e os sons) e um significado (o conceito, a ideia).

Assim, a conotação representa o sentido figurado, enquanto a denotação é o sentido literal atribuído a um termo.

Exemplos:

  • Ele comeu bola na prova de matemática. (sentido conotativo)
  • Depois de jogar bola, nós comemos um churrasco. (sentido denotativo)

Com os exemplos acima, podemos ver que o sentido figurado, ou conotativo, foi utilizado na primeira oração, uma vez que “comer bola” significa”cometer um erro. Não poderíamos, no entanto, utilizar essa expressão no sentido real, uma vez que “comer bola” é algo impensável.

Resumindo:

  • conotação: sentido subjetivo, figurado
  • denotação: sentido real, literal

Sentido Conotativo e Sentido Denotativo

O sentido conotativo é a linguagem em que a palavra é utilizada em sentido figurado, subjetivo ou expressivo.

Ele depende do contexto em que é empregado, sendo muito utilizado na literatura. Isso porque, no meio literário, muitas palavras têm forte carga de sensações e sentimentos.

Por sua vez, o sentido denotativo é a linguagem em que a palavra é utilizada em seu sentido próprio, literal, original, real, objetivo. Ele é, muitas vezes, caracterizado como o sentido do dicionário, ou seja, que contém a primeira acepção da palavra.

Nos dicionários, depois da acepção denotativa há uma abreviação, normalmente entre parênteses (fig), a qual indica o sentido figurado da palavra, ou seja, o sentido conotativo.

Vamos ver o exemplo da palavra cachorro no dicionário online de português (dicio):

s.m. Cão novo.
Cria da loba, da leoa e de outros animais parecidos com o cão.
Bras. Qualquer cão.
Construção. Peça saliente de madeira ou pedra para sustentação de cimalha ou sacada; modilhão.
Escora de navio em estaleiro.
Fig. Pop. Homem desaforado, de mau caráter ou mau gênio; indivíduo desprezível, canalha."

Exemplos do sentido conotativo e denotativo:

  • Aquele homem é um cachorro. (linguagem conotativa, sentido figurado)
  • O cachorro da vizinha fugiu essa manhã. (linguagem denotativa, sentido próprio)

Nas orações acima, podemos notar que a palavra cachorro é utilizada em dois sentidos diferentes: conotativo e denotativo.

Na primeira frase, o termo refere-se ao caráter do homem "cachorro", numa linguagem conotativa que indica que o homem é mulherengo ou infiel.

Na segunda frase o termo está empregado de forma denotativa, ou seja, no sentido real e original da palavra cachorro: animal doméstico.

Quer ficar craque nesse assunto? Não deixe de ler outros textos relacionados com esse tema:

Exercícios sobre conotação e denotação

1. (Enem-2005)

O termo (ou expressão) destacado que está empregado em seu sentido próprio, denotativo, ocorre em

a) “(....)
É de laço e de nó
De gibeira o jiló
Dessa vida, cumprida a sol (....)”
(Renato Teixeira. Romaria. Kuarup Discos. setembro de 1992.)

b) “Protegendo os inocentes
é que Deus, sábio demais,
põe cenários diferentes
nas impressões digitais.”
(Maria N. S. Carvalho. Evangelho da Trova. /s.n.b.)

c) “O dicionário-padrão da língua e os dicionários unilíngues são os tipos mais comuns de dicionários. Em nossos dias, eles se tornaram um objeto de consumo obrigatório para as nações civilizadas e desenvolvidas.”
(Maria T. Camargo Biderman. O dicionário-padrão da língua. Alfa (28), 2743, 1974 Supl.)

d)

Tirinha do Menino Maluquinho

e) “Humorismo é a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros. Há duas espécies de humorismo: o trágico e o cômico. O trágico é o que não consegue fazer rir; o cômico é o que é verdadeiramente trágico para se fazer.”
(Leon Eliachar. www.mercadolivre.com.br . acessado em julho de 2005.)

Alternativa c: “O dicionário-padrão da língua e os dicionários unilíngues são os tipos mais comuns de dicionários. Em nossos dias, eles se tornaram um objeto de consumo obrigatório para as nações civilizadas e desenvolvidas.”

O sentido denotativo é o sentido literal de algum termo e, das opções acima, o único deles é "dicionário-padrão" em que não existe um sentido subjetivo atribuído.

2. (Fuvest)

O filme Cazuza - O tempo não para me deixou numa espécie de felicidade pensativa. Tento explicar por quê. Cazuza mordeu a vida com todos os dentes. A doença e a morte parecem ter-se vingado de sua paixão exagerada de viver. É impossível sair da sala de cinema sem se perguntar mais uma vez: o que vale mais, a preservação de nossas forças, que garantiria uma vida mais longa, ou a livre procura da máxima intensidade e variedade de experiências? Digo que a pergunta se apresenta “mais uma vez” porque a questão é hoje trivial e, ao mesmo tempo, persecutória. (...) Obedecemos a uma proliferação de regras que são ditadas pelos progressos da prevenção. Ninguém imagina que comer, fumar, tomar pinga, transar sem camisinha e combinar, sei lá, nitratos com Viagra seja uma boa ideia. De fato não é. À primeira vista, parece lógico que concordemos sem hesitação sobre o seguinte: não há ou não deveria haver prazeres que valham um risco de vida ou, simplesmente, que valham o risco de encurtar a vida. De que adiantaria um prazer que, por assim dizer, cortasse o galho sobre o qual estou sentado? Os jovens têm uma razão básica para desconfiar de uma moral prudente e um pouco avara que sugere que escolhamos sempre os tempos suplementares. É que a morte lhes parece distante, uma coisa com a qual a gente se preocupará mais tarde, muito mais tarde. Mas sua vontade de caminhar na corda bamba e sem rede não é apenas a inconsciência de quem pode esquecer que “o tempo não para”. É também (e talvez sobretudo) um questionamento que nos desafia: para disciplinar a experiência, será que temos outras razões que não sejam só a decisão de durar um pouco mais? (Contardo Calligaris, Folha de S. Paulo)

Considere as seguintes afirmações:

I. Os trechos “mordeu a vida com todos os dentes” e “caminhar na corda bamba e sem rede” podem ser compreendidos tanto no sentido figurado quanto no sentido literal.

II. Na frase “De que adiantaria um prazer que (...) cortasse o galho sobre o qual estou sentado”, o sentido da expressão sublinhada corresponde ao de “se está sentado”.

III. Em “mais uma vez”, no início do terceiro parágrafo, o autor empregou aspas para indicar a precisa retomada de uma expressão do texto.

Está correto o que se afirma em:

a) I, somente
b) I e II, somente
c) II, somente
d) II e III, somente
e) I, II e III

Alternativa d: II e III, somente.

A opção I está incorreta pois a expressão "mordeu a vida com todos os dentes" não pode ser considerada em sentido denotativo, literal.

3. (FGV-2001) “Minha memória não se desgrudava daquela cena e meu olhar apagava a paisagem ao meu redor.” Escreva a seguir as palavras dessa frase que têm sentido conotativo. Explique.

O sentido conotativo é o sentido subjetivo, figurado atribuído às palavras. Na oração acima, temos duas palavras empregadas em sentido conotativo, as quais não podem ser interpretadas em sentido literal (denotativo): desgrudava e apagava.

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.