Diferenças entre o nazismo e o fascismo

Lucas Pereira
Lucas Pereira
Professor de História

Fascismo e Nazismo foram duas ideologias totalitárias que surgiram na Europa após a Primeira Guerra Mundial. Apesar das semelhanças, os dois regimes têm diferenças importantes, principalmente na origem, na cronologia de tomada do poder e na questão racial.

Sobre a origem, o Fascismo surgiu na Itália e liderado por Benito Mussolini, enquanto o Nazismo surgiu na Alemanha, tendo Adolf Hitler como principal figura.

Em termos de tempo, o Fascismo é anterior ao Nazismo. O movimento fascista ganhou força a partir de 1919, e Mussolini chegou ao poder após a Marcha sobre Roma, em 1922. Já o Nazismo ganhou popularidade após a crise econômica de 1929, e Hitler assumiu o cargo de Chanceler em 1933.

Outra diferença central está na centralidade do ódio aos judeus. O Nazismo tinha o antissemitismo como central em suas ideias. Já Fascismo italiano, embora também autoritário, não tinha a perseguição aos judeus como um dos pilares desde sua origem.

Por fim, o contexto de cada país após a Primeira Guerra Mundial também apresenta diferenças. A Alemanha saiu derrotada do conflito e foi duramente punida pelo Tratado de Versalhes. Já a Itália, apesar de vitoriosa, sentiu que suas exigências territoriais não foram atendidas, o que provocou grande insatisfação na população italiana.

Esquema ilustrativo das diferenças entre Facismo e Nazismo.
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Semelhanças entre Fascismo e Nazismo

Fascismo e Nazismo apresentam várias características em comum. São elementos de ambos os movimentos o militarismo, o autoritarismo, o culto ao líder, o nacionalismo, a censura, o anticomunismo e a busca pelo controle total da população.

Sobre o militarismo, tanto o movimento fascista como o movimento nazista apresentam uma grande ênfase à vida e às instituições militares. Também defendiam ideias expansionistas através da atividade militar.

Ambos os movimentos também defendiam ideias autoritárias. Em sua história, tanto o regime fascista como o nazista concentravam o poder nas mãos de um único líder e não toleravam oposição política. Partidos rivais foram proibidos, eleições livres foram abolidas e críticos eram perseguidos.

O nacionalismo é outra importante semelhança, pois os movimentos exaltavam a nação acima de tudo. Esse nacionalismo extremo servia para unir a população em torno do regime.

Havia também a censura, já que a arte e cultura eram controladas pelo Estado. Apenas o que servia aos interesses do regime podia ser publicado ou exibido.

Tanto o Fascismo como o Nazismo eram abertamente anticomunistas. Inclusive, ganharam popularidade entre setores conservadores pelo uso da violência contra grevistas e sindicatos em sua história.

Sobre o controle da população, escolas, sindicatos e organizações juvenis foram cooptados pelos regimes. O objetivo era formar cidadãos leais e eliminar qualquer espaço de resistência. A vigilância era constante e as denúncias incentivadas. A partir dessa característica, surgiu o conceito de totalitarismo para analisar tais regimes.

A Origem do Fascismo e do Nazismo

O Fascismo nasceu na Itália, logo após a Primeira Guerra Mundial. O país vivia uma grave crise econômica, com desemprego elevado, inflação e instabilidade política. Além disso, a população estava frustrada, pois, apesar de vitoriosa na guerra, a Itália sentiu que não foi devidamente recompensada no pós-guerra.

Nessa época, Mussolini fundou o Fasci di Combattimento, em 1919, reunindo ex-combatentes e nacionalistas radicais. Tal grupo usava a violência contra grevistas e comunistas, o que lhe rendeu a simpatia das elites.

Em 1922, os fascistas organizaram a Marcha sobre Roma. Com apoio das elites italianas, o rei Vitor Emanuel II nomeou Mussolini chefe de governo, dando início ao regime fascista.

Já o Nazismo surgiu na Alemanha, também no pós-Primeira Guerra Mundial. Derrotada, a Alemanha foi obrigada a assinar o Tratado de Versalhes, em 1919, que impôs pesadas punições ao país. A população enfrentava hiperinflação, desemprego e humilhação nacional. Após a Crise de 1929, a situação se agravou ainda mais.

Foi nesse ambiente de crise e desesperança que Adolf Hitler e o Partido Nazista ganharam força. Hitler prometia restaurar a grandeza alemã e encontrou terreno fértil em uma população desesperada e ressentida. Com resultados eleitorais cada vez mais expressivos, foi nomeado chanceler da Alemanha em 1933.

Como isso pode cair no ENEM?

Fascismo e Nazismo são temas muito frequentes em provas como ENEM e Vestibulares.

Nessas ocasiões, é fundamental ter muito claro o contexto histórico e as características específicas de cada movimento.

Além disso, é comum exigir dos candidatos a relação entre o Fascismo e o Nazismo e as duas Guerras Mundiais. Aqui, é importante associar a Primeira Guerra com o surgimento das ideologias em questão, além de ligá-las às causas da Segunda Guerra.

Também é comum solicitar aos candidatos a análise de pôsteres e trechos de documentos históricos sobre o Nazismo e o Fascismo. Saber diferenciar os movimentos é fundamental nesses casos.

Outro tipo de questão recorrente pede a relação entre esses regimes e o debate político contemporâneo. O ENEM costuma apresentar textos que usam termos como "fascismo" ou "autoritarismo" em contextos atuais, exigindo do candidato uma leitura crítica e contextualizada.

Por fim, esses são temas que também podem ser abordados em Filosofia e Sociologia, para além de História. Assim, é importante conhecer autores como Hannah Arendt e suas teorias sobre o Totalitarismo e a Banalidade do Mal, por exemplo.

Para praticar: Questões sobre fascismo e nazismo (com respostas explicadas)

Referências Bibliográficas

ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo. Rio de Janeiro: Documentário, 1979.

FREITAS NETO, José Alves de e TASINAFO, Célio Ricardo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Harbra, 2006.

GEARY, Dick. Hitler e o Nazismo. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

HOBSBAWM, Eric J. A era dos Extremos: o breve século XX - 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Lucas Pereira
Lucas Pereira
Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2013), com mestrado em Ensino de História pela mesma instituição (2020). Atua como professor de História na educação básica e em cursos pré-vestibulares desde 2013. Desde 2016, também desenvolve conteúdos educativos na área de História.